2022: Ano Jubilar Missionário

Por Pe. Maurício Jardim*

Missão que se faz sem fronteiras para alcançar a todas as pessoas, em todas as nações

Com o tema “A Igreja em estado permanente de missão” e o lema: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8), 2022 será um ano jubilar missionário. Um tempo celebrativo para fazermos memória da caminhada missionária no âmbito internacional e nacional, propício para projetar “a ação missionária como paradigma de toda obra da Igreja” (Evangelii Gaudium, 15).

No âmbito nacional, os motivos jubilares são: 50 anos de criação do Conselho Missionário Nacional (COMINA); 50 anos das Campanhas Missionárias; 50 anos dos Projetos Igrejas Irmãs; 50 anos do Conselho Missionário Indigenista (CIMI); 50 anos do Documento de Santarém; 60 anos do Centro Cultural Missionário (CCM); 70 anos da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Já no âmbito internacional, vamos celebrar os 400 anos de criação da Congregação para Evangelização dos Povos e três aniversários das quatro Obras Missionárias: os 200 anos do nascimento da Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF), fundada em 1822 pela venerável Paulina Jaricot; o centenário do motu próprio Romanorum Pontificum do Papa Pio XI, pelo qual, em 1922, o santo Padre designou três das quatro Obras Missionárias como Pontifícias; e os 150 anos do nascimento do beato Paolo Manna, PIME, fundador da Pontifícia União Missionária (PUM).

O logotipo que traz a identidade visual do Ano Jubilar Missionário compõe alguns elementos que expressam a intencionalidade dos jubileus celebrativos: o globo, o mapa do Brasil, a cruz missionária, o ano 2022, as cores dos cinco continentes e a cor dourada que remete ao jubileu. O conjunto da arte está em movimento, expressando o dinamismo missionário que brota da Trindade, ou seja, a missão é uma só, ela é de Deus (Missio Dei) e nasce do ‘amor fontal do Pai’ (AG 2), que se expande, se comunica, sai de si e transborda sem fronteiras. O amor de Deus é um impulso gratuito, de dentro para fora, e de um jeito de ser que tem como origem e fim a vida divina (Cf. DAp 348). O logo expressa uma grande explosão missionária que, em 1972, marcou um novo impulso para a missão da Igreja do Brasil e que, em 2022, abre-se em medida maior para missão sem fronteiras para alcançar a todas as pessoas, em todas as nações. Dois grandes projetos do Programa Missionário Nacional vão nessa mesma direção, de expandir a consciência missionária orientada a universalidade. Será um tempo oportuno para dar continuidade e fortalecer o projeto Ad Gentes e projeto Igrejas Irmãs da CNBB. A temática “A Igreja em estado permanente de missão” do Ano Jubilar Missionário segue as intuições do documento de Aparecida, que compreende a missão com identidade da Igreja, ou seja, não é algo optativo, uma atividade da Igreja entre outras, mas a sua própria natureza. A Igreja é missão! O lema “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8) segue a escolha do Papa Francisco para a mensagem do Dia Mundial da Missões de 2022.

O Ano Jubilar Missionário será também um tempo oportuno para conhecer iniciativas, projetos e instituições que cooperam com a missão de Deus. Favorável para conhecer melhor a “Congregação para Evangelização dos Povos, organismo central encarregado de dirigir e coordenar a evangelização e a cooperação missionária, atuando por mandato do Romano Pontífice e, num âmbito universal, favorece a unidade entre os responsáveis da cooperação missionária em diferentes situações, e garante que suas atividades se desenvolvam de forma ordenada, a fim de que todos unanimemente disponham suas forças a serviço da edificação da Igreja” (Cooperatio Missionalis,3).

Temos o jubileu do Conselho Missionário Nacional (COMINA), ocasião oportuna para reafirmar a importância e a identidade dos Conselhos Missionários em todos os âmbitos. O COMINA é uma instituição estabelecida pela Santa Sé e constituída pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para articular os organismos e instituições missionárias da Igreja no Brasil e, assim, alcançar maior unidade e eficácia operativa na animação e cooperação missionárias. Tem por finalidade promover a articulação das instituições missionárias atuantes no País, entre si, com as Pontifícias Obras Missionárias (POM) e com a CNBB, além de estudar e apresentar soluções articuladas para as questões missionárias de maior relevância por todo o Brasil (conforme os artigos 1 e 2 do regulamento do COMINA).

As datas comemorativas das Pontifícias Obras Missionárias (POM) são, ainda, oportunidades para torná-las mais conhecidas. As POM têm sua gênese fundacional no Pentecostes do Espírito que, com os seus carismas, faz-nos compreender e realizar as Obras para a Missão Ad Gentes. A fundação acontece a partir de duas cristãs leigas (Pauline Marie Jaricot e Jeanne Bigard), um Bispo (Charles de Forbin-Janson) e um sacerdote (Pe. Paolo Manna). A origem é de um mesmo carisma, compondo uma rede mundial de oração e solidariedade à serviço do Papa e das Igrejas locais. De acordo com o monsenhor Giampietro Dal Toso, presidente internacional das POM: “Duzentos anos de vida e cem anos de qualificação pontifícia significam, antes de tudo, uma enorme contribuição para a missão da Igreja e para a fundação de novas Igrejas”.

Que no Ano Jubilar Missionário “a causa missionária seja a primeira de todas as causas” (Redemptoris Missio, 86). Somos convidados a olhar para o passado com gratidão, para o presente com comprometimento à causa missionária e, para o futuro, com a perspectiva de uma Igreja em estado permanente de missão. Feliz e abençoado Ano Jubilar Missionário de 2022.

* Coordenador das POM na América e Diretor Nacional das POM

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Comentários

Uma resposta

  1. Prezado Padre Maurício, parabéns e nosso agradecimento por todo trabalho em prol da Igreja.
    Percebo muitas vezes o termo missão, missionário está muito limitado à orações, terços etc. O que entendo que procede também. No entanto, quando se levado ao pé da letra a palavra missão é entendida como executar algo em nome de alguém. No nosso caso em nome de Jesus Cristo.
    Questiono: nossa igreja missionária não está muita fixada em momentos de espiritualidades se esquecendo por exemplo da Doutrina Social da Igreja, que é uma missão?
    Como definir “A ação missionária como paradigma de toda obra da Igreja”. na prática, como deve ser esta ação?
    Obrigado

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