Roteiros homiléticos
3º Domingo do Tempo Comum– 24/1/2010
“É pela virtude desta semelhança a Cristo que os corpos ressuscitam...”
1ª Leitura: Is 62,1-5
Salmo: 96
2ª Leitura: 1Cor 12,4-11
Evangelho: Jo 2,1-11
Neste domingo, o tema que nos é sugerido é do começo da manifestação de Cristo. Precisamos acolhê-lo e reconhecer os sinais da vontade do Senhor, abrindo o coração e seguindo esses sinais, para que se realize o projeto divino de salvação e amor. Com o Batismo nos tornamos filhos e filhas de Deus, os filhos devem saber reconhecer e escutar a voz do Pai, quando os chama.
Na liturgia da Igreja antiga, a festa da Epifania, da Manifestação, celebrava, de uma só vez e num só dia, a visita dos Magos, o Batismo de Jesus e as Bodas da Caná. São três momentos da Manifestação do Senhor: aos Magos, ele se manifestou como Rei dos Judeus pelo brilho da Estrela; no Batismo, o Pai manifestou-o como Messias de Israel, ungindo-o com o Espírito Santo para a Missão; e, em Caná, Jesus manifestou a sua glória ao transformar a água em vinho, e os seus discípulos creram nele. Portanto estamos ainda em clima de Manifestação, de Epifania daquele que veio do Pai para nossa salvação; e é neste contexto que as leituras da Missa de hoje devem ser interpretadas.
“O Evangelista tomou um fato histórico e deu-lhe um sentido espiritual e teológico: o verdadeiro noivo é o Cristo, Deus em pessoa que vêm desposar sua esposa, o povo de Israel, e, mais precisamente, o novo Israel, a Igreja, representada pela Mulher – a Virgem Maria! Tudo, no texto do Evangelho, fala disto: porque o Messias-Esposo chegou, a água da Antiga Aliança (água da purificação segundo os ritos judaicos da Lei de Moisés) é transformada no vinho da Nova Aliança (o vinho, símbolo da alegria e da exultação do Espírito Santo, que é fruto da morte e ressurreição do Senhor). É esta a glória que Jesus manifestou, é este o sinal! “Sinal” não é um simples milagre; “sinal” é um gesto do Senhor Jesus, carregado de sentido profundo, que revela sua pessoa, sua missão e sua obra de salvação. “Este foi o princípio dos sinais de Jesus... e seus discípulos creram nele.” Na verdade, o sinal da Caná é uma preparação, uma antecipação da Páscoa, quando o Cristo, Esposo ressuscitado, desposará para sempre a Igreja, dando-lhe, como dote eterno, o dom do Espírito: “Alegremo-nos e exultemos, demos glória a Deus, porque estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro, e sua Esposa já está pronta: concederam-lhe vestir-se com linho puro, resplandecente” (Ap 19,7s). Por isto a exultação da 1ª Leitura de hoje. Saudando o Povo de Deus, o Novo Israel, a Igreja-Esposa, o profeta afirma: “As nações verão a tua justiça; serás chamada por um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão de teu Deus. Não mais te chamarão de abandonada, e tua terra não será mais chamada de Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será Bem-Casada, pois o Senhor agradou-se de ti, e tua terra será desposada. Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria do teu Deus.” Maria, a Virgem-Mulher do Evangelho de hoje é, pois, imagem viva da Igreja-Esposa, desposada na Nova e Eterna Aliança”! (D. Henrique).
Seguir verdadeiramente Jesus significa escutá-lo e seguí-lo sempre e, sobretudo, deixar-se conduzir e modelar por Ele. Significa discernir a voz de Deus. Significa ser capaz de aproximar os nossos pensamentos dos pensamentos e palavras de Jesus. Ver nos seus gestos e sinais a ação permanente de Deus na Igreja.
Para nutrir e conservar uma verdadeira relação com Jesus, é necessário a humildade da escuta, ter os olhos de Deus e a consciência de que somos Templos de Deus, Pai que nos é ama infinitamente e não quer senão o nosso bem. É bom confiar n’Ele, esperar n’Ele e abandonar-se n’Ele. É bom também amá-lo muito, a ponto de Ele ser nossa vida. É bom cuidar bem da Palavra de Deus em nós. É necessário não só encontrar-se com Ele, mas permanecer com Ele e n’Ele: assim nos tornaremos cristãos, membros vivos do Corpo místico de Cristo.
Paulo tenta dar aos Coríntios a motivação de fundo para que possam ter uma conduta moral correta? Os fiéis, nos seus corpos, pertencem exclusivamente a Cristo? Por acaso vocês não sabem que vossos corpos são membros de Cristo? É pela virtude desta semelhança a Cristo que os corpos ressuscitam.
Quando Paulo fala em corpo, quer dizer a pessoa. A sua sensualidade, como expressão da corporeidade humana. Corpo, na perspectiva antropológica paulina, não está indicando somente o componente material que, unido ao espiritual, constitui o humano. O humano é corpo e alma. O que é salvo é todo o ser. O humano não tem só um corpo, mas é também corpo. Seja o corpo que o espírito são do Senhor.