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A Campanha Missionária, promovida pelas Pontifícias Obras Missionárias (Obra da Propagação da Fé, Obra da Infância e Adolescência Missionária, Obra de São Pedro Apóstolo e Pontifícia União Missionária), é realizada uma vez por ano, sempre no mês de outubro, culminando no Dia Mundial das Missões, penúltimo domingo daquele mês. Tem a finalidade de cultivar nos fiéis a consciência missionária e levá-los a uma participação mais concreta na ação missionária da Igreja, mediante a sua oferta pessoal pelas Missões de todo o mundo. A esta oferta está associada a formação e vivência da espiritualidade missionária, com a cooperação também espiritual, por meio de orações pelas Missões e pelos missionários, oferecimento de sacrifícios pessoais em prol das Missões, dos missionários, e também com o engajamento pessoal na Missão “ad gentes” (de primeiro anúncio).
O Dia Mundial das Missões
O Dia Mundial das Missões, organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias, é o dia reservado pelos católicos de todo o mundo para especial colaboração pessoal na ação missionária universal da Igreja, mediante contribuição financeira, oração e sacrifício. É celebrado anualmente, no penúltimo domingo de outubro, em todo o mundo. Nas palavras do Papa João Paulo II, o Dia Mundial das Missões é “um evento importante na vida da Igreja, pois ensina como contribuir: como oferta feita a Deus, na Celebração Eucarística, e por todas as Missões do mundo” (cf. Redemptoris Missio 81).
Todo ano crescem as necessidades da Igreja Católica nas Missões: constituição de novas dioceses, abertura de novos seminários devido ao crescimento do número de jovens que acolhem o chamado de Cristo a segui-Lo como sacerdotes, regiões destruídas por guerras ou fenômenos naturais que devem ser reconstruídas, regiões por longo tempo fechadas à evangelização e que agora se abrem a ouvir a mensagem de Cristo e da Sua Igreja. É por isto que a participação e o comprometimento dos católicos de todo o mundo é tão urgente e necessário.
Cerca de 1.100 dioceses de territórios de Missão recebem regularmente ajuda financeira anual dos fundos recolhidos. Estas dioceses apresentam à Congregação para a Evangelização dos Povos pedidos de ajuda, entre outras necessidades, para catequese, evangelização, seminários, trabalhos das comunidades religiosas, meios de comunicação e transporte, construção de capelas, igrejas, orfanatos e escolas. Estas necessidades são providas com as doações arrecadadas todo ano. Os diretores nacionais das POM, em Assembléia Geral em Roma, sempre no mês de maio, decidem, em votação, pela melhor utilização e distribuição destes recursos, considerando as necessidades mais urgentes. Depois os subsídios são distribuídos, na sua totalidade, para as dioceses em territórios de Missão pelo mundo afora.
A origem do Dia Mundial das Missões
Em 1922, foi eleito Papa o Cardeal Arcebispo de Milão (Itália) Achille Ratti, que tomou o nome de Pio XI (1922-1939). Seu ardor missionário era conhecido de todos, e esperava-se dele um grande impulso para a Missão. Já em 1922, constituiu as Pontifícias Obras Missionárias, recomendando-as como instrumentos principais e oficiais da Cooperação Missionária de toda a Igreja. Estimulou a criação de novas Missões e ordenou os primeiros bispos indianos (1923) e chineses (1926). No Ano Santo de 1925, abriu no Vaticano uma Exposição Missionária Mundial e, no ano seguinte (1926), publicou uma Encíclica sobre as Missões, Rerum Ecclesiae, na qual reafirmava a importância dos objetivos missionários programados no início do seu pontificado.
A idéia de um Dia das Missões em esfera mundial nasceu no Círculo Missionário do Seminário Arquidiocesano de Sássari (Sardenha, Itália). De 14 a 16 de maio de 1925, o Círculo Missionário organizou um tríduo missionário, com a participação do arcebispo, que suscitou muita animação. No ano seguinte, de 17 a 20 de março de 1926, repetiu-se a celebração. Na ocasião, chegou de Roma Mons. Luigi Drago, Secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, no Vaticano. Os seminaristas pediram-lhe que propusesse ao Papa Pio XI a celebração de um Dia todo dedicado às Missões, como se fazia na Universidade do Sagrado Coração. Mons. Drago prometeu que falaria com o Papa a respeito. E, de Roma, mandou dizer que o Papa havia enviado uma resposta ao pedido: “Esta é uma inspiração que vem do céu”.
