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  Ano XXXVI – nº 2 – abril a junho de 2008
Nacionais
 


Seguindo nosso percurso rumo ao 3º Congresso Missionário Americano–8º Congresso Latino-Americano (CAM 3– Comla 8), foi realizado de 1° a 4 de maio, em Aparecida, SP, o 2º Congresso Missionário Nacional. O tema de estudo, Do Brasil de Batizados ao Brasil de Discípulos-Missionários Sem-Fronteiras, e o lema, Igreja no Brasil: Escuta, Segue e Anuncia, projetam a Igreja como comunidade-discípula de Jesus, guiada pelo Espírito, e missionária para a humanidade.

Há tempos é forte o apelo para sair dos nossos círculos caseiros e ir além das fronteiras, tendo toda a humanidade como chão missionário. Os Congressos Missionários realizados ao longo dos últimos 30 anos foram importantes para o amadurecimento da fé da Igreja e sua conseqüente prática missionária “ad gentes”. Com muito custo, percebemos que, depois de receber tanto, temos o dever de dar mais, pois a fé se fortalece, quando é transmitida. Como anunciava Pe. Daniel Lagni, diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), ao abrir os trabalhos: “Apesar dos avanços e compromissos assumidos, há um clamor dirigido à Igreja no Brasil: escuta, segue e anuncia. Continuamos convocados a projetar-nos para além de nossas fronteiras.” Na sua opinião “é chegada a hora de romper de vez com os tímidos e estreitos círculos de uma consciência e prática missionária doméstica, por mais que sejam necessárias e inquietadoras”.

Eram 603 participantes (19 bispos, 183 padres, 103 freiras e 298 leigos), representando os 17 Regionais da CNBB, Conselhos Missionários, grupos de animação, forças e organismos missionários do país. Parte dos trabalhos do Congresso foi realizada no Colégio do Carmo, das irmãs Salesianas, em Guaratinguetá. Tudo pensado e organizado por uma Equipe de Coordenação e assessores. Famílias das paróquias de Aparecida e Guaratinguetá abriram suas portas e corações para acolher os congressistas, num gesto de partilha e solidariedade, características da Missão aberta a grandes horizontes. A programação do Con­gresso foi organizada em quatro etapas, sincronizadas entre si: o Dia do Caminho, o Dia do Encontro, o Dia da Partilha e o Dia do Envio.

Os trabalhos do primeiro dia concentraram-se na simbologia do caminho feito pelos participantes para chegar até Apa­recida, como uma experiência espiritual e mística de fundamental importância na Missão. As delegações vindas de todo o Brasil reuniram-se como povo peregrino, caminhante, na simplicidade e na pobreza, no provisório e na busca do definitivo. O missionário vive a espiritualidade do caminho. Jesus dá-se a conhecer caminhando (cf. Lc 24, 15), justamente porque Ele é o Caminho (Jo 14, 6). Mas o Congresso em si não era o ponto de chegada. Cami­nhando, Jesus encontrava-se com pessoas, vivendo as mais diversas situações.

No segundo dia, os participantes viveram o Dia do Encontro, da reflexão e aprofundamento das questões que desafiam a Missão hoje. Como Jesus ao aproximar-se dos discípulos de Emaús aqueceu seus corações, explicando a partir das Escrituras os fatos sobre os quais estavam falando, também os congressistas buscaram compreender sua caminhada missionária à luz da Palavra de Deus. Para tal, contaram com a colaboração de assessores, os missiólogos, Pe. Paulo Suess e Pe. Agenor Brighenti, e o Fr. Santiago Ramírez, da Comissão Teológica do CAM 3–Comla 8.

Sábado, dia 3 de maio, foi o Dia da Partilha, a oportunidade para ouvir os testemunhos de vivências e projetos de oito missionários e missionárias que estiveram na Amazônia e nos confins da Terra: no Timor Leste e Coréia do Sul (Ásia), na Guiné-Conacri e Moçambique (África). Os relatos de vivências na Missão além-fronteiras foi uma das marcas do Congresso, proporcionando harmonia entre a reflexão, o aprofundamento e a prática missionária.

