Missão que nos inspira

Por Ir. Antonia Vania Alves de Sousa*

Um mergulho na mística de Dom Carlos de Forbin-Janson, fundador da Infância e Adolescência Missionária (IAM)

A Infância e Adolescência Missionária (IAM) compõe o conjunto das quatro obras pontifícias denominadas como Pontifícias Obras Missionárias (POM). A Missão da Infância e Adolescência realiza-se com pequenos gestos concretos de amor ao próximo, por meio de atitudes fraternas, em todos os lugares, no lazer, nos estudos, na oração, na contemplação do Rosto de Deus refletido no rosto dos irmãos distantes. Crianças e adolescentes ajudam e evangelizam crianças e adolescentes, caminham com Jesus até o Pai.

E para conhecer um pouco dessa Obra Missionária, precisamos mergulhar na mística do seu fundador, Dom Carlos de Forbin-Janson, e assim, compreender o carisma que impulsiona a IAM até os dias de hoje.

Um coração inflamado de amor
Nasce em Paris aos 3 de novembro de 1785, Carlos Augusto Maria de Forbin-Janson, de uma nobre família do sul da França. Traz consigo o título de conde e, aos cinco anos de idade, prova do exílio, indo com seus pais para a Alemanha em busca de asilo, devido a perseguições sofridas por defenderem a monarquia. Com primorosa educação cristã, sua maior felicidade era ir à Missa, visitar Jesus no Santíssimo Sacramento e ajudar os pobres.

Aos 23 anos largou tudo para ingressar no Seminário de São Sulpício, em Paris. Viu-se chamado ao sacerdócio numa época em que a situação da Igreja na França era, particularmente, muito delicada. O imperador francês estava numa luta aberta com o Papa.

Em 1811, foi ordenado sacerdote. Tinha no apostolado sua grande paixão e conseguia fazer ressoar, de um extremo ao outro da França, a sua voz de grande pregador, conquistando inumeráveis pessoas para Deus. Seu coração e o seu bolso estavam abertos aos pobres, aos quais ele dava até as suas roupas mais necessárias. Em uma carta de sua mãe, escrita ao reitor do seminário, ela dizia: “Envio-lhe, Padre, duas dezenas de camisas para o meu filho; mas peço-lhe que não as entregue todas de uma vez, porque ele não as guardaria senão uma ou duas, e, em seguida, daria todas as restantes aos pobres”. Nota-se aí o grande amor que habita num coração doado e totalmente desprendido.

Uma inspiração que vai além das fronteiras
“A solidariedade manifesta-se concretamente no serviço, que pode assumir formas muito variadas de cuidar dos outros” (FT 115).

Em 1817, Carlos de Fobin-Janson, foi enviado em Missão à Síria. Esteve na Turquia, visitou Nazaré, e chegou a Jerusalém. Em 1819, voltou à França, onde continuou seu trabalho missionário.

Logo, Dom Carlos teve a ideia de iniciar uma atividade em que as crianças seriam as protagonistas. É nesse período que demonstra sua preocupação com as milhares de crianças chinesas que sofriam inocentemente, querendo “salvar-lhes a vida do corpo e encaminhá-las para a glória do céu”. Então, no ano de 1843, encontrou-se em Lyon com Paulina Jaricot (fundadora da Obra de Propagação da Fé), a qual o apoiou plenamente no projeto de ajuda às crianças do mundo inteiro, com o lema: “criança ajuda e evangeliza criança”.

O projeto cresceu e, aos 19 de maio de 1843, a primeira Direção da Obra fixou os seguintes objetivos: salvar as crianças da morte e da miséria; batizá-las e dar-lhes educação cristã; prepará-las para serem apóstolas das crianças: criança ajuda e evangeliza criança. As crianças, pela oração de uma Ave Maria por dia e uma moedinha ao mês, auxiliavam e sustentavam as missões na China, e assim colaboravam com a missão que é de Deus.

Esse mesmo amor que inflamou um dia o coração de Dom Carlos segue a inspirar. De um coração cheio de amor por Jesus que nasceu a Obra da Infância e Adolescência Missionária, um fundamento que continua a tornar Jesus Cristo conhecido e amado, com a ajuda de crianças e adolescentes espalhados por todo o país.

* Secretária Nacional da IAM

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Comentários

Uma resposta

  1. Mas não foi através de cartas enviada à Dom Carlos pelos missionários (seus amigos), que estavam na China, informando sobre os maus tratos as crianças (mortes sem batismo, fome, etc), que ele chama sua amiga Paulina de Jericot e a mesma tem a idéia de pedir ajuda as crianças, pois os adultos não tinham tempo, como nos dias de hoje. Enfim, os adultos são resistentes. Foi onde sugiu a idéia , de uma Ave Maria e a moeda do cofrinho?

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