Ano XXXVI – nº 4 – outubro a dezembro de 2008

Especial

“Deus de Deus, Luz da Luz”

“Para que os cristãos, sobretudo nos países de Missão, com concretos gestos de fraternidade, mostrem que o Menino nascido na gruta de Belém é a luminosa Esperança do mundo.”

Intenção Missionária indicada pelo Papa para o mês de dezembro de 2008

Estamos assistindo à perda das raízes cristãs da Europa e dos países de antiga tradição cristã. O conselho municipal da cidade inglesa de Oxford decidiu suprimir a festividade de Natal e substituí-la pela “festividade da luz invernal”. Diante dessa decisão, o Arcebispo, D. Gianfranco Ravasi, afirmou: “Enquanto que, no passado, se combatia a presença dos símbolos religiosos, faziam-no com argumentos, até mesmo com o desejo de se opor a um sistema alternativo, agora, ao contrário, muitas vezes, esse avanço da negação é uma espécie de nuvem negra, de neblina, característica da secularização atual.”

“A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (Jo 1,5). O homem do nosso tempo continua a precisar de luz e esperança. É triste que sejam assumidas posições de rejeição à luz, mas, como dizia Santo Agostinho, “a luz, que é amável aos olhos saudáveis, é odiosa aos olhos doentes”.

Diante do fim dos argumentos racionais da verdade, são necessários outros argumentos que possam chegar a todos: a força da caridade. Papa Bento XVI, na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, fala da atividade caritativa da Igreja e faz referência ao testemunho de Tertuliano, destacando como a solicitude dos cristãos para com os necessitados de todo o tipo gerava surpresa nos pagãos (cf. DCE 22).

Diante da muralha que as trevas levantaram diante da luz, os cristãos têm o desafio de apresentar Jesus Cristo aos homens por meio de gestos concretos de solidariedade e de amor, como “a Luz verdadeira que ilumina cada homem” (Jo 1,9).

Para os que ainda não conhecem Cristo, o testemunho da caridade converte-se numa revelação. É certo que a caridade não deve ser praticada com fins de proselitismo, para incorporar novos adeptos a uma religião, mas é também verdade que o amor conquista e arrasta.

O homem foi criado por amor e para o amor. Cada homem experimenta a necessidade de amar e de ser amado, e quando encontra um amor verdadeiro – gratuito, incondicional – descobre nele a verdade, encontra Deus.

O exercício da caridade não pode deixar Deus de lado. Muitas vezes o maior sofrimento do coração humano deve-se à ausência de Deus: “Quem exerce a caridade em nome da Igreja nunca tentará impor aos outros a fé da Igreja. Ele sabe que o amor na sua pureza e na sua gratuidade é o melhor testemunho de Deus, no qual acreditamos e pelo qual somos levados a amar. O cristão sabe quando é hora de falar com Deus e quando é justo se calar diante d’Ele e deixar falar somente o amor. Ele sabe que Deus é amor (cf. 1Jo 4,8) e se faz presente exatamente nos momentos em que nada mais é feito, além de amar.” (DCE 31c).

Quanta beleza traz consigo o Natal! Contemplar o Amor que se fez carne, motiva. N’Ele podemos constatar que o amor de Deus por nós não são só palavras: “Deus, de fato, amou tanto o mundo, a ponto de dar o seu Filho único, para que quem nele crê não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Deus manifesta o seu amor com a entrega, com o dom de si mesmo.

A Igreja deve ser missionária com o testemunho da sua caridade. O amor de Deus entra na história por meio daquele pequeno Menino. Deus deseja que, por meio do testemunho da nossa caridade, nós homens possamos conhecer a esperança, a força do amor que salva.

Enquanto alguns preferem celebrar a “festividade da luz invernal”, há uma só Luz que pode iluminar o coração do homem, dando significado e esperança às questões mais profundas, ao sofrimento e à morte: Jesus Cristo, “Deus de Deus, Luz da Luz”, que manifesta o seu amor na pobreza de Belém.

Agência Fides (Roma)

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