Ano 38 – nº2 – abril a junho de 2010
Infância e Adolescência Missionária
Falecimento do Pe. Edson Assunção
Dia 3 de maio, às 21 horas, faleceu o Pe. Edson Assunção Santos Ribeiro, 44 anos, natural de Contagem, MG, mas pertencente ao clero de Niterói, RJ.
Pe. Edson, desde dezembro de 2005, era Secretário Nacional da Pontifícia Obra da Infância Missionária, em Brasília, DF. Voltava de Barra do Garças, MT, onde havia assessorado um Encontro de Formação de Assessores da Infância e Adolescência Missionária (Efaiam). A morte ocorreu na estrada que vai de Barra do Garças a Araguaiana, e foi provocada por um acidente de carro. O veiculo no qual o Pe. Edson viajava, em companhia do Pe. Wiliam e do leigo Fausto, ao atravessar uma ponte, ficou desgovernado, provocando a morte instantânea do Pe. Edson, e ferimentos no Pe. Wiliam.
Quem foi o Pe. Edson
Deixemos que ele mesmo se apresente, como fez no seu site na internet:
"Nascido aos 15 de agosto de 1966, em Contagem, MG, sou filho de Manoel Linhares Ribeiro e Ilda dos Santos Ribeiro (in memoriam). Tenho dois irmãos, Paulo e Maria das Graças.
Desde a primeira infância manifestei a intenção de ser padre. Lembro-me de que, aos quatro anos de idade, eu já falava nisto. Todo mundo achava bonitinho, mas 'coisa de criança, quando crescer muda de idéia'. Cresci, mas a idéia permaneceu cada vez mais forte, porque não era minha: vinha de Deus.
Aos dez anos entrei para o grupo dos coroinhas. Era uma grande alegria estar no altar, perto do padre, ajudando a Santa Missa. Tudo tinha de sair perfeito: era para Jesus. Assim, entre uma 'paquera' e outra, a vocação foi se firmando.
Aos 13 anos comecei a frequentar um grupo vocacional na paróquia vizinha. O então pároco, Pe. Paulo Lopes de Faria, hoje Arcebispo de Diamantina, iria me levar para o Seminário de Niterói, RJ, quando se tornou Bispo Auxiliar desta Arquidiocese.
Ingressei no Seminário São José, em Niterói, em fevereiro de 1982, para cursar o Ensino Médio (Seminário Menor), e neste Seminário recebi toda a sua formação para o sacerdócio. Estudei nos colégios Pio XI, Liceu Nilo Peçanha e N. Sa. das Mercês, todos em Niterói. Depois, já no Seminário Maior, cursei Filosofia e Teologia no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, RJ.
Recebi o Ministério de Leitor na Paróquia N. Sa. das Neves, e o Ministério de Acólito na Paróquia São Lourenço. Fui ordenado Diácono em 11/12/1989, em Rio Bonito, junto com meu companheiro de caminhada Pe. Miguel Fernandes.
Um problema de saúde em 1990 levou-me a adiar por dois anos minha ordenação sacerdotal. Entrei em crise: será que este não era um sinal de Deus de que esta não era Sua vontade para minha vida? Foram anos de sofrimento, mas de amadurecimento. Deus, porém, não me deixou na mão.
Finalmente, o grande dia: 12 de dezembro de 1992! Na Porciúncula de Santana, D. Carlos Alberto Navarro (in memoriam), ordena-me "Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec". Família reunida, igreja lotada, agora Edson era padre, junto com Ricardo e Fr. Fernando. No dia seguinte, a primeira missa no Seminário.
De volta para Niterói, passei a exercer meu ministério pastoral como Vigário Paroquial do Barreto, ao lado de meu irmão mais velho ("mais experiente"), e grande amigo, Mons. João Alves Guedes, que, aliás, foi quem me recebeu no Seminário. Continuei também a trabalhar na Cúria, como Chanceler do Arcebispado, e estudava Direito Canônico no Rio. Logo fui acumulando outras funções: coordenador da catequese, secretário do Sínodo Arquidiocesano, professor e diretor do Instituto de Formação Estrela da Evangelização de Niterói e São Gonçalo, RJ.
