Conferência das Igrejas de toda a África: pandemia coloca em risco a promoção da mulher

A pandemia não deve prejudicar a dignidade humana das mulheres, pois elas devem ser sempre “ouvidas e protegidas da violência baseada no gênero”. Daí, o apelo da Conferência das Igrejas de toda a África, que exorta homens e mulheres a trabalharem juntos, lado a lado, para “superar os obstáculos à emancipação feminina”. De fato, somente trabalhando em conjunto será possível superar os preconceitos que ainda existem. Sugerem-se “políticas e leis que protejam as mulheres e promovam sua inclusão na liderança da sociedade”

A pandemia da Covid-19 e a crise socioeconômica resultante anularam muitos passos dados até agora em favor da promoção da mulher e do reconhecimento da importância de seu papel na sociedade: foi a observação feita pela Conferência das Igrejas de toda a África (Aacc, na sigla em inglês, ndr) durante um webinar realizado em 8 de março, por ocasião do “Dia Internacional da Mulher”.

O encontro teve como tema: “Mulheres na liderança: alcançar um futuro de igualdade num mundo de Covid-19”. Os líderes religiosos, governamentais e sociais, foi dito durante o trabalho, devem “inverter o rumo” para remediar os danos causados pela emergência sanitária ao gênero feminino, sobretudo nos países africanos.

Em particular, os participantes do seminário virtual refletiram sobre o “papel da religião para melhorar a plena participação das mulheres na liderança e para a eliminação de todas as formas de violência de gênero no mundo, em tempos de pandemia”.

As mulheres ainda enfrentam “desafios complexos”
Hoje, foi reiterado, as mulheres ainda enfrentam “desafios complexos”, tais como “o escasso poder de decisão e o peso das responsabilidades domésticas”, apesar dos muitos esforços já feitos. Mais uma vez, por causa da emergência sanitária, elas foram “relegadas a realizar tarefas domésticas humilhantes e a cuidar de membros idosos e doentes da família”.

“Além disso, as dificuldades econômicas resultantes da pandemia ‘expuseram as garotas a um maior risco de exploração, trabalho infantil e violência baseada no gênero’. Sem mencionar que tantos governos têm desviado muitos de seus recursos de saúde para combater o coronavírus, reduzindo ainda mais o acesso das mulheres aos serviços de saúde.”

A Conferência das Igrejas de toda a África também observou “com preocupação” que as mulheres não estão “suficientemente integradas nos espaços de tomada de decisões” sobre gestão de crises, apesar de estarem “na linha de frente como profissionais de saúde, mães ou chefes de família”.

Participação feminina nas decisões sobre gestão de crises
No Senegal, por exemplo, “apenas 5 dos 30 membros do Comitê de Monitoramento da Covid-19 são mulheres”. Daí, a exortação a fim de que “governos e líderes religiosos tomem as medidas necessárias, por exemplo, estabelecendo quotas específicas, para assegurar que as mulheres estejam bem representadas e participem eficazmente das decisões sobre gestão de crises”.

Mas o problema é principalmente cultural: o webinar destacou, de fato, que “mesmo quando as mulheres têm oportunidades de emprego, normas e tradições sociais e patriarcais ditam que elas coloquem suas carreiras em segundo plano, priorizando o trabalho como donas de casa”.

E muitas vezes isso é feito baseando-se, erroneamente, em certos textos bíblicos que retratam a mulher como subordinada ao homem. Aqueles que citam tais referências, contudo, esquecem que “existem também fundamentos bíblicos para a igualdade de gênero”, para que “as mulheres possam fazer uso, tanto em espaços públicos quanto privados, de seu potencial dado por Deus”. Ao contrário, a desigualdade de gênero impede isso, “também acelerando os atos de violência contra as mulheres”.

Trabalhar juntos para superar preconceitos que ainda existem
Para combater este fenômeno, a Conferência das Igrejas de toda a África sugeriu, portanto, que os líderes religiosos, culturais e governamentais “implementem políticas e leis que protejam as mulheres e promovam sua inclusão na liderança da sociedade, para que sejam consideradas iguais e sua contribuição seja reconhecida para o bem de todos”.

A pandemia não deve prejudicar a dignidade humana das mulheres, reiterou-se, pois elas devem ser sempre “ouvidas e protegidas da violência baseada no gênero”. Daí, o apelo lançado pelo secretário geral da Conferência das Igrejas de toda a África, o luterano Fidon Mwombeki, que exortou homens e mulheres a trabalharem juntos, lado a lado, para “superar os obstáculos à emancipação feminina”. De fato, somente trabalhando em conjunto será possível superar os preconceitos que ainda existem.

Fundada em Campala, Uganda, em 1963, a Conferência das Igrejas de toda a África é uma associação ecumênica que hoje conta 173 Igrejas membros presentes em 40 países africanos, representando mais de 120 milhões de cristãos no continente. Sua sede está localizada em Nairóbi, no Quênia.

Fonte: Vatican News

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