No final de março de 1926 realizou-se a Plenária do Conselho Superior Geral da Obra, já Pontifícia, da Propagação da Fé. Naquela ocasião, decidiu-se pedir oficialmente ao Papa Pio XI “a instituição em todo o mundo católico de um Dia de oração e de ofertas em prol da propagação da fé”. Em 14 de abril de 1926, a Congregação dos Ritos comunicava que o Santo Padre havia concedido o pedido. Seria celebrado anualmente no penúltimo domingo do mês de outubro.
Uns anos antes, Pio XI fizera um gesto surpreendente e profético: na Solenidade de Pentecostes de 1922, interrompeu sua homilia e, em meio a impressionante silêncio, tomou seu solidéu, fazendo-o passar entre a multidão de bispos, presbíteros e fiéis na Basílica de São Pedro, no Vaticano, enquanto pedia a toda a Igreja ajuda para as Missões.
O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927. Em 19 de outubro de 1985, o Papa João Paulo II lembrava a origem do Dia Mundial das Missões, falando aos fiéis da Igreja de Sássari durante a sua viagem pastoral à Sardenha. Em 2007, no dia 21 de outubro, penúltimo domingo do Mês das Missões, celebramos o 81º Dia Mundial das Missões, com coletas em todas as comunidades para as Missões da Igreja no mundo inteiro.
Fundamento da Missão
A ação missionária é essencial para a comunidade cristã. Pelo Batismo, todo cristão é chamado a reunir-se em comunhão ao redor de Cristo e participar da sua Missão, com o testemunho de vida, o anúncio do Evangelho, a criação das Igrejas locais e o esforço para se inculturar, o diálogo inter-religioso, a formação das consciências para atuarem as orientações da doutrina social cristã, a proximidade aos últimos e o serviço concreto de assistência aos necessitados. A origem, o método e a finalidade da evangelização é o próprio mistério trinitário. A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a bom termo a ação missionária. Deus é o Protagonista.
Atualidade da Missão “ad gentes”
Reconhecendo a urgência da Missão, o Papa João Paulo II declarou a atualidade da Missão “ad gentes” (de primeiro anúncio) e sinalizou profeticamente os frutos: “Vejo o alvorecer de uma nova época missionária, que se tornará dia radiante e rico de frutos, se todos os cristãos, e especialmente os missionários e as Igrejas jovens, responderem com generosidade e santidade aos apelos e desafios do nosso tempo” (RMi 92).
Os fatos confirmam a verdade de que “a fé compartilhada revigora-se”: “Multiplicaram-se as Igrejas locais que possuem bispos, clero e pessoal apostólico próprios. Constata-se uma inserção mais profunda das comunidades cristãs na vida dos povos. A comunhão entre as Igrejas tem levado a um dinâmico intercâmbio de bens espirituais e de dons. A ação evangelizadora dos leigos está mudando a vida eclesial. As Igrejas particulares estão se abrindo ao encontro, ao diálogo e à colaboração com os membros de outras Igrejas cristãs e religiões. Sobretudo, afirma-se uma nova consciência: ou seja, de que a Missão diz respeito a todos os cristãos, a todas as dioceses e paróquias, às instituições e associações eclesiais” (RMi 2).
Da Missão da Igreja à cooperação missionária de todos os batizados
O envio da Igreja “ad gentes” (além-fronteiras, para o primeiro anúncio) supõe a colaboração de todos os cristãos: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). “A participação das comunidades eclesiais e de cada um dos fiéis na realização deste projeto divino chama-se cooperação missionária. Para promover esta cooperação, a Congregação para a Evangelização dos Povos serve-se especialmente das Pontifícias Obras Missionárias (POM) (cf. Cooperatio Missionalis, n° 2).
