Roteiros homiléticos
12° Domingo do Tempo Comum – 20/6/2010
“Voltarão os olhos para aquele a quem transpassaram” (Jo 19,37)
1ª Leitura: Zc 12,10-11;13,1
Sl: 62
2ª Leitura: Gl 3,26-29
Evangelho: Lc 9,18-24
Os versículos lidos hoje, tirados do livro do profeta Zacarias, tratam do processo de purificação do passado e dos pecados da divisão. “O profeta vê a possibilidade da reunificação de todo Israel, como nos tempos de Davi. Entretanto esta unidade não será algo imposto pelos governantes, como na época salomônica: para que ela surja e adquira solidez, é necessária a participação de todo o povo (v. 7). O primeiro ato exigido para a reunificação é reconhecer Javé como único Absoluto (olharão para mim). Em seguida, reconhecer os pecados de idolatria cometidos. O ‘transpassado’, aqui, designa o próprio povo, que, por seus pecados, sofreu a punição do exílio. Jo 19,27 aplica a Jesus esta imagem, por ele ter assumido os pecados de todos. O processo de purificação não é simplesmente um ato; é uma atitude, um processo contínuo, que exige a ‘refontização’ da própria vida em Deus” (Bíblia da Paulus).
Nós também nos precisamos purificar, para reunificar, seja na família, no trabalho, na Igreja e na sociedade, em continua divisão. Os espíritos de piedade e de súplica estão em falta em nossos dias. O secularismo cada vez mais presente, o consumo assumindo o lugar da alegria interior, o individualismo exacerbado e o subjetivismo fazem que a pessoa se autodetermine como absoluto, prescindindo de Deus. Uma lógica destas só pode trazer divisões, acomodações, violências, exploração de todos os tipos e, é claro, afastamento do sagrado, dos valores, das manifestações religiosas e da fé transcendente.
O trespassado é o Cristo, o próprio Deus que mataram, assim como o rei Josias, considerado bom, que tentava reunificar Israel, mas foi morto em Hadad-Rimon, na Planície de Megido. Matar a Deus não significa morte física, mas dentro da pessoa, como forma de excluir toda e qualquer ação divina nela.
A nascente que surgirá após a morte de Jesus Cristo será o novo Povo de Deus, a Igreja: “Naquele dia, jorrará uma nascente para a casa de David e para os habitantes de Jerusalém, a fim de lavar o pecado e a impureza.”
“Todos vós que recebestes o Batismo de Cristo, fostes revestidos de Cristo”
Os versículos 26-29 tratam do papel da Lei, que terminou com a chegada de Cristo. Pela fé nele e pelo Batismo, os homens revestem-se de Cristo, isto é, são transformados, para se tornarem imagem dele (cf. Cl 3,11). Em Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros.
Na 1ª Leitura vimos que Israel se dividiu por causa dos pecados. Quiseram construir uma sociedade prescindindo de Deus. Ainda em nossos dias isto causa tanto mal, muitas divisões. A causa maior talvez seja que não nos considerarmos mais filhos de Deus. Por isto Paulo insiste em dizer que “somos todos filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos vós, que fostes batizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo”.
Somos todos herdeiros segundo a promessa, porque fomos libertos do pecado da divisão, por Cristo Senhor. Pertencemos não a nós mesmos, mas a Cristo, que nos salvou. Portanto é necessário voltar à piedade e às súplicas pela santidade.
“És o Messias de Deus. O Filho do homem tem de sofrer muito”
“Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a ideia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isto, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica, e participar da sua vitória, terá de percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza” (Bíblia da Paulus).
Jesus orava, suplicava a Deus, porque estava na plenitude do Espírito Santo; em outras palavras, tinha piedade. Sentia a necessidade de saber o que acham dele. Porque a sua obra e a manifestação revelavam Deus-Pai. Não estava preocupado com seu ibope, mas se o povo estava compreendendo que o Pai lhe revelava. Quando percebeu que o povo ainda não tinha certeza, estava “achando” que era este ou aquele, Jesus resolver perguntar aos mais próximos, seus discípulos. Por meio de Pedro, eles revelam saber quem ele é.
Jesus proíbe-lhe severamente falar disto aos outros, porque não queria que vigorasse a ideia do falso messias que estava na consciência coletiva. O falso messias seria aquele que assumiria o poder temporal, seria rei, expulsaria os romanos e expandiria o território de Israel. O verdadeiro messias deve sofrer, ser rejeitado pelo povo, ser morto e ressuscitar no terceiro dia. Esta ideia não era fácil de ser aceita, nem mesmo pelos discípulos, imaginenemos então ser aceita pelo povo...