Pe. Maurício Jardim tem mandato renovado para a direção nacional das POM

A Congregação para a Evangelização dos Povos, dicastério da Cúria Romana, reconduziu Pe. Maurício da Silva Jardim, 51 anos, do clero da Arquidiocese de Porto Alegre (RS), como diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM) no Brasil, para os próximos cinco anos (2021-2026). Nesta entrevista, Pe. Maurício fala sobre as expectativas para os próximos 5 anos e também as experiências que marcaram sua caminhada até este momento.

POM: Padre Maurício, como recebeu a notícia da sua recondução como diretor das POM no Brasil para os próximos cinco anos (2021-2026)?
Pe. Maurício: O processo de escolha para o diretor das POM segue algumas etapas. A Congregação para a Evangelização dos Povos e o presidente internacional das POM em Roma solicita à presidência da CNBB, através da nunciatura apostólica, uma terna com nomes e currículos dos possíveis candidatos(as). Depois do envio da lista tríplice, a Congregação envia o Decreto de nomeação à nunciatura, que transmite à presidência da CNBB e à autoridade responsável do candidato. Recebi a comunicação na última sexta-feira, dia 26, através de Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, e do presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, Dom Odelir José Magri.

POM: Quais as suas expectativas para dar continuidade à missão na direção das POM?
Pe. Maurício: Há cinco anos, quando dava o sim para a direção das POM, o sentimento era diferente. Não imaginava a dimensão deste serviço nacional, mas sabia que era necessário mudar de estado e de função. Hoje mais consciente e realista, estou ciente dos desafios para os próximos anos, destaco três:
1. Tornar às POM mais conhecida. Segundo o Papa Francisco, as POM ainda são pouco conhecidas, e por isso precisamos continuar neste caminho de estar à serviço das Igrejas locais, através das Obras: Propagação da Fé, com atividades junto às Famílias Missionárias, Juventude Missionária e Idosos e Enfermos Missionários; Infância e Adolescência Missionária (IAM) e Pontifícia União Missionária que atuam diretamente na formação missionária de todo o povo de Deus, com destaque à formação inicial e permanente do clero e da vida consagrada. Neste sentido das POM de se tornar mais conhecida, como obras missionárias do Papa, alguns passos já foram dados, mas necessitam ser ampliados.
2. A renovação das POM. Estando presente em 130 países, as POM vivem um processo de renovação, tendo como objetivo voltar às fontes do seu carisma fundacional, iniciado com a leiga Pauline Jaricot. Dentro deste caminho de renovação, em 2022 iremos celebrar três importantes aniversários. Quatrocentos anos de criação da “Propaganda Fidei” (1622) hoje Congregação para a Evangelização dos Povos; duzentos anos de nascimento da Obra da Propagação da Fé com Pauline Jaricot (1822) e cem anos que o Papa Pio XI fez a elevação das três primeiras obras ao caráter pontifício (1922). Será um tempo oportuno de aprofundar a natureza e o carisma das POM; rever suas estruturas atuais e ações necessárias de renovação.
3. O caminho sinodal. As POM caminham junto e em comunhão com a Igreja do Brasil, através do Conselho Missionário Nacional (COMINA); dos Conselhos Missionários nos regionais, COMIREs e nas dioceses através dos COMIDIs. Juntos, estamos na fase de implantação do Programa Missionário Nacional (PMN) com suas quatro prioridades: Formação, Animação Missionária, Missão Ad Gentes e Compromisso profético social. O Programa está em sua fase de implementação acolhendo as contribuições dos quatro grupos de trabalho. O PMN, embora aprovado para quatro anos (2019-2023), com suas prioridades, projetos e ações, dará norte no caminho missionário para todas as forças vivas da Igreja do Brasil.

POM: Como as POM pode contribuir para despertar em medida maior a consciência da Missão Ad Gentes?
Pe. Maurício: As POM são uma rede mundial de oração e solidariedade que apoia o Papa no seu compromisso missionário com todas as Igrejas Particulares, esta é a sua identidade. Existem para “promover o espírito missionário universal em todo povo de Deus”, CM,5), este é seu objetivo. Neste sentido, creio que no Brasil crescemos na consciência missionária, sobretudo no âmbito da pastoral ordinária, precisando dar muitos passos no compromisso missionário além-fronteiras, no âmbito da cooperação Ad Gentes. Temos apensas três regionais da CNBB como projeto Ad Gentes que enviam missionários para Moçambique e Guiné Bissau, através dos regionais Sul I, Sul II e Sul III. Outro projeto, assumido pelos bispos desde 1972, é o projeto Igrejas Irmãs, onde cada diocese dá de sua pobreza para cooperar na missão além-fronteiras. Destaco também a importância da Campanha Missionária, que no mês de outubro recorda à Igreja sua natureza missionária, tendo o compromisso concreto de intensificar a oração e a ajuda material às Igrejas mais necessitadas do mundo.

POM: Nestes cinco anos na direção das POM, qual experiência destaca?
Pe. Maurício: Além do serviço administrativo e burocrático da função de diretor, foram muitas surpresas e experiências significativas nos últimos cinco anos. Torna-se difícil destacar um fato. Sempre me marcaram as visitas e formações missionárias aos regionais e arqui (dioceses) do país, como também as visitas em outros países, onde estão as missionárias e os missionários brasileiros. Recordo a visita ao Haiti, Moçambique, Bolívia, México, Filipinas e Índia. Foram ocasiões para experimentar a beleza da missão ad gentes e a proximidade com as pessoas. Os encontros anuais com o Papa Francisco na Assembleia Geral das POM e a participação no sínodo para Amazônia foram também momentos marcantes. Ter a oportunidade da proximidade com o Papa, ouvi-lo, saudá-lo e dialogar com ele foi surpreendente e animador. Estar neste serviço é uma graça que amplia a compreensão do ser Igreja e os horizontes da missão que não se esgota em atividades, mas toca nosso ser em todas as suas dimensões, pois a missão é permanente e não se reduz a uma dimensão ou em atividades. “A Igreja é missionária por sua própria natureza” (AG,2).
Agradeço a oração e apoio de todas as pessoas que encontrei ao longo destes cinco anos e peço que continuem rezando por mim e caminhando junto no próximo quinquênio. Que a força do evento Pascal, donde brota toda vitalidade e paixão missionária nos contagie para sermos “testemunhas até os confins do mundo” (At 1,8).

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