Experiência missionária ad gentes em Mianmar

Por Pe. José Estêvão Magro*

Com a maioria da população vivendo seu contexto de fé da Religião Budista, a experiência missionária ad gentes é um mergulho na realidade local.

Como sabemos, a missão nasce no coração, mas precisa ser expressa com gestos concretos, junto a um povo, a uma comunidade. Alguns encontram a comunidade dentro de casa, outros no próprio quarteirão e, ainda, há quem expresse esse sentido indo longe, para diferentes países e continentes. O importante é ter o coração conduzido pelo mesmo desejo de servir a Cristo nos irmãos. Comigo foi assim, só precisei viajar um pouco! Logo após a Celebração de Envio, realizada no dia 16 de fevereiro de 2020, na Catedral de Caratinga/MG, iniciei minha aventura missionária rumo ao Sudeste da Ásia, mais especificamente, rumo ao Mianmar.

Na história desse país consta, em 1868, a chegada dos primeiros missionários que formaram a Comunidade do PIME, dedicada ao anúncio do Evangelho àqueles e àquelas que não tiveram oportunidade de conhecer a Cristo. E isso se realiza de diferentes formas: nos primeiros tempos, pela catequese e formação de comunidades eclesiais; após formada a Igreja Local, com um número crescente de vocações religiosas e sacerdotais, a dedicação prosseguiu por outros diferentes seguimentos, junto à sociedade. Atualmente, por exemplo, por meio da New Humanity International – uma organização não governamental pertencente ao nosso Instituto – realizamos atividades no âmbito da prevenção do consumo de drogas e álcool e reabilitação de pessoas com dependência; é feito o acompanhamento e formação de pessoas com necessidades especiais; atuamos na educação de adolescentes e jovens presentes no centro de detenção para menores; somos ativos no desenvolvimento da agricultura familiar e no acesso à água potável; damos apoio formativo e econômico a iniciativas locais, em escolas infantis e casas para estudantes em vilarejos.

Ao chegar, logo após o meu desembarque em Yangom, onde atualmente moro, iniciei o aprendizado da língua birmanesa. De fato, um dos primeiros passos de um missionário em terra estrangeira é conhecer a língua e a cultura local. Assim, apesar das adversidades (pandemia e Golpe de Estado) que estamos enfrentando, fui incluído em um novo projeto, relacionado à realidade de alguns jovens. Ao vermos que a maioria dos jovens encarcerados eram provenientes de uma área específica da periferia de Yangon, decidimos oferecer, naquela realidade, um espaço de formação qualificada em vista de um futuro melhor, denominado Dayamit Communit College. Além de oferecer aos jovens, entre homens e mulheres, cursos de Informática, Inglês, Contabilidade, Life Skill, Corte e Costura, o ambiente propicia a descoberta das potencialidades de cada um, para que as utilize na realização dos próprios sonhos.

Hoje, vivendo em um contexto ad gentes (89% da população é budista), percebo melhor a importância do trabalho de tantos missionários e missionárias, e também me sinto profundamente grato por tudo que nos é concedido diariamente, e mais ainda por viver essa experiência e a compartilhar com outros irmãos e irmãs.

* PIME

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