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  Ano XXXV – nº 3 – julho a setembro de 2007

União Missionária

Seminaristas do Brasil para o mundo

Em 1940, o Papa Pio XII, na Encíclica Saeculo Exeunte Octavo escrevia:

“Desejamos que nos seminários a educação dos candidatos ao sacerdócio seja orientada de tal modo, a tornar possível uma sólida e profunda consciência missionária, tão útil para robustecer a formação sacerdotal, com vantagem para o futuro exercício de seu ministério, seja qual for o lugar para o qual a Providência os destine“ (n° 27).

Vinte e cinco anos mais tarde, o Concílio Vaticano II, no Decreto Optatam Totius, sobre a formação sacerdotal, reforçava:

“Com espírito verdadeiramente católico, (os candidatos ao sacerdócio) habituem-se a transcender a própria diocese, nação ou rito, e ajudar as necessidades de toda a Igreja, dispostos a pregar o Evangelho em toda a parte“ (n° 20).

Finalmente, Sua Santidade Paulo VI, no Moto-Próprio Ecclesiae Sanctae, de 13 de agosto de 1966, visando pôr em prática as orientações do Concílio, determinava:

“Sabendo os bispos até que ponto é a evangelização do mundo uma necessidade urgente, far-se-ão promotores das vocações missionárias entre seus clérigos e seus jovens, e oferecerão aos Institutos dedicados à obra missionária os meios e a ocasião de tornar conhecidas as necessidades das Missões e suscitar as vocações na diocese“ (n° 38).

Nos últimos 30 anos, a Igreja da América Latina foi descobrindo a sua responsabilidade na evangelização do mundo e começou a projetar-se além-fronteiras, “dando da sua pobreza”. E, como não poderia deixar de ser, os seminários entraram nesse espírito.

Comise, o que é?

Foram surgindo os Conselhos Missionários dos Seminários (Comises) e aumenta rapidamente o interesse e a procura por uma formação e informação missionária entre os aspirantes ao sacerdócio.

Em 2006, o Centro Cultural Missionário (CCM) convidou para vir a Brasília seminaristas das diversas regiões do país, e realizou com eles o primeiro Encontro Nacional de Formação Missionária. A resposta foi tão boa, que a experiência teve de ser repetida em 2007, tendendo a tornar-se permanente.

Como, porém, o Brasil é esse continente imenso, numerosas iniciativas semelhantes à do CCM foram promovidas e estão sendo realizadas em diferentes lugares.

Limitando-nos às experiências em que foi pedida a assessoria das Pontifícias Obras Missionárias, podemos citar:

  • de 24 e 25 de maio, Encontro de Formação Missionária dos Seminaristas de Franca, SP;
  • dia 2 de junho, Encontro dos Seminaristas do Nordeste 1, em Fortaleza, CE;
  • de 1° a 6 de julho, Encontro de Seminaristas do Nordeste 4, em Teresina, PI, com participação também de representantes do Maranhão e do Ceará.


É do nosso conhecimento, porém, que numerosas outras iniciativas estão sendo promovidas, reforçando a tendência já registrada e fazendo esperar para o futuro com otimismo. Um futuro que o Papa João Paulo II já previa na Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 1990:

“A educação dos futuros sacerdotes para o espírito missionário implica que o sacerdote deve sentir-se e agir, onde quer que se encontre, como um pároco do mundo, ou seja, de toda a Igreja missionária. Ele é o animador nato e o primeiro responsável do despertar da consciência missionária nos fiéis. É ainda o Decreto Ad Gentes .../... a indicar claramente aos sacerdotes o que devem fazer para suscitar nos fiéis o amor pelas missões: avivem e conservem no meio dos fiéis o mais vivo interesse pela evangelização do mundo; inculquem nas famílias cristãs a necessidade e a honra de cultivarem as vocações missionárias no meio dos seus filhos e filhas; alimentem nos jovens o fervor missionário, de maneira que entre eles surjam futuros mensageiros do Evangelho; ensinem todos a orarem pelas Missões e peçam também a sua generosa contribuição de dinheiro e meios. Mas para ter um coração e desenvolver uma ação pastoral dessa amplitude, é preciso uma sólida formação missionária, que deverá ser provida, antes de tudo, pelo Seminário, durante os anos de preparação dos futuros sacerdotes. É importante que nos programas dos estudos teológicos a Missiologia tenha um lugar de relevo. Assim formados, os sacerdotes poderão, por sua vez, formar as comunidades cristãs para um autêntico empenho missionário. Será também desejável que eles, constituindo um único presbitério com o seu bispo, tenham a oportunidade de encontros de reflexão missionária, congressos, retiros e jornadas de espiritualidade tendo como centro a Missão“.

Brasília, 5 de setembro de 2007.
Pe. Savio Corinaldesi
Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária