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  Ano XXXVI – nº 1 – janeiro a março de 2008
Aprofundando a Missão
 

Aumentam os Cristãos no Mundo

93,96 % é o crescimento significativo da população de fé cristã (católica, protestante, kimbanguista, etc.) no Congo Kinshasa ao longo do século 20. Um pouco menos em Angola: + 93,48 %. Mais de 90% de crescimento também no Burundi e em Papua-Nova Guiné.

54,6% é a porcentagem recorde da diminuição dos cristãos no total da população de Cuba entre 1900 e 2000. No início do século, 99,1% dos cubanos eram cristãos; em 2000, apenas 44,5%. Outros países que tiveram grandes períodos de governos comunistas e tiveram significa­ti­va­mente diminuída sua população cristã foram: a Estônia (– 34,99%), a República Tcheca (– 33,86%), a Letônia (– 32,56%). Uma exceção entre os países pós-comunistas foi a Polônia, de cuja população, em 1900, 90,9% era cristã e hoje são 97,4%. O país que nunca foi governado pelo comunismo e teve a mais intensa diminuição foi a Suécia, que passou dos 98,9% aos 67,92%.

102 milhões, 238 mil são os chineses oficialmente ateus. A China popular é o país do mundo que conta com o maior número de ateus. Com bem menos, a Rússia (7 milhões, 634 mil), o Vietnã (quase 5 milhões, 603 mil), a Coréia do Norte (3 milhões, 745 mil) e o Japão (3 milhões, 642 mil). Com relação ao percentual da população, o país mais ateu é a Coréia do Norte (15,58%), seguido pelo Tajiquistão (11,97%) e a Suécia (11,89%).

98,86% dos italianos são afiliados às Igrejas cristãs, dos quais 97,18% são católicos. Estatisticamente, a Itália é o país mais cristão do mundo, seguido por Malta (98,21%), Paraguai (97,72%), Guatemala (97,7%), Equador (97,58%) e Polônia (97,4%).

0,03% da população – em números absolutos, 7.075 em quase 23 milhões de habitantes – são os cristãos no Afeganistão, que é o país menos cristão do mundo, seguido por Brunei (0,1%), Maldivas (0,13%) e Iêmen (0,2%).

Em maio de 2007, a imprensa noticiou que, com base nos dados do World Christian Database (WCD, uma instituição americana de estatísticas religiosas), em 2005 o número dos muçulmanos tinha pela primeira vez superado o dos católicos no mundo: 1,3 bilhões de pessoas os primeiros; 1 bilhão, 115 milhões os segundos. A diferença a mais dos muçul­manos em relação ao católicos pode ser real, mesmo aceitando a correção que vem do último Annuarium Statisticum Ecclesiae, que calcula em 1 bilhão, 145 milhões os católicos em 2005. De qualquer forma, o WCD confirma, que o número total dos cristãos de todas as denominações supera ampla­mente o dos muçulmanos e de qualquer outra religião, perfazen­do 2 bilhões, 153 milhões de pessoas. O Cristia­nismo teve grande expansão no século 20. Alguns países nos quais um século atrás os cristãos quase não existiam, hoje têm imensas maiorias de batizados. No quadro, tirado da World Christian Encyclopedia, são mencionados dez países (oito africanos, um asiático e um da Oceania) que registraram o maior aumento da incidência de cristãos entre 1900 e 2000.
Rodolfo Casadei

 
Onde a Semente Deu Fruto
  Países
República Democrática do Congo
Papua-Nova Guiné
Angola
Timor Leste
Burundi
Congo Brazzaville
Suazilândia
Ruanda
Zâmbia
Quênia

% de Cristãos em 1900
1,40
4
0,6
12,2
0
2,5
81
0
0,3
0,2

% de cristãos em 2000
95,36
95,05
94,08
92,2
91,67
91,15
6,84
82,72
82,36
79,32
 
  Fonte: World Christian Encyclopedia, vol. 1, 2001.
In: Mondo e Missione, outubro de 2007, p. 25.
 
 
 


Seminaristas e Missão “ad gentes”

“Os professores dos seminários e Universidades elucidarão os alunos sobre a verdadeira situação do mundo e da Igreja, para que abram os olhos à necessidade duma evangelização mais intensa dos não-cristãos e o seu zelo se acenda. E, ao ensinar as questões dogmáticas, bíblicas, morais e históricas, chamem a atenção para os aspectos missionários nelas contidas, para desse modo se ir formando a consciência missionária dos futuros sacerdotes” (Ad Gentes, 39).

“Com espírito verdadeiramente católico, (os candidatos ao sacerdócio) habituem-se a transcender a própria diocese, nação ou rito, e ajudar as necessidades de toda a Igreja, dispostos a pregar o Evangelho em toda parte” (Optatam Totius, 20).

