Yanomami: livro registra memórias da Missão Catrimani

Yanomami: livro registra memórias da Missão Catrimani

Em suas 144 páginas, a publicação registra memórias da Missão Catrimani onde há mais de 50 anos, os missionários e missionárias da Consolata vivem com o povo Yanomami na floresta amazônica

por Jaime C. Patias *

Acaba de ser publicado no Brasil, o livro “O ENCONTRO – NOHIMAYOU” (Paulinas Editoras, São Paulo, 2017), obra organizada pelo padre e antropólogo Corrado Dalmonego, IMC, e pelo jornalista Paolo Moiola, da revista Missioni Consolata.

Em suas 144 páginas, a publicação registra memórias da Missão Catrimani onde há mais de 50 anos, os missionários e missionárias da Consolata vivem em sintonia com o povo Yanomami (cerca de 33 mil pessoas), indígenas que habitam a floresta amazônica entre o Brasil e a Venezuela.

Capa O ENCONTROO título “O Encontro – Nohimayou” revela de forma precisa o conteúdo do livro. A expressão Nohimayou em yanomae, um dos idiomas da família linguística Yanomami, significa “despertar amizade”. Esse termo retrata de forma precisa a atitude de aproximação dos missionários que sempre procuraram estabelecer relações de amizade (nohimai) com o povo.

Trata-se de testemunhos de missionários e missionárias que em diferentes etapas partilharam suas vidas com o povo Yanomami. A obra se insere no projeto de recuperação da memória histórica das nossas missões no Continente Americano sendo a Missão do Catrimani uma das mais significativas.

A história do Catrimani nos ensina que os povos indígenas assim como qualquer outo povo, devem ser respeitados e compreendidos em suas diferenças. Após muita luta e perdas irreparáveis, esse princípio finalmente foi adotado pela Constituição Brasileira de 1988, no artigo 231 que reconhece aos povos indígenas o direito à sua organização social, línguas, costumes, crenças e tradições. Infelizmente, a Carta Magna do Brasil vem sendo diariamente violada e a sobrevivência dos povos indígenas segue ameaçada por interesses do agronegócio, madeireiros e setores da mineração.

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Ao longo dos anos, a convivência dos Yanomami com os Missionários da Consolata, iniciada em 1965, contribui para o surgimento de um modelo de missão fundado sobre o respeito e o diálogo resultando em ações concretas em defesa da vida, da cultura, do território e da floresta, a Casa Comum. Essa mesma visão é compartilhada pelos Conselho Indigenista Missionário (Cimi) criado em 1972 (dom Roque Paloschi, presidente do Cimi, assinou a introdução do livro). O princípio fundamental deste novo modelo de missão é anunciar a alegria do Evangelho no silêncio e no diálogo gerando laços de amizade e alianças na ótica do bem viver. Os testemunhos vindos do Catrimani nos falam de uma missão conduzida pelo Espírito de Deus vivo e atuante nos missionários e nos povos e culturas. Vale a pena conferir essa excelente obra.

* Padre Jaime C. Patias, IMC, é conselheiro Geral do Instituto Missões Consolata.

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