Roteiros homiléticos

 

 

Domingo de Ramos – 28/3/2010

 

1ª Leitura: Is 50,4-7
Salmo 21
2ª Leitura: Fl 2,6-11
Evangelho: Lc 22,14–23,56

Domingo de Ramos, início da Semana Santa, tempo propício para nos sensibilizarmos, nos aproximarmos mais de Deus e nos tornarmos dignos do sofrimento e morte de Nosso Senhor.

O Evangelho de hoje narra a entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho, e este é um sinal clássico que Ele não era aquele Messias esperado pelos Judeus. Um Messias que assumiria o trono de Pilatos ou de Herodes, e, a partir daí seria o rei, banindo o domínio romano e instaurando o poder em Israel.

Tradicionalmente os reis e seus exércitos, ao invadirem as cidades para dominá-las, entravam montados em cavalos, de forma majestosa e triunfante. Jesus, ao contrário, entra montado num jumento, acompanhado de poucas pessoas, sem um exército. Este gesto tem um significado interessante: quando os primeiros reis, Saul, Davi e Salomão peregrinaram por Israel para solidificar o reino, levavam sempre com eles a Arca da Aliança, que era transportada sobre um jumento. Mas Jesus é a nova Arca da Aliança, Ele é a própria Lei, o Salvador, Deus presente que caminha conosco. Montado sobre um jumentinho, mostra que é humilde, simples e acessível a todos.
São Paulo escreve na 2ª Leitura que Jesus foi tão humano, que não se apegou à sua condição divina. Principalmente na hora da cruz, quando poderia ter se aliviado de tanto sofrimento. Porém, se não morresse na cruz, não teria experimentado nossa condição. Prova de que Cristo na hora da cruz ficou só na condição humana são as palavras por Ele pronunciadas: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” A condição divina não morre, porque, se morresse, não seria eterna nem perfeita. Jesus morre como homem, e depois ressuscita como divino.

Todos os anos ouvimos a mesma história, relembramos as passagens mais trágicas e sofridas da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, e parece que nos comovemos sempre. Porém, quando presenciamos irmãos nossos sendo condenados por uma justiça indecente, que inocenta culpados e culpa inocentes, aí não nos comovemos. O problema é que não conseguimos perceber que, ao concordamos com esta situação, estamos repetindo exatamente o mesmo gesto da multidão que há 2000 anos condenou Jesus, gritando: “Crucifica-o!”

Continuamos hoje crucificando Jesus que vive na pessoa dos nossos irmãos oprimidos, explorados, injustiçados, sofridos. O curioso é que esta situação, que é real à nossa volta, não nos comove.

Então Jesus não morreu por eles tanto quanto por mim ou por você? O mundo de hoje está cheio de Pilatos e Herodes, que impunemente julgam e decidem quem deve morrer e quem deve viver. Poderosos articulam matanças em massa e permanecem livres, intocados, protegidos e até amparados, enquanto o pobre não tem o mínimo direito de defesa e cai direto nas grades.

Não é por acaso que celebramos a Páscoa todos os anos, revivendo a paixão e morte de Jesus. Todos os anos, todos os dias, a história se repete, e são milhares os Cristos crucificados por nós.

Outro ponto que favoreceu a condenação de Jesus foi a ameaça aos privilégios dos sacerdotes e poderosos da época, pois qualquer outra religião diferente do Judaísmo afastaria os frequentadores do Templo, e consequentemente a oferta de riquezas e tesouros.

Jesus foi um revolucionário da compreensão e do comportamento religioso daquela época e de hoje. Nós devemos nos deixar revolucionar por Ele. Se muitas vezes, somos a favor da morte, aprovando a guerra, o aborto, a pena de morte, é porque ainda não conhecemos Jesus. Deus entregou-se para morrer em uma cruz por todos, para que mais nenhum ser humano fosse condenado à morte. Infelizmente, em pleno século 21, preferimos ignorá-lo, e continuamos gritando: “Crucifica-o!”

Nós nos emocionamos com as celebrações da Páscoa, mas as imagens de violência contra a vida que diariamente assistimos na televisão não nos comovem.

Para conhecer Jesus, precisamos fazer a experiência do amor de Jesus, pois só se ama a quem realmente se conhece, e Ele está presente na pessoa de cada irmão. Se o conhecermos gritaremos: “Hosana Hei! Salva-nos!”
Caríssimos, estejamos de corações atentos para vivenciar, nestes dias sagrados, tão grande mistério. Não recebamos em vão a graça de Deus. Que, aprendendo os ensinamentos de Sua paixão, ressuscitemos com Ele em sua glória!

 

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