Pontifícia Obra da Propagação da fé, como tudo começou…

Por Pe. Badacer Neto, Secretário da Pontifícia Obra da Propagação da Fé

Outubro é o mês dedicado às Missões em toda a Igreja. Desde o ano de 1926 o Papa Pio XI instituiu o penúltimo domingo desse mês como o Dia Mundial das Missões, dedicado à oração e a ofertas em favor da evangelização dos povos. Como sabemos, a missão é de Deus, entretanto, Ele quis contar conosco como seus cooperadores nessa tarefa. Para isso, ao longo da história, tem chamado a muitas pessoas, como eu e você. Partilhamos aqui a vida de uma jovem mulher que sentiu esse apelo de Deus, deixando-se guiar pelo Espírito.

Ela é Paulina Maria Jaricot, nascida em Lyon, França, em 21 de julho de 1799, em um contexto de fim de revolução, após os anos difíceis do totalitarismo de Napoleão. Era o auge da revolução industrial na França. Portanto, um período cheio de muitas tensões e inseguranças que tocava diretamente a fé, pois a Igreja passava por inúmeras e severas perseguições do Estado, em um clima liberal e ateu favorável à indiferença a Deus. Para exemplificar, as Missões Estrangeiras de Paris (MEP) só conseguiu enviar, durante esse período, apenas dois missionários para o Oriente.

Nesse cenário, Paulina e seu irmão Filéias, embora tivessem uma vida segura e confortável, foram alimentados desde crianças pelas correspondências dos missionários que estavam no oriente, sobretudo na China. Ouviam os desafios enfrentados e as necessidades da Igreja para o anúncio do Evangelho, bem como sobre a realidade de sofrimento que passava aquele país do oriente, especificamente dos perigos de morte sofridos por crianças. Essas leituras provocaram um impacto profundo na vida dos irmãos, a ponto de Filéias decidir ser missionário na China. Paulina quis ir, mas não podia, mas seu irmão a incentivava com estas palavras: “Coitadinha, você não pode. Mas vai pegar um rastelo, juntará um montão de ouro, e daí o mandará para mim…”. (NAÏDENOFF, Georges. p. 8)*

Paulina, que tem o espírito empreendedor e uma paixão profunda por Jesus, tem uma intuição em favor das missões na cozinha de sua casa e decide colocá-la em prática. Ela nos diz em seu diário: “Uma tarde em que meus pais jogavam cartas e que eu, sentada no canto do fogão, buscava em Deus o auxílio, isto é, o plano desejado, foi dada uma visão clara desse plano, e eu entendi a facilidade que qualquer pessoa do meu círculo de relações teria para achar dez associados que contribuíssem com uma moedinha cada semana para a Propagação da Fé. Eu vi ao mesmo tempo a oportunidade de escolher, dentre os associados mais capazes, os que inspiravam mais confiança, para receber de dez chefes de dezenas a coleta dos seus associados, e a conveniência de um chefe que reunisse as coletas de dez chefes de centenas, para depositar o total em um centro comum… Com receio de esquecer esse modo de organização, anotei-o imediatamente, e admirou-me diante da facilidade, da sua simplicidade, que ninguém antes de mim tivesse tido essa ideia. Lembro-me também que, faltando-me os termos apropriados, escrevi: dezenários, para designar chefes de dezenas; centenários, para indicar os que receberiam de dez chefes as coletas de cem associados; e milenários, os que, em meu pensamento, iriam receber de dez centenários as coletas de mil associados.” (NAÏDENOFF, Georges. p. 16)*

Seguindo sua intuição e animada pelas cooperadoras e cooperadores, em 3 de maio de 1822 nascia a Obra da Propagação da Fé, com o objetivo de manter o espírito missionário aceso no coração de cada cristão por meio de uma profunda vida de oração, e por meio de uma cooperação material para garantir a ação da Igreja nas terras de missão, favorecendo a evangelização, a vida dos missionários, o bem do povo. Ela deixará registrado em seus escritos: “Das fracas coletas recolhidas nominalmente para a China e Cochinchina, com a finalidade precisa de manter um catequista com a quantia de 180 francos anuais e, com ele, as criancinhas em perigo de morte. Esse resultado era bonito demais para renunciar”. (NAÏDENOFF, Georges. p. 21)*

Este projeto se revelou tão eficaz que no ano de 1922 o Papa Pio XI elevou a Obra da Propagação da Fé à Obra Pontifícia, tomando para si esse empreendimento missionário e o propondo para a Igreja Universal como modelo de cooperação missionária.

