Roteiros homiléticos
13° Domingo do Tempo Comum – 27/6/2010
“Eliseu levantou-se e seguiu Elias”
1ª Leitura: 1Rs 19,16b.19-21
Sl: 15
2ª Leitura: Gl 5,1.13-18
Evangelho: Lc 9,51-62
O capitulo 19,1-18 retrata da vocação profética. “O profeta é perseguido, quando desmascara as aparências que encobrem uma política opressora. Ameaçado de morte, Elias foge. Sua fuga, porém, transforma-se na busca da fonte original, que é a fé javista. O monte Horeb (Sinai), lugar da aliança com Deus, é o ponto de partida para se formar uma sociedade justa e fraterna. Nesta experiência do Deus libertador, o profeta descobre os próximos passos a dar: reunir as pessoas fiéis ao projeto de Javé, criar um novo quadro político, e providenciar um substituto para a sua Missão.” Nos versículos 19-21, o profeta Elias passa o seu mandato para o discípulo. “O manto simboliza a atividade profética: jogando-o sobre Eliseu, Elias o escolhe para acompanhá-lo. A Missão profética é empenhativa, e supõe que a pessoa a coloque em primeiro lugar, acima dos próprios bens, família e trabalho” (Bíblica da Paulus).
O texto está claro: somos profetas do Senhor, para libertar e salvar as pessoas dos pecados e do mal. O profeta Elias cumpriu sua Missão, agora deve passar para Eliseu. Aqui o profeta permite ele se despedir dos seus, mas, no Evangelho de hoje, vimos que Cristo exige mais desapego em segui-lo.
Ser profeta e missionário implica necessariamente em deixar tudo, considerar tudo como nada para ganhar todos para Deus. Libertar o oprimido, dignificar o desvalido, dar guarida ao desabrigado, e testemunhar o amor a todos por causa do Senhor.
“Fostes chamados à liberdade”
Gálatas 5 trata praticamente todo da liberdade cristã. Os versículos 13-15 revelam que a vida cristã é um chamado para a liberdade. Ela, porém, não deve ser confundida com libertinagem, que é buscar e colocar tudo a serviço de si mesmo. A verdadeira liberdade leva o homem a crescer no amor e no dom de si, para colocar-se a serviço dos outros. Como os sinóticos (cf. Mc 12,31), Paulo resume a Lei no mandamento de Lv 19,18: quem ama o próximo, realiza a vontade de Deus. As expressões “segundo o Espírito” e “segundo os instintos egoístas” (lit.: carne) não designam duas partes do homem, e sim duas orientações diferentes de comportamento: “segundo o Espírito” é a orientação do amor, que leva o homem a servir o outro; “segundo os instintos egoístas” é a orientação do egoísmo, que leva o homem a servir a si mesmo” (Bíblia da Paulus).
Permanecer firmes na verdadeira liberdade significa seguir de perto os ensinamentos de Cristo. A verdade e o amor libertam-nos do jugo da escravidão. Cristo chamou-nos à vida plena, e conduz-nos pela caridade a ser dom para os outros. Portanto quem vive em Cristo é livre para fazer tudo que deseja, pois só deseja o que é bom. Santo Agostinho afirma: “Ama e faze o que queres.” Este é o resumo da Lei e da Boa-Nova: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”
Muitos não se amam, e como podem amar os demais? Para ser de Cristo e amar o próximo precisamos nos querer bem e ser pessoas centradas. Mas para sermos pessoas centradas, precisamos ser discípulos de Cristo, com um profundo amor pelas coisas de Deus.
“Tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém. Seguir-Te-ei para onde quer que fores”
“Jesus inicia o seu caminho para Jerusalém. Nesta viagem, Lucas mostra a pedagogia de Jesus, que vai indicando o caminho para aqueles que querem unir-se a ele. Tal processo por ele iniciado vai provocar sérios conflitos com aqueles que não querem mudar o rumo da história. Por enquanto, nem os samaritanos entendem que Jesus vai a Jerusalém para salvá-los. E os discípulos não imaginam que a Samaria será um dos primeiros lugares que eles evangelizarão ao saírem de Jerusalém (At 1,8). Os primeiros passos para os que seguem Jesus em seu caminho são: disponibilidade contínua, capacidade de renunciar a seguranças e, iniciado o caminho, não voltar para trás, por motivo nenhum” (Bíblia da Paulus).
Jesus muitas vezes não foi acolhido pelos seus. Quando precisou de hospedagem, quando iam a Jerusalém, as pessoas daquele povoado não o receberam. Os discípulos Tiago e João, afoitos, quiseram se vingar da cidade, destruindo-a com fogo do céu, mas Cristo mais uma vez revelou coerência a sua Missão e ao seu amor pela humanidade. Jesus repreende-os severamente.
Sempre haverá pessoas e culturas que não querem acolher e aceitar Jesus, o Salvador. O que fazer? Respeitá-los, com fez o Mestre diante da cidade que o recebeu. Haverá sempre filhos, maridos, esposas e parentes que não querem receber Cristo na Eucaristia ou como o Salvador. O que fazer? Rezar por eles, e seguir outro caminho, ou seja, não insistir, pois o em que se insiste persiste...
Muita gente quer seguir Jesus, sem compromisso, acomodados como sempre, e muitos são calculistas, querem saber o que vão ganhar com isto. Jesus alertou que os seus não têm lugar no qual possam estar tranquilos e sossegados, porque o Filho do homem não tem onde morar ou reclinar a cabeça. Assim é o missionário! Sempre itinerante, em busca de Cristo nos irmãos para levá-los a Cristo, e este ao coração daqueles.
Depois disse a outro: “Segue-Me.” Ele respondeu: “Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai.” Disse-lhe Jesus: “Deixa que os mortos sepultem os seus mortos...”
Este texto tem de ser entendido no contexto. No contexto Jesus está chamando os discípulos a servi-lo e proclamar o Evangelho pelo mundo inteiro. Dito em outras palavras, quer dizer deixar que os parentes espiritualmente mortos – pessoas que não querem servir a Deus – enterrem seus parentes. Também significa que seus parentes fisicamente mortos devem ser sepultados pelos familiares que não seguem a Cristo. Jesus também ia a velórios, e, às vezes, surpreendia. Lázaro, que estava morto há três dias, foi ressuscitado.
Diz ainda: “Vai anunciar o reino de Deus.” Jesus estava dizendo ao homem que a sua família, que estava morta espiritualmente, cuidaria do enterro. Jesus queria que ele o seguisse. O discipulado cristão requer uma forte disposição. Quem quiser seguir Jesus deve deixar o passado e começar o presente, como presente que será um futuro de frutos para o Senhor e sua glória. O Reino de Deus é fruto da graça e de nosso empenho como discípulos-missionários, e seremos cidadãos do mundo e filhos, pais, irmãos de todos e em todos os lugares.