“Desejamos que nos seminários a educação dos candidatos ao sacerdócio seja orientada de tal modo, a tornar possível uma sólida e profunda consciência missionária, tão útil para robustecer a formação sacerdotal, com vantagem para o futuro exercício de seu ministério, seja qual for o lugar a que a Providência os destine.E se algum de vós, por benigníssima vontade do Altíssimo, se sentir chamado para as Missões, nem a falta de clero e nenhuma necessidade da diocese deve dissuadi-lo de dar o próprio consentimento; pois os vossos concidadãos, tendo, por assim dizer, ao alcance das mãos os meios da salvação, estão muito menos longe desta do que os infiéis... Em tal caso, pois, suportai de boa vontade, por amor a Cristo e às almas, a perda de algum membro do vosso clero; se perda se pode chamar e não, ao invés, ganho, já que, se vos privais de algum colaborador e companheiro de fadiga, o Divino Fundador da Igreja certamente o suprirá, ou expandindo graças mais abundantes sobre a diocese, ou suscitando novas vocações para o sagrado ministério” (Saeculo Exeunte Octavo, Pio XII, 13/6/1940, n° 27 e 28).

A própria formação dos candidatos ao sacerdócio deve pro curar dar-lhes “aquele espírito verdadeiramente católico que os habitue a olhar para além dos confins da própria diocese, nação ou rito, indo ao encontro das necessidades da Missão universal, prontos a pregar o Evangelho por todo lado” (Redemptoris Missio, 67).

“A Teologia da Missão será inserida no ensinamento e no desenvolver progressivo da doutrina teológica, de forma que ponha em plena luz a natureza missionária da Igreja. Mais: preste-se atenção às vias do Senhor em preparação ao Evangelho e à possibilidade de salvação dos que não são evangelizados. Inculcar-se-á também a necessidade da evangelização e da incorporação na Igreja. Tudo isto há de se ter presente, quando se reorganizarem os estudos nos seminários e universidades“ (Ecclesiae Sanctae, Paulo VI, 13/8/1966, III,1).

“Com o fim de promover o espírito missionário, serão os seminaristas e os jovens das associações católicas incitados a estabelecer e a manter relações com os seminaristas e as associações similares existentes nas Missões, para que o mútuo conhecimento mantenha fervorosa no povo cristão a consciência missionária e eclesial. Sabendo os bispos até que ponto é a evangelização do mundo uma necessidade urgente, far-se-ão promotores das vocações missionárias entre seus clérigos e seus jovens, e oferecerão às instituições dedicadas à obra missionária os meios e a ocasião de tornar conhecidas as necessidades das Missões e suscitar as vocações na diocese. No despertar vocações para as Missões, cuidar-se-á de apresentar a Missão da Igreja que se estende a todos os povos e os meios pelos quais uns e outros (instituições, padres, religiosos e leigos de ambos os sexos) se esforçam por cumprir essa Missão. Sobretudo se há de exaltar e ilustrar, por exemplo, a vocação missionária especial por toda a vida” (Ecclesiae Sanctae, Paulo VI, 13/8/1966, III,5 e 6).

“A educação dos futuros sacerdotes para o espírito missionário implica que o sacerdote deve sentir-se e agir, onde quer que se encontre, como pároco do mundo, ou seja, de toda a Igreja missionária. Ele é o animador nato e o primeiro responsável do despertar da consciência missionária nos fiéis. É ainda o Decreto Ad Gentes .../... a indicar claramente aos sacerdotes o que devem fazer, para suscitar nos fiéis o amor pelas Missões: avivem e conservem no meio dos fiéis o mais vivo interesse pela evangelização do mundo; inculquem nas famílias cristãs a necessidade e a honra de cultivarem as vocações missionárias no meio dos seus filhos e filhas; alimentem nos jovens o fervor missionário, de maneira que entre eles surjam futuros mensageiros do Evangelho; ensinem todos a orarem pelas Missões e peçam também o seu generoso contributo de dinheiro e meios. Mas, para ter um coração e desenvolver uma ação pastoral dessa amplitude, é preciso uma sólida formação missionária, que deverá ser provida, antes de tudo, pelo seminário, durante os anos de preparação dos futuros sacerdotes. É importante que nos programas dos estudos teológicos a Missiologia tenha um lugar de relevo. Assim formados, os sacerdotes poderão, por sua vez, formar as comunidades cristãs para um autêntico empenho missionário. Será também desejável que eles, constituindo um único presbitério com o seu bispo, tenham a oportunidade de encontros de reflexão missionária, congressos, retiros e jornadas de espiritualidade tendo como centro a Missão” (João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial das Missões, 1990).

“Nos seminários é preciso despertar em todos os futuros sacerdotes uma espiritualidade sacerdotal aberta à universalidade da Igreja, à Missão redentora de Cristo que deve realizar-se em toda a terra. Escreve Santo Agostinho: ‘Se queres amar Cristo, tua caridade abarque todo o mundo’; e o que deve acontecer em todos os cristãos deve de modo especial brilhar nos sacerdotes, os quais, como recomendou São Pedro, devem tornar-se modelo do rebanho. E como o zelo pelas ‘ovelhas perdidas’ deve ser vivíssimo em todos os que foram consagrados ao ministério ou a ele se preparam, é necessário formar os sacerdotes em uma espiritualidade apostólica, aberta também aos horizontes missionários, onde estão em jogo os grandes destinos da humanidade, em vista do plano da redenção” (Sagrada Congregação pela Evangelização dos Povos, Formação Missionária dos Futuros Sacerdotes, 17/5/1970).

Pe. Savio Corinaldesi, SX
Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária