Por Pe. Sávio Corinaldesi, sx
Na cidade de Parma, no norte da Itália, no “Quarto Andar” da Casa Mãe dos Missionários Xaverianos, funciona uma espécie de hospital, um setor adaptado para acolher os missionários idosos e doentes que precisam de atenção especial.
O Centro que os Xaverianos chamam afetuosamente de “Quarto Andar” tem duas dúzias de vagas para os missionários xaverianos doentes, que voltam para Itália dos vários países onde a congregação tem missões. Nele os missionários vivem uma intensa vida comunitária que leva em conta os limites de cada um, mas não permite que ninguém se sinta esquecido ou excluído.
É uma vida que inclui momentos de oração comum (Laudes, Eucaristia, Rosário), encontros diários sobre diversos temas, fisioterapia e terapia ocupacional sob a orientação de técnicos leigos. Ainda há muito tempo para atividades pessoais.
Alguns Xaverianos mais jovens e com saúde doam parte de suas vidas para ajudar os missionários enfermos e idosos. São esses missionários que planejam as atividades e ajudam a realizá-las. A execução das tarefas domésticas – enfermagem, alimentação, limpeza, serviços gerais – é confiada a funcionários contratados.
Colabora também um grupo de voluntários, dedicando algumas horas do tempo ao que for necessário para tornar o dia a dia dos doentes mais agradável. Entre os voluntários estão os estudantes da teologia e outros missionários que moram na mesma casa nos andares inferiores do prédio. Eles ajudam a empurrar a cadeira de rodas de um paciente, alimentar os doentes ou apenas conversar e desejar um bom dia.
Para o atendimento médico especializado, se usam os serviços públicos de saúde da cidade. A medicação, o acompanhamento diário e a supervisão são de responsabilidade da equipe médica interna.
Os missionários doentes aprendem a viver esta nova fase da vida, com as limitações impostas pela doença e pela velhice. Com uma certeza: na vida missionária é possível ser útil mesmo estando doente, idoso ou limitado fisicamente. Basta recordar o que Jesus disse a São Pedro: «Quando eras jovem, vestiste-te e ia para onde querias; mas quando envelheceres estenderás a mão e os outros te vestirão e te levarão aonde não queres» (Jo 21,18).
Como em todas as partes do planeta, também no “Quarto Andar” a pandemia atingiu com extrema violência, levando quase vinte missionários e obrigando a uma reestruturação da organização interna. Mesmo a solidariedade da cidade, que sempre foi rica em iniciativas e gestos, teve que reduzir suas manifestações, obedecendo às normas legais e às exigências da prudência.
O sonho ideal do missionário é a morte em terra de missão. Mas nem sempre é assim. Com a deterioração da saúde ou outros motivos, muitos missionários acabam se tornando um fardo para sua comunidade. Eles resistem por muito tempo, mas no final devem desistir. Eles sabem que a Congregação – no caso dos Missionários Xaverianos – tem um lar para missionários idosos e/ou enfermos. E assim, um dia chegam na Itália e entram no “Quarto Andar” da Casa Mãe em Parma, sendo acolhidos por cerca de trinta colegas idosos e doentes, confiados aos cuidados de uma equipe especializada.
Se trata de missionários que doaram suas vidas às margens dos rios da Amazônia, entre os pobres das periferias das grandes cidades do Terceiro Mundo. Agora, já velhos e com a saúde debilitada, terão que “fazer missão” dentro das quatro paredes de um edifício que há sessenta anos os acolheu como jovens estudantes. Eles sabiam, e hoje sabem ainda melhor, que a utilidade de uma pessoa para a obra missionária não depende do seu estado de saúde. Recordam as palavras de um bispo (italiano), que gostava de repetir: “Não é a geografia que faz o missionário”. Mas a amargura da distância de “seu povo” não pode ser apagada com boas intenções.
Infelizmente, a chegada da pandemia, ao impor um rigor imprevisto ao isolamento, pesou sobre a situação dos moradores do “Quarto Andar”, que aceitaram a realidade, tendo diante dos olhos as condições de vida de quem não tem casa, comida ou assistência médica.
4 respostas
Eles merecem. Uma vida dedicada aos seus irmaos
Carissimo Pe. Savio, Obrigada, Grazie, Thank you.. inventaram palavras tao pequenas para dizer um sentimento assim grande…
Eu conheci a Infancia Missionaria partecipando dos encontros de formacao realizados na no centro do PIME proximo a cidade di Londrina, em um desses encontros tive a graca de conhecer o senhor pe. Savio… e ja que fogo se acende com fogo …. o seu entusiasmo missionario, contagiou todos nos. E ainda hoje 20 anos depois daquele encontro… continuo trabalhando na infancia missionaria, atualmente me encontro na Thailandia onde o numero de cristaos nao chega a 1 % . Como a missao de voces nao tem aposentadoria, mas continua seja onde quer que nos encontramos. Gostaria de fazer um pedido ao senhor e a sua comunidade do 4 andar rezem pela infancia missionaria da diocese di Chiang Rai (nord da Thailandia) que esta so comecando.
Obrigada
Um forte Abraco
Bete
Posso lhe dizer que vi a MINHA história lendo a SUA. A missão é para mim o ar. E conheci também através de formações em encontros. E em um desses, tive o prazer de conhecer o Pe. Sávio, em Campo Grande MS . Nesse encontro ele fundamentou a missão com a passagem bíblica de Moisés e de Jeremias, chorei muito, pois me vi neles, e no momento do meu deserto pessoal, fiz a escolha da vida em missao. Agora estou retomando com os grupos da IAM em minha Comunidade.
A missão é AMOR, ENTREGA E DESAFIO’s Inúmeros, e para muitos, após muitos anos, uma vida inteira dedicados à Vida Missionária Ad Gentes, após terem se adaptados à terra de missão, estes homens e mulheres precisam voltar para sua terra natal. Uma mudança radical, numa idade na qual já não é tão simples, e precisam readaptar-se a costumes, alimentos e pessoas que não fazem parte do seu dia-a-dia. Admiro e agradeço estes missionários/as, que aceitam o desafio da missão além-fronteiras. Gratidão e orações a todos eles. Gratidão ao Pe. Sávio que tanto contribuiu com as POM, e a Igreja no Brasil.