Paz e esperança à Síria

Na fúria dos combates que abalam a Síria desde 2011, com uma média de 400 mil vítimas, com grande dificuldade, os cristãos locais conseguem encontrar paz e esperança. Especialmente à luz dos acontecimentos recentes, com a possível queda da parte oriental de Aleppo, ou a tentativa das partes em conflito em encontrar um acordo estratégico.

O padre sírio, bem como prior do mosteiro de Mar Elian, Jacques Mourad, que foi sequestrado em maio de 2015 pelo ISIS, na Síria, e que mais tarde conseguiu libertar-se, concedeu entrevista à Rádio Vaticano sobre os acontecimentos que atingem o país: “Nós, como cristãos na Síria, seguindo a mensagem da Igreja e do Vaticano, lembramos que ao longo do caminho da violência, precisamos de um pouco de misericórdia para os civis, que não têm nada a ver com esta batalha, que é realmente terrível. É terrível que todas essas pessoas morram por causa desta guerra. O apelo que faço é que sejam encontrados meios mais pacíficos, que falem para o coração, porque não se pode continuar assim: as pessoas estão morrendo todos os dias”.

RV – O conselho de segurança da ONU se pronunciará sobre novo projeto de resolução que pede uma trégua nas hostilidades de pelo menos sete dias e um corredor humanitário para atingir a população sitiada. O que você pensa sobre isso, padre?

JM – Certamente a única solução hoje é sermos realistas. A solução por parte da ONU para salvar as pessoas é a esperança sobre a situação em Aleppo. Que sejamos positivos e escutemos este apelo, porque tudo que queremos é salvar a vida destas pessoas, é salvar a vida das crianças e das mulheres, de todos os civis que não tem nada a ver com este conflito.

RV – Todos concordamos que está faltando é o diálogo e que a diplomacia é a única saída. Padre, o drama desta guerra tem abalado todas as pessoas. Quando você ouve falar em diálogo, consegue encontrar espaço para a esperança?

JM – O diálogo é o único instrumento, o único caminho para encontrarmos soluções a todas essas questões políticas, todas as guerras e problemas entre os países. Mas, para dialogarmos, precisamos de uma certa serenidade, de franqueza e justiça. O diálogo não traz resultado nenhum se não é baseado na justiça, sobre a disponibilidade humana e espiritual.

RV – Todavia, o eixo Moscou-Damasco-Teerã pode conquistar a cidade de Aleppo, mas o preço pode ser alto, sobretudo para a população civil. Há, portanto, a possibilidade de nesse meio tempo, Aleppo torna-se ainda mais um grande cemitério?

JM – Se continuarem os bombardeios e se os rebeldes continuarem a combater os soldados do governo, certamente haverá ainda mais mortos, ainda mais vítimas em Aleppo!

RV – A eleição de Trump, segundo ele, pode empurrar Moscou a negociar com os rebeldes sírios para encontrar um acordo com os EUA antes que o novo presidente entre na Casa Branca, de modo a negociar, em seguida, aqueles que são os principais interesses da Rússia?

JM – Esperamos que esta troca diplomática entre os dois países traga um acordo sobre a questão da guerra na Síria. Realmente espero que sim! Provavelmente haverá providências, para ambos os lados para orientá-los na busca de um acordo.

Fonte: Rádio Vaticano

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