Ano XXXVII – nº 3 – julho a setembro de 2009

Centro Cultural Missionário

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Campanha Missionária 2009

A Campanha Missionária é promovida em todo o mundo pelas Pontifícias Obras Missionárias e realizada todos os anos em outubro, Mês das Missões, culminando no Dia Mun­dial das Missões (18 de outubro, neste ano), sempre no penúltimo domingo daquele mês. Neste dia todo católico é animado a dar a sua oferta material para as Missões. Quiséramos que esta oferta fosse feita mensalmente, durante o ano todo, mas, infelizmente, a consciência missionária da Igreja no Brasil ainda é inexpressiva, apesar de todos os esforços dos nossos pastores. A responsabilidade pelas Missões é de todos os batizados. Ninguém tem o direito de se furtar a esta obrigação: “Anunciar o Evan­gelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim, se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). A esta oferta está associada a formação e vivência da Espi­ritualidade Missioná­ria, por meio de orações e de sacrifícios, como também da entrega pessoal por um determinado período ou “ad vitam” (por toda a vida) às Missões, como serviço à humanidade.

Todo ano crescem as necessidades da Igreja Católica no mundo: constituição de novas dioceses; abertura de novos seminários, devido ao crescimento do número de jovens que acolhem o chamado de Cristo a segui-Lo como sacerdotes; regiões destruídas por guerras ou fenômenos naturais, que devem ser reconstruídas; regiões por longo tempo fechadas à evangelização, e que agora se abrem a ouvir a mensagem de Cristo e da Sua Igreja. É por isto que a cooperação dos católicos de todo o mundo é tão urgente e necessária.

Cerca de 1.100 dioceses de territórios de Missão recebem regularmente ajuda financeira anual das doações dos fiéis. Estas dioceses apresentam à Congregação para a Evangelização dos Povos (Vaticano) pedidos de ajuda, entre outras necessidades, para catequese, evangelização, seminários, trabalhos das comunidades religiosas, meios de comunicação e transporte, construção de capelas, igrejas, orfanatos e escolas. Estas necessidades são providas com as doações arrecadadas todo ano

No Brasil
Anualmente as Pontifícias Obras Missionárias enviam a todas as dioceses do Brasil, para animar o Mês das Missões, vários subsídios: a Mensagem anual do Papa; santinhos com a Oração Missionária anual, folhetos informativos e complementares para as Missas dominicais, cartaz de divulgação; livreto com Celebrações e o envelope para a doação pessoal na Coleta do Dia Mundial das Missões. Além disto, para a animação missionária em geral, são realizadas visitas e participações em encontros pelo Diretor Nacional e Secretários Nacio­nais de cada uma das obras missionárias pontifícias, a saber: Propagação da Fé, Infância Missionária e Adolescência Missionária (ou Santa Infância), São Pedro Apóstolo e União Missionária.

A Coleta
A Coleta feita no Brasil, todo ano, no Dia Mundial das Missões, é destinada ao Fundo Mundial de Solida­riedade Missionária. Com estes recursos são financiados projetos para catequese, evangelização, formação de agentes de pastoral, construção de Igrejas, capelas, seminários, formação de seminaristas e religiosos/as. Boa parte da coleta feita no Brasil retorna ao país para subsidiar cerca de 150 projetos anuais para as nossas dioceses e paróquias, seminários e casas de formação. Nos últimos anos, graças ao crescimento da coleta e generosidade do nosso povo, os recursos financeiros do Dia Mundial das Missões celebrado no Brasil têm ajudado projetos para outros países, dentre os quais, Índia, Ruanda, Angola, Moçam­bique, Gui­né-Bissau, Guiné-Equa­to­rial, República De­mo­­crática do Congo, Mala­vi, Etiópia, Indonésia, Timor Leste, Filipinas e Equador: sinal e gesto concreto de nossa solidariedade universal.

A coleta, fruto da generosidade dos brasileiros, tem crescido cada ano, mas pode ser mais generosa: muito já recebemos, podemos agora “dar de nossa pobreza” (Puebla, 368). Para isto é necessário organizar a Cam­panha e fazer chegar a todos o apelo de solidariedade mundial.

O relatório das coletas é apresentado todos os anos no boletim das POM (SIM) e disponibilizado no seu sítio na rede de computadores: www.pom.org.br. As ofertas mundiais em 2008 alcançaram a cifra de US$ 163.007.478,80. No Brasil arrecadamos R$ 4.035.997,28. É muito pouca a nossa oferta, se considerarmos o número de católicos.