Hoje, nos aproximando da celebração dos 200 anos dessa rede de cooperadores e cooperadoras da missão de Jesus, que é a Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF), continuamos a seguir e fazer acontecer a inspiração de Paulina por meio das POM, que dinamiza e promove, além das atividades missionárias, a Campanha Missionária realizada em toda a Igreja em favor das missões no mundo inteiro.

Tal coleta forma o fundo mundial de solidariedade para a evangelização dos povos e garante a sustentação e manutenção de dioceses, vicariatos apostólicos e prelazias no mundo inteiro, bem como, a abertura e manutenção de seminários, financiamentos de obras sociais e assistência aos missionários em todo o mundo.

Portanto, é interessante também, neste ano do laicato, redescobrir Paulina Jaricot que, não deixando sua condição de leiga, assumiu sua vocação missionária e criou essa rede de cooperação missionária que até os nossos dias segue fazendo o bem à vida da Igreja Universal. Ela nos confessa: “O desejo imenso de amar, a sede devoradora de possuir a meu Deus, fazia-me também desejar trabalhar para a sua glória. Queria contribuir para a glória da Igreja. E nunca senti atração pela vida religiosa. Ia assistir às cerimônias de vestição de hábito: uma força irresistível arrastava-me com alegria para fora de seu santo abrigo e parecia-me gritar, para meu desagrado: não é aqui que você se deve consagrar a Jesus Cristo”. (NAÏDENOFF, Georges. p. 28)*

Paulina morreu em 9 de janeiro de 1862, falida e pobre. Que ela continue nos inspirando e nos ajudando a nos tornar, cada vez mais, uma Igreja Missionária, fazendo-nos compreender que não importa onde estivermos ou qual o estado de vida que assumamos na Igreja, a missão é nossa essência e por isso não podemos nos esquivar de colaborar com ela, tanto espiritual quanto materialmente até o comprometimento de toda a vida.

* NAÏDENOFF, Georges. Paulina Jaricot, Fundadora da Obra Missionária Pontifícia da Propagação da Fé. Série Fundadores. Pontifícias Obras Missionárias, Brasília, 2009.

 

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Relacionados

slot online situs slot gacor slot online slot gacor slot gacor situs judi slot gacor situs judi slot online situs judi toto slot gacor slot gacor judi slot slot online slot online judi slot slot gacor situs slot slot gacor 2022 slot gacor slot gacor slot gacor slot gacor slot gacor slot gacor situs slot gacor slot gacor https://cedu.uninorte.edu.co/wp-includes/ https://web.ics.purdue.edu/~asub/wp-includes http://blog.iconect.pctguama.org.br/ https://votoinformado.unam.mx/wp-includes https://epay.guaynabocity.gov.pr/epay/wp-includes https://reclamos.sistemasmlh.gob.ar/css/ slot pulsa slot deposit pulsa http://statconfig.sci.unhas.ac.id/assets/nexus-slot http://icob.sci.unhas.ac.id/nexus-slot/ https://www.aris.sc.gov.br/frontend/web/images/ https://aptta.org.ar/wp-includes/ https://icvb.org.tr/wp-includes https://filba.org.ar/images/ https://apps.santaisabel.sp.gov.br/ https://santaisabel.sp.gov.br/esd/ https://tzg.ttf.unizg.hr/wp-includes/ https://iif.edu/images https://mannaandbaby.or.jp/wp-content/uploads/slot-gacor/ toto slot gacor toto slot gacor toto slot gacor toto slot gacor toto slot gacor

Link partner: 77lucks dewagg liveslot168 hoki99 luck365 qqmacan kingceme agen338 maxwin138 javaplay88 slot5000 idngg vegas88 gen777 mild88 kaisar888 gem188 ligaplay88 laskar138 slotsgg toto togel toto slot bet88 infini88 pg slot idn poker sbobet judi bola slot88 warungtoto pokerseri vegas77 vegasslot77