Em 1993 fui nomeado Juiz Instrutor da recém-criada Câmara Eclesiástica Auxiliar Permanente de Niterói, função que exerci até fevereiro de 2006. Em 1995/6 acumulei, com Mons. Guedes, a Paróquia N. Sa. de Nazaré, no Caramujo.
Em 1998 fui transferido para Paróquia N. Sa. das Neves, onde fiquei seis anos, quando, em dezembro de 2002, acumulei a Paróquia Santo Antonio, na Covanca.
Também em 1999 troquei de função com Ir. Inês Maria, ficando encarregado da Dimensão Missionária da Arquidiocese, visto que já há alguns anos eu estava trabalhando na implantação da Infância Missionária na Arquidiocese e no país.
No dia 3 de novembro de 2004 assumi a Paróquia de São João Batista, em Itaboraí, deixando Neves e Covanca.
Nos meses de outubro e novembro de 2005 tive a felicidade de estar em Roma para um curso de Espiritualidade Sacerdotal Missionária, no Centro Internacional de Animação Missionária (Ciam).
Atendendo insistente solicitação da CNBB e das POM, no dia 12/12/2006 fui transferido para Brasília, onde passei a exercer a função de Secretário Nacional da Infância e Adolescência Missionária."
Exéquias e sepultamento
Compareceram ao seu funeral, em Niterói, inúmeras pessoas, dentre as quais os bispos D. Fr. Alano Maria Pena, OP (Arcebispo de Niterói), D. Sérgio Eduardo Castrani (Bispo Prelado de Tefé, AM, e Presidente da Comissão Missionária da CNBB), Pe. Daniel Lagni (Diretor Nacional das Pontifícias Obras Missionárias), acompanhado por Pe. André Luiz de Negreiros (Secretário Nacional da Propagação da Fé e Juventude Missionária) e de funcionários seus colegas de trabalho das POM, além de missionários e colaboradores da IAM.
O corpo veio de Barra do Garças, MT (local do acidente), com uma passagem em Contagem, MG, sua terra natal. A primeira Missa de corpo presente foi celebrada por Mons. João Alves Guedes, seu amigo, que o acolhera como Reitor no Seminário São José, em Niterói. O Clero de Niterói esteve presente, na sua maioria. Outros padres de outras dioceses também se fizeram presentes.
Na Missa de corpo presente e despedida, presidida por D. Alano, a igreja estava lotada, em clima de muita emoção. A urna foi carregada em grande parte pelos sacerdotes, que saíram em procissão, juntamente com todos os seminaristas e todo o povo até o cemitério nas proximidades da paróquia de São Sebastião, de Niterói. Após as exéquias e despedidas diante do túmulo, o corpo foi sepultado.
Homenagens recebidas
Foram inúmeras as homenagens póstumas que Pe. Edson recebeu, o que revela a boa semente que plantou em sua vida. Dentre elas, destacamos:
* Nota da CNBB:
"Tomamos conhecimento do falecimento do Pe. Edson Assunção, presbítero da Arquidiocese de Niterói, RJ, e assessor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), no acompanhamento à Infância Missionária. (...) A Presidência da CNBB solidariza-se com os familiares do Pe. Edson e com toda a Arquidiocese de Niterói, RJ, assegurando-lhes a oração, na certeza de que o trabalho missionário desenvolvido pelo irmão presbítero era sinal da vivência do mandamento de Jesus: "Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes" (Mt 25,40). A luz da fé nos acompanhe, nos conforte, nos fortaleça. D. Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, Presidente da CNBB; D. Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus, AM, Vice-Presidente da CNBB; D. Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Secretário-Geral da CNBB."
* Agradecimento das POM ao Arcebispo e à Arquidiocese de Niterói:
"Em nome das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, expresso mais uma vez nossos pêsames pela morte trágica do querido Pe. Edson Assunção dos Santos Ribeiro, ocorrida dia 3 do corrente mês. Atendendo a nosso pedido, generosamente a sua Arquidiocese o cedeu para o trabalho missionário nesta Sede Nacional e por toda a Igreja no Brasil. A partir de dezembro de 2005, Pe. Edson desenvolveu sua Missão com grande ardor e dedicação, contribuindo especialmente para a divulgação e consolidação da Pontifícia Obra da Infância e Adolescência Missionária nos vários Regionais em todo o país. Agradecendo sinceramente, reiteramos nossa profunda estima por Vossa Excelência e pela Igreja em Niterói. Em comunhão de fé e orações, em Jesus Cristo, Missionário do Pai, Pe. Daniel Lagni, Diretor Nacional das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil."