Conclusão
“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que mande operários para a Sua messe.” Estas palavras de Jesus em Lucas 10,1ss continuam válidas. Depois de 2 mil anos, a messe continua grande e, os operários, poucos. Há o clamor insistente de milhares de pessoas que querem conhecer Jesus, mas falta quem O anuncie. A colaboração material de cada cristão católico para as Missões possibilita o envio cada vez maior de missionários “ad gentes”. É indispensável a oração insistente: “Rogate, ergo!”
Nisto consiste o objetivo maior da Campanha Missio­nária do mês de outubro: despertar para a Missão todos os que dormem.

Pe. Vítor Agnaldo de Menezes
Secretário Nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé


D. Sérgio Castriani dá o seu recado
para o Mês das Missões

Pe. Elmo: O senhor, nos últimos anos, como responsável pela Comissão Episcopal para a Ação Missionária da CNBB, tem acompanhado de perto o Mês das Missões. Percebeu maior interesse por parte da Igreja no Brasil, dos bispos e sacerdotes pela Missão?

D. Sérgio: A Missão está na ordem do dia. Basta ver os temas dos retiros, das campanhas, dos meses temáticos, dos congressos, etc. Junto à reflexão e animação missionária, vem o discipulado. Sem dúvida nenhuma, é a Conferência de Aparecida e seu Documento que vem sendo implementados e servindo de inspiração. Mas a consciência missionária, e, consequentemente, a ação missionária desencadeada por Aparecida, inserem-se num movimento missionário mai­or, que veio se fortalecendo nos últimos anos. Sem dúvida contribuíram muito para isto os Congressos Mis­sio­nários Latino-Americanos e Nacionais. Penso que, sobretudo, os de Belo Hori­zonte marcaram história. Hoje se fala muito em Missão, desde as Missões Populares até o envio de missionários para as Missões além fronteiras, passando pela Missão na Amazônia, que, depois da Campanha da Fraternidade a ela dedicada, cresceu e continua crescendo a olhos vistos, tanto em termos de envio de pessoal como de contribuição financeira. Até o Papa sensibilizou-se com a causa da Amazônia. Vejo com muito otimismo este crescimento, que não é fruto de atos isolados das POM ou da Comissão Epis­copal para a Ação Mis­sionária, mas de um grande movimento do Espírito que desperta a Igreja para a urgência da Missão e para a sua abrangência, que vai dos corações até os confins da terra.

Pe. Elmo: Quais ainda são os maiores desafios missionários na Igreja no Brasil?

D. Sérgio: É difícil listar prio­ridades. Mas o objetivo geral da ação evangelizadora faz opções e aponta linhas de ação. Primeiro a restauração da dignidade humana em todos os níveis e lugares. Trata-se de fazer chegar a Boa-Nova a todas as pessoas e à pessoa toda. Numa sociedade terrivelmente injusta e excludente, o missionário e as instituições missionárias, isto é, toda a Igreja, devem mergulhar no tecido humano, a exemplo de Jesus, que se torna carne e habita entre nós. É na Pastoral Carcerária, na Pastoral do Menor, na Pastoral dos Migrantes, no mundo dos dependentes químicos, nas famílias desestruturadas, nas moradias indignas deste nome, etc., que a Missão tem lugar, quando o missionário anun­cia e mostra outros caminhos. Segundo, é preciso construir e reforçar comunidades vivas e atuantes. As pequenas comunidades, as comunidades de vida e, sobretudo, as Comunidades Eclesiais de Base, serão o lugar da vivência da vida nova em Cristo. A Missão nasce da comunidade e gera comunidade. Em terceiro lugar, o mundo precisa ser evangelizado. Junto com outras instituições e grupos, participamos da construção de um mundo melhor. Na transformação política e social está um grande desafio para a Missão. Todos estes aspectos são enfrentados no serviço, no testemunho e no anúncio. Mas não nos podemos fechar em nós mesmos. Outros povos, outras culturas, outras nações esperam por nós e pedem nossa solidariedade. A Missão além-fronteiras fará nos amadurecer e sermos, de fato, Igreja de Jesus chamada a anunciá-lo a todas as nações.

Pe. Elmo: O senhor tem sentido maior interesse pelas paróquias em preparar mais e melhor o Mês das Missões?

D. Sérgio: Não tanto quanto eu gostaria. Acho que há um excesso de meses temáticos, de semanas, de campanhas, de dias para isto e para aquilo. Sem falarmos nos festejos, arraiais, festas de padroeiro, romarias e tudo o mais que movimenta e dá trabalho aos agentes de pastoral, e são um convite para a participação e generosidade das pessoas. O Mês das Missões, que deveria ser o ponto alto da animação missionária das paróquias e comunidades, fica perdido no meio de tudo isto.

Pe. Elmo: Como os fiéis leigos podem ser missionários?

