A vida é missão em tempos de pandemia

Por Pe. Maurício das Silva Jardim

A celebração para o Dia Mundial das Missões foi confirmada pelo Papa Francisco, pela Congregação para Evangelização dos Povos e pela direção internacional das Pontifícias Obras Missionárias em Roma.

No Brasil, o mês missionário é celebrado em outubro desde 1972, em que se produzem materiais a partir de um tema e lema para ajudar na reflexão e animação do mês. Quando, em dezembro de 2019, estávamos definindo o tema e o lema da Campanha Missionária para este 2020, nem imaginávamos que iríamos enfrentar a tempestade da pandemia do Coronavírus, que mudou nosso ritmo de vida e nos convidou ao recuo criativo para seguirmos com as atividades pastorais. Embora surpreendidos pela pandemia, mantivemos o envio dos materiais para as Igrejas locais, para serem utilizados de forma nova e criativa, conforme a realidade e as limitações possibilitarem.

O tema escolhido “A vida é missão” oferece a todos nós um norte inspirador para os momentos de fragilidade, isolamento, dor e instabilidade. A pandemia que perdura em nosso país nos interpela a um novo normal missionário, marcado pelo testemunho de vida que não se reduz a atividades, mas nos interpela ao que é essencial à vida.

Em tempos de isolamento social, o papa Francisco nos convida a interpretar o que Deus está nos dizendo: “A impossibilidade de nos reunirmos como Igreja para celebrar a Eucaristia nos fez compartilhar a condição de muitas comunidades cristãs que não podem celebrar a Missa todos os domingos. Nesse contexto, é-nos dirigida novamente a pergunta de Deus: ‘Quem enviarei?’ – e aguarda, de nós, uma resposta generosa e convicta: ‘Eis-me aqui, envia-me’ (Is 6, 8). Deus continua a procurar a quem enviar ao mundo e aos povos para testemunhar seu amor, sua salvação do pecado e da morte, sua libertação do mal (cf. Mt 9,35-38; Lc 10,1-11)”.

Diante da impossibilidade de encontros presenciais, os Conselhos Missionários Diocesanos, em sintonia com as orientações das Igrejas locais, são convidados a animar esta edição da Campanha Missionária adaptados ao novo normal, no qual “muitas portas foram fechadas e novas janelas se abriram” conforme afirmou o cardeal Tagle no encontro virtual com os diretores das POM.

O livro “Comunhão e esperança”, organizado pelo cardeal Walter Kasper, tem o prefácio escrito pelo Papa Francisco que destaca a dramática situação de vulnerabilidade em que vivemos:

“Esta crise é um sinal de alarme para refletir sobre onde se apoiam as raízes mais profundas que nos sustentam na tempestade. Lembra que esquecemos e ignoramos algumas coisas importantes da vida e nos faz refletir sobre o que é realmente importante e necessário e o que é menos importante ou o seja só na aparência. É um momento de provação e escolha para que possamos dirigir nossas vidas a Deus, que é nosso apoio e nossa meta, de uma maneira renovada. Esta crise nos mostrou que, precisamente em situações de emergência, dependemos da solidariedade dos outros e nos convida a colocar nossas vidas ao serviço dos outros de uma nova maneira. Ela deve nos fazer agir contra a injustiça global para que possamos despertar e ouvir o grito dos pobres e do nosso planeta tão gravemente doente”.

A missão não para, mesmo em tempos de pandemia, é permanente. É tempo de acentuarmos nosso ser missionário que não se esgota nas atividades ou parte de nossas vidas. Desejamos que os materiais enviados às dioceses contribuam para a animação e cooperação missionária. Contamos com o apoio dos párocos e Conselhos Missionários para que o material possa chegar a todas as comunidades e famílias.

* Diretor Nacional das POM

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