Missão Continental: Infância e Adolescência Missionária
e Juventude Missionária
1. A Missão Continental é um tempo de graça! Também para a IAM e para a JM? Por quê e como?
Em Aparecida, a IAM é mencionada como organização de crianças e adolescentes que leva adiante um projeto pastoral missionário. O mesmo se diga da JM, para os jovens (embora este nome não apareça explicitamente em Aparecida). A graça consiste na "co-moção", que significa uma nova tomada de consciência missionária (Comblin: nunca houve um documento tão missionário da Igreja na América Latina), que repercute diretamente na IAM e na JM, que têm como sua bandeira a Missão. Aparecida é um kairós, é um kairós especial para os serviços das POM, e para a vocação missionária das crianças, adolescentes e jovens. A Missão Continental é um convite para IAM e a JM redescobrirem com nova força seus carismas fundacionais: crianças, adolescentes e jovens, não somente são missionados, mas são missionários, "ad intra" (atuantes dentro do próprio contexto) e "ad gentes" (atuantes fora do próprio contexto, no anúncio do Evangelho aos povos não cristãos).
2. O conteúdo central da Missão Continental é Jesus Cristo, um verdadeiro encontro com Sua Pessoa. Escutar e conhecer Jesus Cristo: o desafio de que os jovens tenham uma experiência de encontro com Ele (discipulado), que os leve à Missão.
Facilitar à criança, ao adolescente e ao jovem esta experiência do "encontro com Cristo" (discipulado), aparece como a exigência por excelência que nos propõe a hora missionária de Aparecida. O binômio "discipulado-Missão", as "duas faces de uma mesma moeda", as duas faces de toda identidade-vocação cristã, é a raiz do compromisso missionário do jovem. Então temos de fortalecer e priorizar a todo custo, como decisivo em nosso trabalho de animadores, o encontro com Cristo. O que a metodologia da IAM deve e sempre quis alcançar foi este encontro vital, que é ao mesmo tempo cognitivo e afetivo.
3. Será essencial a dimensão bíblica. Pede-se que a Missão Continental tenha uma forte característica bíblica, para que seja eficaz e dê frutos.
Recentemente terminou em Roma o sínodo sobre "a Bíblia na vida e Missão da Igreja", com uma mensagem profunda: "Nossa fé não tem no centro só um livro, mas uma história de salvação, e uma pessoa, Jesus Cristo, Palavra de Deus feita carne, homem, história." Os padres sinodais propõem-nos "uma viagem espiritual que se desenvolverá em quatro etapas, e, a partir do eterno e infinito de Deus, irá nos conduzir até nossas casas e pelas ruas de nossas cidades": a) a voz da Palavra: a Revelação; b) o rosto da Palavra: Jesus Cristo; c) a casa da Palavra: a Igreja; d) os caminhos da Palavra: a Missão. Bento XVI adiantou-se em Aparecida com a urgência da aproximação bíblica de toda pastoral: "Por isto, há de se educar o povo na leitura e meditação da Palavra de Deus: que ela se converta em seu alimento, para que, por experiência própria, vejam que as Palavras de Jesus são espírito e vida (Jo 6,63). Do contrário, como vão anunciar uma mensagem, cujo conteúdo e espírito não conhecem a fundo? Temos de fundamentar nosso compromisso missionário e toda nossa vida na rocha da Palavra de Deus. Para isto, animo aos pastores a esforçar-se em dá-la a conhecer." À mesma conclusão chegou a Federação Bíblica Católica em seu Congresso Mundial, na Tanzânia, em junho de 2008, formulando prioridades: "A animação bíblica de toda a vida da Igreja, de maneira que todo o mistério pastoral (a Missão) seja inspirado e animado pela Palavra de Deus"; "a promoção da prática da 'lectio divina contextualizada e criativa', que possa facilitar maior correspondência entre a fé e a vida" (Documento Final CBF-Daresalam).
