Ano 38 – nº2 – abril a junho de 2010
Santa Sé
O Mundo Espera por Cristo
Sem impor, mas sem deixar de propor, os cristãos devem responder "com urgência" à necessidade de evangelização, afirmou o Papa Bento XVI, na homilia da Missa celebrada no Porto (Portugal), antes de concluir sua visita apostólica ao país. O Papa foi àquela cidade, para celebrar a Eucaristia, cuja homilia dedicou quase exclusivamente ao que João Paulo II chamou de "nova evangelização" nas sociedades secularizadas.
"O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a Missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida." O Papa afirmou: "Se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar?" Se a Igreja parasse de anunciar o Evangelho, "seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo".
Diante da tentação de desânimo, Bento XVI adicionou que "a 'desproporção' de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava os que viam e ouviam a Cristo. (...) Era Ele apenas, das margens do Lago da Galileia às praças de Jerusalém, só ou quase só, nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai, Ele na força do Espírito. E, todavia, aconteceu que, por fim, pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra..."
Missão "ad gentes"
O Papa afirmou que a humanidade tem experimentado grandes mudanças, ao que é necessário resposta: "Hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos." Este campo da Missão "ad gentes" "apresenta-se hoje notavelmente alargado e não definível apenas segundo considerações geográficas.
"Realmente aguardam por nós não apenas os povos não cristãos e as terras distantes, mas também os âmbitos socioculturais e, sobretudo, os corações, que são os verdadeiros destinatários da atividade missionária do Povo de Deus". Mas "nada impomos, sempre propomos, prontos sempre a responder a quem quer que seja sobre a razão da esperança que há em nós (1Pd 3,15). E todos, afinal, nô-la pedem, mesmo quem pareça que não."
Embora sem o saber, afirmou o Papa, "é por Jesus que todos esperam. De fato, as expectativas mais profundas do mundo e as grandes certezas do Evangelho cruzam-se na irrecusável Missão que nos compete", pois "sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir, e não consegue sequer compreender quem é". Portanto, nós, cristãos, "somos chamados a servir a humanidade do nosso tempo, confiando unicamente em Jesus, deixando-nos iluminar pela sua Palavra".
(Zenit, 14/5/2010)