Roteiros homiléticos
5º DOMINGO DA QUARESMA – 21/3/2010
“Quem não tem pecados atire a primeira pedra!”
1ª Leitura: Is 43,16-21
Salmo 125
2ª Leitura: Fl 3,8-14
Evangelho: Jo 8,1-11
Caros irmãos e irmãs, já vêm se aproximando a preparação para o Tríduo Sacro que nos faz celebrar a Santa Páscoa. Os textos de hoje chamam a atenção sobre o que é a verdadeira justiça, ou sobre o que agrada a Deus e lhe dá louvor.
A 1ª Leitura trata da ação de Deus que conduz o seu povo. Este povo, sendo fiel, verá coisas maravilhosas e fantásticas, porque o Senhor ama o seu povo.
Por tudo isso, o profeta Isaías, em nome do Senhor, convida-nos a olhar para frente, para o mistério que é maior que qualquer outra ação de Deus: o mistério do Filho em sua paixão, morte e ressurreição: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?”
O Evangelho ajuda-nos a ver que a vontade de Deus é praticar a misericórdia. Os judeus, a todo custo, queriam achar uma prova para incriminar Jesus. Então conseguiram a mulher adúltera como prova. Mas onde e como acharam essa mulher? Será que eles já não a conheciam? Porventura não a visitavam, não era prostituta de muitos dos fariseus e mestres da lei? Pensando bem, podemos dizer que ela foi usada mais uma vez, agora para incriminar o Mestre da Justiça, mesmo que isso custasse a vida dela. Com certeza arranjariam outra prostituta para satisfazer os seus desejos escusos. Os fariseus põem Jesus à prova, pois, de um lado, não poderia ficar contra a Lei, o que seria um pretexto para acusá-lo de blasfêmia, e, de outro, era do conhecimento público sua misericórdia para com os pecadores. Jesus ficaria em maus lençóis se optasse por uma ou outra resposta. Jesus fica em silêncio, como que se os ignorasse, pois tamanha acusação merece o silêncio como resposta. Sabe que a preocupação de seus interlocutores, nesse momento, não é saber a vontade de Deus para ajustar-se a ela, mas apenas ter algo concreto para incriminá-lo. Mas, como eles insistem, ele resolve dar a resposta. Jesus responde com uma nova pergunta, dando um novo enfoque à questão: “Quem dentre vós não tiver pecado atire a primeira pedra!” Jesus não nega o juízo de Deus, mas convida os fariseus a olharem para si e aplicar a lei divina a si mesmos.
Todos perceberam que não tinham mais argumento, porque todos se reconheciam pecadores. Compreenderam que Jesus conhecia o coração humano e a miséria das incoerências dos fariseus. Diz o texto que Jesus escreveu no chão. O que escreveu não se sabe, mas podemos especular sobre que teria escrito. Imaginemos se escrevesse os nomes de muitos fariseus que tenham estado com a adúltera... Pensemos o que não causaria tal atitude na cabeça das pessoas. Talvez por isso todos fossem se afastando. Jesus fica a sós com a mulher, e dirige-lhe a palavra, perguntando se alguém a havia condenado. Diante da resposta negativa dela, ele afirma que também não a condenava. A mulher é despedida de forma imperativa por Jesus, que lhe ordena que não peque mais.
Jesus neste episódio revela o coração misericordioso do Pai e, como vimos domingo passado, acolhe o pecador arrependido e que retorna à graça de Deus. A justiça do ser humano é, principalmente, condenatória, diferente do juízo de Deus. A justiça de Deus é feita de perdão e de orientação para a mudança de vida. Na atitude de Jesus com a mulher pecadora, não se revela apenas a sua identidade messiânica e profética, posta em xeque pelos fariseus, mas manifesta-se, sobretudo, a fé da mulher, que confiou no seu juízo e, por isso, saiu justificada. Também se revela a incredulidade dos que se recusam a enxergar o testemunho de Jesus, o enviado do Pai.
A 2ª Leitura evidencia a vida cristã como configuração em Cristo. Paulo dirige-se aos filipenses, para exortá-los a configurar suas vidas na de Cristo, num perfeito ajustamento à vontade de Deus. O encontro de Paulo com o Ressuscitado fê-lo considerar de forma totalmente diferente tudo o que antes eram coisas importantes para si.
O que São Paulo deseja? Viver na sua vida, na sua carne, nos seus dias, a Páscoa do Senhor. Isto é conhecer Jesus Cristo! Não um conhecimento teórico, exterior, mas um conhecimento coração a coração, vida a vida, lágrima a lágrima, vitória a vitória!