4. A Missão Continental leva-nos a redescobrir o carisma central da IAM e da JM: o impulso e a espiritualidade "ad gentes" de D. Carlos de Forbin-Janson (Crianças Ajudam Crianças, a China, e, para os jovens de hoje, Juventude Missionária, sempre Solidária).
À Igreja na América custa abrir-se com vigor e com adesão pessoal à Missão "ad gentes". Aparecida dedica à Missão "ad gentes" uma página (373-379). A IAM e a IM haviam rezado para que aparecessem estes números em um documento importante. A visão missionária (visão de solidariedade missionária de "crianças que ajudem outras crianças" – "ad gentes" – de Paulina Jaricot e de D. Carlos de Forbin-Janson) encarna-se agora em um documento pastoral latino-americano. Quando os bispos, em Aparecida, convidam suas Igrejas locais a olhar para toda a humanidade, convidam com naturalidade e preferência as crianças e jovens missionários que já, desde há muito tempo, atuavam profeticamente na Missão "ad gentes", muito antes de Aparecida, fiéis à vocação batismal de todo cristão. A dimensão missionária "ad gentes" deve ser fortalecida por esta Missão Continental, que, como bem disse D. Luis Augusto Castro, na segunda palestra do 3° Congresso Missionário Americano (CAM 3-Comla 8), no Equador, em agosto de 2008, "não pode ser somente uma Missão na e para América, mas também uma Missão a partir das Américas." A JM deve ser pioneira nesta nova abertura de toda a Igreja para o mundo que espera Cristo.
5. A Missão Continental deverá ser fundada em um grande esforço de formação dos agentes de Missão (crianças e animadores de crianças, jovens, famílias...).
O próprio documento sobre a Missão Continental, lançado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), insiste em que ela deva começar com uma condição indispensável, uma intensiva formação dos agentes desta Missão. Para a Juventude de nosso continente – que se diz católico, e, então, deveria chamar-se missionário – trata-se simplesmente de reformular a urgência de sempre: formar com novo zelo, nova energia, novos métodos e materiais, nossos jovens missionários, para que possam ser "missionários" de fato. Porém, antes de falar da formação de jovens, o kairós missionário que vivemos, haverá de nos impulsionar a refletir, melhorar e levar adiante alguns programas de formação renovada para nossos animadores (assessores, coordenadores diocesanos e estaduais, etc.). O jovem será missionário, à medida que seu animador/a tenha formação, motivação e compromisso missionários. O jovem seguirá o modelo de Jesus, mas também o de seu animador-coordenador, que cada semana compromete o grupo na dinâmica de seu próprio encontro com Cristo (discipulado missionário).
6. A Missão Continental deve ser caracterizada pela presença e protagonismo dos leigos, dando protagonismo missionário às crianças, adolescentes e jovens de maneira nova.
Ainda não é claro para cada pároco e cada bispo que nossos jovens, adolescentes e crianças não são somente objetos da Missão e pastoral da Igreja, mas são e devem ser sujeitos preferenciais da Missão, muitas vezes mais criativos e eficazes que os próprios adultos. O primeiro a ser convertido é muitas vezes o pároco, para que, por meio de um novo processo de formação missionária para a Missão Continental, reconheça a capacidade missionária da IAM e da JM. A juventude na América Latina, a insistência na forte participação dos leigos, não a assusta: ela quer estar pronta para ocupar a primeira fila de todos os leigos que assumem a Missão "ad intra" e "ad extra" (voltada para fora do próprio contexto). Esta Missão dos leigos – e os jovens missionários são leigos comprometidos – não é mais uma vez uma Missão só bem pensada em um documento, mas uma Missão praticada. Não queremos apenas pensar a Missão Continental, mas queremos "fazê-la" como leigos. Será alimentada pela contemplação da Palavra, da oração constante e da revisão constante das pequenas Missões feitas com os jovens, para que vejam as "maravilhas que o Senhor faz" por meio deles.