A esse respeito, disse o Papa Paulo VI, na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 1972: “A cinqüenta anos da elevação a Pontifícias das Obras Missionárias, queremos testemunhar a elas o nosso muito especial afeto, nossa profunda gratidão pelos serviços prestados à Santa Sé e à Igreja inteira, e proclamá-las novamente como o principal instrumento da Santa Sé e do Episcopado no campo da cooperação missionária, porque, como disse o Concílio, ‘constituem igualmente meios tanto para infundir nos católicos, desde a mais tenra idade, um espírito verdadeiramente universal e missionário, como para fomentar uma adequada coleta de subsídios em favor de todas as Missões e conforme as necessidades de cada uma’ (Ad Gentes Divinitus, 38). No mais, a respeito destas Obras, a nós tão caras, já na nossa primeira mensagem para o Dia Mundial das Missões de 1963, dizíamos que ‘embora não excluam outras iniciativas de ajuda para as Missões e para fins particulares, superam evidentemente todas as outras obras enquanto direta e mais completa expressão da solicitude do Supremo Pastor do rebanho de Deus para com todas as Igrejas.’“
Organizando a Campanha Missionária
No Brasil, a Campanha Missionária pode ser mais generosa: muito já recebemos, podemos agora “dar de nossa pobreza” (Puebla, 368). Para isso é necessário organizar a campanha e fazer chegar a todos o apelo da solidariedade mundial.
Anualmente as Pontifícias Obras Missionárias enviam a todas as dioceses do Brasil vários subsídios: a Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões; santinhos com a Oração Missionária anual; folhetos informativos e celebrativos para as Missas dominicais; cartaz de divulgação; livreto com Celebrações e envelope para a Coleta do Dia Mundial das Missões. Além disso são realizadas visitas e participação em encontros para difusão da campanha e organização da coleta (cf. CNBB, 8º Plano Bienal, Doc. 34, Atividades Permanentes, nº 3c).
As Equipes de Campanhas (locais e diocesanas) deverão assumir também a organização e animação da Campanha Missionária anual, planejando e desenvolvendo as atividades de campanha, tais como as sugeridas na terceira parte desta cartilha.
Conclusão
O envio de Missionários “ad gentes” (além-fronteiras, para o primeiro anúncio) supõe a colaboração de todos os cristãos: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio.”
Na Campanha Missionária, o coração de todas as pessoas que contribuem alarga-se, para ser solidário com irmãos e irmãs de comunidades empobrecidas de regiões do nosso país e, especialmente, de outros países, vivendo, testemunhando e, sempre que possível, anunciando o amor de Jesus Cristo, com ações e palavras que os ajudem a libertar do sofrimento, da injustiça, da exploração, da opressão, à luz do Evangelho.
A Campanha Missionária é a ocasião especial para despertar a consciência de que a Missão faz parte da vida da Igreja, a qual “é, por sua natureza, missionária” (Ad Gentes, 2). É um dia para especial cooperação pessoal para com a ação missionária da Igreja. Nas palavras do Papa João Paulo II, o Dia Mundial das Missões “ensina como contribuir: como oferta feita a Deus, na Celebração Eucarística, e por todas as Missões do mundo” (cf. Redemptoris Missio 81).
A coleta feita no Brasil, todo ano, no Dia Mundial das Missões, é destinada ao Fundo Mundial de Solidariedade Missionária. Com estes recursos são financiados projetos para a catequese, evangelização, formação de agentes de pastoral, construção de Igrejas, capelas, seminários, formação de seminaristas e religiosos/as. Boa parte da coleta feita no Brasil fica aqui mesmo, financiando cerca de 150 projetos anuais para as dioceses e paróquias, seminários e casas de formação. Nos últimos anos, graças ao crescimento da coleta e generosidade do nosso povo, os recursos financeiros do Dia Mundial das Missões celebrado no Brasil têm ajudado projetos nos seguintes países: Índia, Ruanda, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Malavi, Etiópia, Indonésia, Timor Leste, Filipinas e Equador. Este é um sinal e gesto concreto de nossa solidariedade universal. |
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