D. Sérgio: Os leigos, se são fiéis, são missionários, pela graça do Batismo e da Confirmação. Participantes da Eucaristia, são continuamente enviados a servir, testemunhar e anunciar. Em primeiro lugar, são missionários em suas famílias, no bairro em que moram, no exercício da profissão, no meio em vivem, estudando, trabalhando e divertindo-se. Mas um leigo pode sentir um apelo para partir, para romper fronteiras. Aí precisa ser enviado pela sua Igreja local, que contará com as estrutura dos Conselhos Missio­nários Diocesanos (Comidis), das Congregações Missionárias e dos Institutos que foram fundados para isto. Quem participa ativamente da vida de sua comunidade e está em sintonia com a Igreja missionária achará os meios necessários para partir em Missão. Isto não significa que tudo seja fácil. Um leigo dever resolver questões muito pessoais, como a relação com a família, subsistência, plano de saúde, aposentadoria, férias, acompanhamento espiritual, entre outras. Mas tudo é possível, quando se vive em comunhão e quando o Espírito nos guia.

Pe. Elmo: Por que as ofertas missionárias, divididas “per capta”, não dão mais que 1 centavo por católico? O que falta fazer?

D. Sérgio: Falta motivação, falta clareza em para que serve o dinheiro, falta prestação de contas para onde o dinheiro foi, tornando a coleta mais personalizada. As pessoas são generosas. Se a coleta não está dando certo, a culpa não é delas. A Campanha também não se pode reduzir à Coleta. Trata-se de fazer um mês de animação missionária, que tenha a Coleta como um dos sinais de que os corações e as mentes se abriram para a dimensão missisonária “ad gentes” e além-fronteiras.

Pe. Elmo: A grande maioria das paróquias não possui Comipas, e muitas dioceses não têm Comidis. Seria falta de interesse missionário ou falta de visão eclesial?

D. Sérgio: Nem uma coisa nem outra. Os Comipas e Comidis são organismos de articulação. Ora, para articular, é preciso que haja elementos a serem articulados, e, em segundo lugar, vontade de articulá-los. Acho que falta pastoral orgânica ou de conjunto. Ao mesmo tempo em que nos preocupamos em organizar os Comidis e Comipas, precisamos ver se nas Igrejas temos as Pontifícias Obras Missio­nárias, se temos o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), se a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) está motivada, se o Conselho de Leigos funciona, e assim por diante.

Pe. Elmo: A dimensão missionária da Amazô­nia sente “na pele” as dificuldades e desafios, tanto materiais como humanos, para realizar uma real evangelização, alcançando todos povos ribeirinhos, indígenas e as cidades. Como o Mês das Missões pode ajudar a amenizar essa realidade?

D. Sérgio: Foi decidido pela CNBB que todos os anos se realizará, na última semana do mês de outubro, uma Semana para a Amazônia. Se de um lado me alegro por isto, por outro fico um tanto triste, pois acho que a Amazônia deveria fazer parte das preocupações e ações da Congregação para a Evangelização dos Povos, e consequentemente, da destinação da Coleta do Mês das Missões. Aliás isto acontece com a Amazônia peruana, colombiana, equatoriana, venezuelana. Só não acontece com a Amazônia brasileira. As razões são históricas, mas estamos pondo “remendo novo, em pano velho”. Espero que a solução encontrada não prejudique o Mês das Missões, nem a atividade missionária na Amazô­nia, mas é preciso estar atentos.

Pe. Elmo: O que o senhor diria aos bispos, párocos, padres e religiosos no Mês das Missões?

D. Sérgio: Aproveitem ao máximo este tempo, o material, o cartaz, os santinhos, e tudo o mais para fazer crescer a solidariedade e a consciência missionária. Às vezes me perguntam como tornar uma paróquia, uma comunidade, uma diocese, mais missionária. Respondo sempre que a primeira coisa a fazer é fazer um bom Mês das Missões cada ano.

Pe. Elmo: Qual seria sua mensagem para os fiéis leigos, como pastor encarregado da Comissão para as Missões, seja para o Mês das Missões, ou mesmo como realidade da missão dos leigos?

D. Sérgio: A mesma que falei acima. Não percamos este tempo de graça que nos é concedido cada ano. Abra­mos o coração. A vida acontece, quando a doamos. Não sejamos mesquinhos, mas tenhamos um coração grande, do tamanho do mundo. Aja lá onde estiver. Se for professor, na escola, com seus alunos e colegas; se estiver num hospital, com os colegas e com os doentes; em uma fábrica, com os companheiros, no sindicato; na rua; no comércio. Fale das Missões, distribua o material, peça ajuda, leve um cofrinho.