7. O que significa para a IAM e para a JM que temos de "renovar estruturas caducas"? Quais são (DAp 365)?
A proposta da Missão como responsabilidade de todos está acompanhada de um forte e evidentemente necessário convite à conversão. Sobretudo no nível da paróquia, insiste-se em mudar e revisar todos os enfoques do trabalho pastoral, tendo a missionariedade da comunidade fiel como eixo transversal. A IAM e a JM não podem não assumir este convite à mudança, já que têm em suas bandeiras justamente a Missão. Da experiência de acompanhamento da IAM, e agora da JM, podemos nos atrever a fazer algumas considerações quanto à renovação. Até que ponto se consegue levar às bases a concretização das Áreas Integradas? Leva o jovem – seja a metodologia das reuniões ou o que seja – a descobrir vitalmente o rosto e a pessoa de Cristo (encontro com Ele) e a ir missionariamente ao encontro dos jovens da própria comunidade e do mundo? Como anda a motivação e, sobretudo, a formação contínua de nossos animadores dos grupos de jovens da IAM e da JM? Como é sua preparação de fé, de Missão, de psicologia? Como está inserida a IAM e a JM no funcionamento pastoral da paróquia? Estamos aproveitando bem o intercâmbio de materiais já existentes no Continente? São produzidas coisas novas à luz de Aparecida?
8. A América Latina Pós-CAM 3 quer concretizar um Projeto Missionário. Que espaço têm as POM (e a JM, especificamente) neste projeto?
No Encontro Pós-CAM 3, de dezembro de 2008, falou-se da aplicação do CAM 3, e procuraram-se pistas, para definir o assim chamado Projeto Missionário da Igreja na América. Que papel pode ter a JM neste projeto, que deverá ser mais do que um projeto? Recordamos que os jovens, sendo jovens missionários, são ou poderiam ser uma força missionária, em uma Igreja majoritariamente jovem. A Igreja poderá aproveitar o protagonismo missionário dos jovens, que, como força e fator missionário, simplesmente não existiram no CAM 3? Seremos capazes de direcionar este projeto para o mundo pastoral dos jovens? Não será um bom projeto missionário, se não houver um papel e lugar para crianças e jovens. Poderá a IAM e a JM, com seus carismas fundacionais "ad gentes", despertar os jovens da América para solidarizar-se com as massas de jovens em busca de vida plena na Ásia e na África?
9. Pede-se que a Missão Continental comece com a análise da realidade. Que análise da realidade (social e da fé) está na base de nosso trabalho com os jovens?
A sociedade moderna depara-se com desafios, como a ameaça à família, a secularização generalizada, a superabundância de impactos visuais, o mundo digital onipresente, a escassez de formação religiosa, para mencionar alguns, que marcam o mundo cotidiano de nossos jovens. Vemos que eles, tanto os jovens do campo quanto os das cidades, sofrem diferentes ameaças de despersonalização. Mais do que nunca está ameaçada a liberdade saudável dos jovens, que são objeto preferencial do enfoque consumista da sociedade. Ao mesmo tempo, com uma boa avaliação da situação sócio-religiosa dos jovens, temos de avaliar também a realidade de nossas Igrejas, a força ou fraqueza de sua missionariedade; porque os jovens são membros de uma comunidade cristã a caminho, vivem os acertos e erros de suas próprias Igrejas locais. Em cada país, em cada diocese e paróquia, temos de fazer esta análise da realidade, e fazê-la sem medo e com muita seriedade, para saber bem qual é a situação em que vivem nossos jovens e nossos assessores, com os quais e pelos quais queremos fazer animação missionária.
10. "Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou" (At 3,6a). O que possuem os jovens da América Latina? E o estão doando?
O encontro de Pedro e João com o aleijado que pede esmola todos os dias na entrada do templo, ao qual os Apóstolos confessam sua pobreza e sua riqueza – que é Cristo –, faz pensar nas riquezas de nossos jovens americanos. Nossos jovens "querem dar o que têm". Sua fé simples, sua generosidade, sua criatividade, sua boa vontade, seu otimismo e alegria, marcados cada vez mais pela força missionária que vem de um verdadeiro encontro com Cristo, fazem de nossos jovens fiéis uma força missionária, uma força de oração e uma força de solidariedade internacional "ad gentes". Os corações abertos dos jovens – amigos de Jesus – não têm fronteiras, e serão fator importante na execução de um possível projeto missionário da América.
Pe. Walter von Holzen
Diretor Nacional das POM do Paraguai
Adaptado por Pe. Edson Assunção
e Pe. André Luiz de Negreiros