Testemunho corajoso e verdadeiro a partir do encontro com Jesus

Testemunho corajoso e verdadeiro a partir do encontro com Jesus

Homilia de Dom Odelir José Magri, MCCJ, Bispo diocesano de Chapecó, durante a missa do dia 6 de maio de 2019, na 57ª Assembleia Geral da CNBB em Aparecida.

Meus queridos irmãos no episcopado, administradores diocesanos, presbíteros e diáconos, religiosos/as, romeiros e romeiras aqui presentes no santuário e aqueles que nos acompanham pelos meios de comunicação (TV, rádio e internet).

“A obra que Deus quer é que acrediteis naquele que ele enviou” (Jo 6, 29).

O evangelho de hoje nos mostra que as pessoas necessitam de Jesus e o procuram. Há algo nele que as atrai, mas ainda não sabem exatamente por que o procuram nem para que. Segundo o evangelista João, muitos o fazem porque no dia anterior Jesus distribuiu pra eles pão para saciar a fome.

“Quem tem fome tem pressa”, dizia o sociólogo Betinho. No mesmo sentido poderíamos dizer: quem está sofrendo tem pressa. Quem está desesperado tem pressa. Quem perdeu o emprego tem pressa. Quem está doente tem pressa. Dizia ontem o nosso pregador do retiro, Dom Tolentino: porque as pessoas procuram Deus, procuram o santuário de Aparecida? Na verdade, procuram uma mãe, procuram um pai, uma referência, uma ajuda, uma luz…

Portanto, a fome do pão material, o sofrimento, o desespero, é a ocasião, a oportunidade, o ponto de partida para saciar uma fome maior, que é a fome de sentido para a nossa vida, é a fome de Deus.

O pão material é muito importante. O próprio Jesus ensinou a pedi-lo a Deus “o pão nosso de cada dia” para todos. Mas o ser humano necessita de algo mais. Jesus quer oferecer um alimento que possa saciar para sempre a fome de vida. “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará” (Jo 6, 27).

As pessoas intuem que Jesus quer abrir-lhes um horizonte novo, querem trabalhar no que Deus quer, porém não sabem o que fazer, nem por onde começar. Por isso a interrogação: “Que obras devemos fazer para realizar as obras de Deus” (Jo 6,28).

A resposta de Jesus toca o coração do cristianismo: “a obra (no singular) que Deus quer é esta: que acrediteis naquele que ele enviou”. Deus só quer que creiam em Jesus Cristo, pois é o grande dom que Ele enviou ao mundo. Esta é a nova exigência. Nisto devem trabalhar. Na verdade, as obras manifestam a fé que existe antes que as obras sejam feitas.

A identidade cristã está em aprender a viver um estilo de vida que nasce da relação viva e confiante com Jesus, o Cristo. Eis o segredo dos prodígios e do testemunho (sinais entre o povo) de Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, conduzido ao Sinédrio e acusado por falsas testemunhas. “Não conseguiram resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava” (At 6,29).

Necessitamos hoje, portanto de cristãos com o calibre de Estevão, de homens e mulheres cheios de fé e do Espírito Santo, capazes de um testemunho corajoso e verdadeiro a partir do encontro com Jesus.

A missão é uma só e nasce do ´amor fontal´ no coração da Trindade. Deus é uma fonte inesgotável de amor que se irradia e transborda em todo universo, alcançando cada um de nós pela sua graça misericordiosa. Pelo batismo, somos inseridos nessa dinâmica de amor e ao longo do caminho nos encontramos com Jesus Cristo que dá um novo horizonte à vida. “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou” (Jo 6, 29), expresso na Palavra de Deus de hoje. Desse modo, somos cooperadores desta única missão de Deus, fonte de amor que envia.

Com esta Eucaristia queremos recordar a natureza missionária da Igreja e destacar a importância do Mês Missionário Extraordinário (MME) em outubro de 2019, convocado pelo Papa Francisco para reavivar a consciência batismal do Povo de Deus, traduzida no tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”.

“Despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral” é o objetivo deste mês que está em sintonia com a solicitude pastoral do Papa Bento XV em Maximum Illud (ocasião de seu centenário) e a vitalidade missionária expressada pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “A ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja” (EG 15).

Trata-se de “pôr a missão de Jesus no coração da Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia de suas estruturas, os resultados de seu trabalho, a fecundidade de seus ministros e a alegria que eles são capazes de suscitar. Porque sem alegria não se atrai ninguém” (Reunião do Comitê diretivo do CELAM, Bogotá, 7 de setembro de 2017).

O grupo de trabalho nomeado pela presidência da CNBB apresentou propostas para as Comissões Episcopais Pastorais e organismos de comunhão e participação. Assim, o projeto para o Mês Missionário Extraordinário convocado pelo papa terá grande relevância eclesial para todos os sujeitos da missão: as Igrejas particulares, os Institutos de vida consagrada e Sociedades de vida apostólica, assim como, associações, pastorais, movimentos, comunidades e outras realidades eclesiais.

A ideia central neste processo de preparação para este mês especial é inserir dentro da programação ordinária e habitual das Igrejas locais, a temática e o espírito do mês missionário, visando a conversão pastoral missionária. Será uma ocasião para fortalecer os conselhos missionários na paróquia, na diocese e nos regionais, como também dar um novo impulso aos projetos missionários das Igrejas irmãs e além-fronteiras. A feliz coincidência com o sínodo Pan-Amazônico será também ocasião para responder aos grandes desafios pastorais e sociais da missão na Amazônia.

Cada bispo referencial da Comissão para a ação missionária em nossos regionais irá receber no final desta santa missa um kit (uma réplica da cruz missionária do 5º Congresso Missionário Americano, bandeira com a logo internacional do MME e uma cópia do guia). Este material será também distribuído para cada uma de nossas Arqui/dioceses e prelazias.

O aspecto extraordinário deste mês está na convocação feita pelo Papa para todas as Igrejas Particulares do mundo. No Brasil, desde 1972 é organizada a Campanha Missionária no mês de outubro para reavivar nossa identidade missionária com abertura a missio ad gentes. As Pontifícias Obras Missionárias no Brasil preparam e enviam para todas as Igrejas particulares: a novena missionária, o cartaz, a oração missionária, o envelope para coleta e os vídeos com testemunhos missionários que neste ano serão veiculados em toda rede católica de rádio e TV.

Que todas estas motivações nos ajudem a colher com alegria o convite do Papa Francisco a um renovado empenho missionário. Que o nosso esforço para encaminhar, viver e celebrar este mês especial, nos fortaleça ainda mais na convicção que “a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece!” (Redemptoris missio, 2).

Que a Mãe Aparecida nos ajude a assumir o MME como nossa resposta concreta e renovada ao perene convite de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Assim seja!

Dom Odelir José Magri, MCCJ
Bispo diocesano de Chapecó

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