Quênia: Bispos se opõem ao fechamento de campos de refugiados

Os Bispos do Quênia se manifestaram contrários ao fechamento de campos de refugiados que obrigaria as pessoas a retornarem aos seus países de origem ainda em guerra.

“O governo deveria reconsiderar sua posição e tratar todos os refugiados com cuidado e atenção, especialmente durante este período da pandemia da Covid-19, quando a humanidade está enfrentando sérios desafios econômicos e psicológicos”, assim afirma a Conferência dos Bispos Católicos do Quênia (KCCB) ao exortar o governo de Nairóbi a não fechar os campos de refugiados de Kakuma e Daadab.

Na declaração, enviada à Agência Fides, assinada por Dom Philip Anyolo, arcebispo de Kisumu e presidente da Conferência, os bispos católicos quenianos expressam sua preocupação com a repatriação involuntária de refugiados. “No campo de Daadab, os somalis são a maioria; de acordo com o direito internacional, os refugiados podem retornar a seu país uma vez restabelecido um governo democrático que respeite os direitos humanos e o Estado de direito”.

Proteção de mais de 400 mil refugiados
Devido à pandemia da Covid-19, “estes nossos irmãos e irmãs que vivem no campo se tornaram mais vulneráveis”, diz a Conferência Episcopal do Quênia, que pede que medidas sanitárias sejam tomadas para garantir a proteção dos mais de 400 mil refugiados alojados nos campos de Dadaab e Kakuma. Para resolver a questão, os Bispos estão pedindo ao governo que dialogue com as partes interessadas para encontrar uma solução duradoura para os refugiados, ao mesmo tempo que ofereça apoio aos que decidem retornar voluntariamente ao seu país de origem.

Maior campo de refugiados do mundo
O campo de refugiados de Kakuma, no noroeste do Quênia, foi criado em 1992. No início, o país recebeu refugiados do Sudão, aos quais se juntaram etíopes e somalis. Enquanto que Dadaab, no centro-leste, há muito tempo é o maior campo de refugiados do mundo, e na verdade é formado por vários outros campos. Os três primeiros campos foram criados no início dos anos 90. Os outros foram se formando a partir de 2011, devido à crise alimentar no Chifre da África. Além de refugiados da Somália, Sudão e Etiópia, os dois campos também acolhem pessoas provenientes da Tanzânia, Uganda, Sudão do Sul e República Democrática do Congo.

Infiltração terrorista
Referindo-se à infiltração terrorista nestas instalações, em novembro de 2016, o governo de Nairobi havia anunciado sua intenção de fechá-las, sem colocar em prática a decisão, já então fortemente contestada pelos Bispos. Entretanto, em 24 de março deste ano, o Secretário do Gabinete do Interior Fred Matiang’i anunciou a intenção do governo de fechar os campos Dadaab e Kakuma, dando ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) duas semanas para apresentar um plano de execução. O ACNUR, a agência da ONU para Refugiados está preocupada com o impacto que esta decisão teria sobre a proteção dos refugiados no Quênia, inclusive no contexto da pandemia da Covid-19. “Continuaremos nosso diálogo com as autoridades quenianas sobre esta questão”, disse a agência ACNUR. No entanto, em 8 de abril, o Tribunal Superior do Quênia suspendeu temporariamente a decisão do governo de fechar as duas instalações.

Fonte: Vatican News

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