Enfim, os discípulos-missionários chegaram ao domingo, dia 4 de maio, com o coração aquecido pela chama da Missão aqui e além, podendo então viver o Dia do Envio. O encontro com Jesus ressuscitado no caminho revigora o ardor dos discípulos, que partem imediatamente para anunciar a Boa-Nova que seus olhos viram e seus ouvidos ouviram.

Os assessores resgataram da Constituição Pastoral Conciliar Gaudium et Spes e da Conferência de Medellín, que está completando 40 anos, a concepção da humanidade como família humana universal, a opção pelos pobres e a Missão “ad gentes” como Missão para a humanidade. Após o almoço, organizados em 12 mutirões de aprofundamento sobre temas relacionados à Missão, os participantes puderam contribuir com suas experiências. O resultado, partilhado em plenário, recolheu valiosas propostas para a conversão pastoral e renovação missionária das comunidades.

As comunidades cristãs en­ contram-se inseridas no processo de conversão pastoral e renovação missionária solicitados pelo Documento de Aparecida (DA 365-372). A Igreja no Brasil, que tanto recebeu, aos poucos vai se abrindo para dar mais de si na Missão para a humanidade. O 2º Congresso e a participação de 130 representantes do Brasil no CAM 3–Comla 8, no mês de agosto, em Quito (Equador), contribuem para a renovação missionária da nossa Igreja.

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC Missionário da Consolata
Diretor da Revista Missões (cf. Missões, maio e junho de 2008)


Regional Noroeste Avalia Sua Missão

De 23 a 25 de maio teve lugar em Porto Velho, RO, a 6ª Assembléia do Conselho Missionário do Regional Noroeste, com o tema O Povo de Deus em Permanente Ação Missionária na Amazônia, à Luz do Documento de Aparecida. Foi ocasião de aprofundamento da formação missionária e de avaliação e eleição da nova equipe.

Foram assessores na Assembléia: para o tema geral, Pe. José Altevir da Silva, CSSp, Assessor da Comissão para Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, da CNBB e Secretário Executivo do Conselho Missionário Nacional (Comina); sobre a conjuntura econômica e social da Amazônia, Ramon Cujui; e, sobre a conjuntura eclesial, Ir. Cecília Tada, Assessora da Comissão Episcopal para a Amazônia/CNBB.

D. Antônio Possamai, SDB, Bispo Emérito de Ji-Paraná, RO, em recuperação de uma cirurgia feita recentemente, participou, no entanto, em tempo integral da Assembléia, iluminando todos os participantes com seu testemunho de vida, sua experiência de fé, suas palavras de ânimo, esperança e entusiasmo, no que diz respeito à caminhada missionária da Igreja na Amazônia. Afirmou que é preciso cada vez mais se ocupar das pessoas, lutar para que de fato a Igreja na Amazônia seja missionária, destacando, neste sentido, a importância do Comina, dos Comires, dos Comidis, dos GAMs.

A Amazônia que temos é fruto do modelo de desenvolvimento alheio aos interesses do povo da região. Sua inserção na economia sempre ocorreu em condições de subordinação e exploração. A Igreja na Amazônia coloca-se decididamente ao lado dos pobres e excluídos, dos que não têm voz nem vez, dos esquecidos e humilhados. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) estão na origem de muitos movimentos sociais dessa região.

A Assembléia suscitou muita esperança. Apesar das distâncias geográficas, os participantes sentiram-se muito próximos no compromisso de construir uma Igreja cada vez mais missionária na Amazônia.

Os seminaristas marcaram presença
A Assembléia contou com a presença de oito seminaristas de dioceses do Regional – Guajará-Mirim, Porto Velho e Ji-Paraná, em Rondônia, e Humaitá, AM (estudantes no Seminário Maior João XXIII, em Porto Velho) –, atitude que responde aos an­seios e propostas elaborados no 2° Congresso Missionário Nacio­nal, realizado em Apa­recida, SP, no qual muito se falou do aprofundamento missionário nas casas de formação.