Ano XXXVI – nº 3 – julho a setembro de 2008

Aprofundando a Missão

Ano Paulino
2 mil anos do nascimento de São Paulo
28 de junho de 2008 a 29 de junho de 2009

Visando celebrar os dois mil anos do nascimento de São Paulo, situado pelos historiadores entre 7 e 10 d.C., o Ano Paulino compreende “uma série de eventos litúrgicos, culturais e ecumênicos, bem como várias iniciativas pastorais e sociais, todas inspiradas na espiritualidade paulina”. Estão sendo promovidos também, em todo o mundo, “congressos de estudo e publicações especiais sobre os textos paulinos, para tornar mais conhecida a imensa riqueza do ensinamento neles contidos, verdadeiro patrimônio da humanidade redenta por Cristo.

(...) Um especial aspecto deverá ser tratado com singular atenção durante a celebração dos vários momentos do bimilenário paulino: refiro-me à dimensão ecumênica. O Apóstolo dos Povos, particulamente dedicado a levar a Boa-Nova a todos os povos, trabalhou com empenho pela unidade e concórdia de todos os cristãos. Queira ele orientar-nos e proteger-nos nessa celebração bimilenar, ajudando-nos a progredir na busca humilde e sincera da plena unidade de todos os membros do Corpo Místico de Cristo”.

Papa Bento XVI

Fala o Patriarca Gregório III Laham,
“sucessor” de São Paulo

“Minha pertença paulina é visceral, no sentido literal do termo, porque começa inclusive com minha gestação. Minha mãe provinha de uma localidade conhecida como ‘o monte dos árabes’, a 50 km de Damasco (Síria), em direção a Amã. É o lugar para o qual Paulo fugiu após a perseguição dos judeus, e que é citado na Carta aos Gálatas, quando ele diz ter ido à Arábia (Gl 1,17), antes mesmo que a Jerusalém: não se trata da Arábia Saudita, mas de uma zona desértica entre Damasco e a Jordânia.

Nasci em Daraya, onde Paulo se converteu pelo encontro com o Senhor, mas vivo em Damasco, a única cidade fora da Terra Santa onde o Ressuscitado apareceu. Meu vínculo com o Apóstolo dos Povos reforçou-se ainda mais, quando, em minha ordenação episcopal, o precedente Patriarca Máximo V me conferiu o título de Bispo de Tarso, pelo qual me sinto, para todos os efeitos, o sucessor de Paulo.

Também é significativo o fato de a minha residência se encontrar no que gosto de chamar de o “bairro paulino”, ou seja, a área onde surge, por um lado, a casa de Ananias, e, por outro, a capela onde Paulo recebeu o batismo. Viver nesse lugar é para mim fundamental, porque ali atuou Ananias. E Ananias foi talvez um dos primeiros bispos do mundo em sentido moderno, antes mesmo que o próprio Pedro, porque, enquanto Pedro era missionário e se deslocava freqüentemente, Ananias estava fixo em uma sede precisa, como bispo local. Gosto também de lembrar que, em 15 de fevereiro de 1959, antes de minha ordenação sacerdotal, eu me recolhi em retiro espiritual nas Três Fontes [local onde Paulo foi decapitado e no qual teriam brotado as três fontes nos pontos onde teria caído a cabeça do Apóstolo] e depois na prisão de São Paulo, em Roma.”

(...) “A Igreja sem Paulo seria uma Igreja que não teria voz. Essa voz diz que deve haver um “papa”, e que a presença dos cristãos no mundo não pode ser senão incisiva. Mas a voz de Paulo lembra-nos também que o maior ministério do Papa não é o primado, mas o de confirmar e fortificar seus irmãos. Precisamos, por isso, de uma voz cristã única no mundo, que pregue o anúncio fundamental do Evangelho, sem cair nos particularismos que acabam só por criar divisão. Recordemos sempre o que disse João XXIII: ‘O que nos une é muito mais do que o que nos divide.’”

(Zenit, 26 de junho de 2008)

As Intenções Missionárias

As Intenções Missionárias de oração são confiadas pelo Papa ao Apostolado da Oração, Associação de fiéis nascida em Vals, Le Puy (França), no dia 3 de dezembro de 1844, Festa de São Francisco Xavier, por iniciativa do padre jesuíta François-Xavier Gautrelet, que, de uma atividade proposta aos seus seminaristas, difundiu-se rapidamente em todo o mundo católico. O Apostolado já contava com 13 milhões de associados no final do século 19. Também Santa Teresinha de Lisieux era inscrita ao Apostolado da Oração e recebia os seus folhetos com as intenções de oração propostas pelo Papa. São, pois, Intenções de oração da Igreja, formuladas com base nas suas necessidades missionárias pelo mundo.

Por ocasião dos 150 anos do Apostolado da Oração, o Papa João Paulo II, dirigindo-se ao Superior do Jesuítas, escrevia: “Gosto de confiar pessoalmente ao senhor, na qualidade de Diretor Geral do Apostolado da Oração, as intenções mensais escolhidas por mim para o ano seguinte.”

O Papa sempre propõe para cada mês do ano uma Intenção Geral e uma Intenção Missionária de oração. No site das POM, publicamos as Intenções Missionárias, e, quando possível, comentários para meditação e aprofundamento.

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