Pe. Elmo: Sua mensagem final para o Mês das Missões.

D. Sérgio: Cada um de nós recebeu do Senhor a tarefa de evangelizar. A Missão realiza-nos, a missão torna-nos discípulos. Vamos conhecer mais o Mês das Missões, seus subsídios, seu cartaz, suas orações. Procuremos nos informar sobre a vida e a ação da Igreja missionária contada na imprensa missionária. Assinemos uma revista missionária. Vamos trazer a Missão e os missionários para dentro de nossas casas, de nossas conversas, de nossas celebrações. O compromisso missionário virá por si mesmo, pois ele é fruto da ação do Espírito Santo na Igreja e em nossos corações.


Relatório da Campanha Missionária 2008

1. Total Geral da Coleta Missionária 2008

Contribuição das Circunscrições Eclesiásticas do Brasil para a Coleta Missionária 2008
Valor recebido até 20 de março de 2009

R$ 5.147.955,72

2. Destinação dos Recursos

Obra da Propagação da Fé
Projetos para catequese, evangelização, estruturas diocesanas, igrejas, capelas, centros comunitários, comunidades religiosas, obras apostólicas, mídia, veículos.

 

 

R$ 2.825.198,10

Obra de São Pedro Apóstolo
Projetos para formação e manutenção de seminaristas maiores e menores, construção, reforma de seminários e casas de formação para a vida religiosa masculina e feminina.

 

R$ 565.039,62

Obra da Infância e Adolescência Missionária
Projetos para material catequético, manutenção de creches, alimentação, educação e saúde de crianças de zero a 14 anos.

 

R$ 645.759,57

Despesas com Campanha Missionária 2009
Impressos, embalagem, mão-de-obra, frete, etc.

R$ 454.049,69

Despesas com a Sede Nacional
Gastos de manutenção com móveis e imóveis; côngruas; salários e encargos
sociais; serviços de animação missionária; Infância e Adolescência e Juventude
Missionária; viagens; serviços e taxas bancárias; despesas com alimentação,
limpeza, água, luz, telefone e publicações (SIM, Calendário de Planejamento,
Série Formação Missionária...), terços e cruzes missionárias, CDs da IAM...

R$ 554.949,63

Despesas com Animação Missionária
Para o Comina e Comires, via CNBB, em 1° de junho de 2009.

R$ 102.959,11

Observação: das Circunscrições Eclesiásticas do Brasil, apenas 5 não enviaram a Coleta Missionária 2008: Abadia de Claraval, MG; Diocese de Cruzeiro do Sul, AC; Diocese de Janaúba, MG; Diocese de Jardim e Prelazia de Borba, AM.


Colaboração da Igreja no Brasil para
as Missões da Igreja pelo Mundo

Coleta Missionária por Regionais (2004, 2005, 2006, 2007 e 2008)
Valores expressos em Reais – Atualizado em 20 de março de 2009

Regionais

CM 2004

CM 2005

CM 2006

CM 2007

CM 2008

Norte 1

44.686,25

54.073,90

64.517,24

76.735,56

95.513,40

Norte 2

51.886,70

63.859,25

70.828,75

69.982,11

91.057,37

Nordeste 1

58.156,38

66.629,57

79.214,49

74.485,39

113.031,73

Nordeste 2

140.550,80

124.041,72

157.700,68

177.110,62

212.806,88

Nordeste 3

111.371,69

122.618,40

126.855,22

167.138,26

189.784,47

Nordeste 4

38.476,25

36.725,06

43.219,47

55.409,50

57.229,81

Nordeste 5

35.918,30

33.316,20

51.768,46

57.241,81

75.882,04

Leste 1

316.832,17

343.013,59

380.304,21

402.644,74

406.704,80

Leste 2

622.263,89

622.193,36

773.019,38

808.392,38

905.839,19

Sul 1

965.548,86

1.030.202,39

1.258.626,23

1.165.906,11

1.388.393,29

Sul 2

379.879,45

400.124,88

469.137,02

520.548,31

585.771,72

Sul 3

176.500,50

198.462,96

238.059,81

204.631,97

215.849,91

Sul 4

192.126,25

218.420,09

213.120,15

211.206,15

233.252,36

Centro-Oeste

161.668,55

192.730,21

228.582,13

261.343,21

304.214,50

Oeste 1

63.941,21

57.895,25

65.341,09

74.148,85

85.400,75

Oeste 2

65.604,49

64.459,98

79.136,28

89.731,97

102.947,26

Noroeste

53.898,25

47.175,80

55.023,66

61.359,98

84.276,24

Total Anual

3.479.309,99

3.675.942,61

4.354.454,27

4.478..016,92

5.147.955,72



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