Roteiros homiléticos
Solenidade da Ascensão do Senhor– 16/5/2010
Cristo subiu, para ver a todos
e estar em todos os lugares ao mesmo tempo, como o Sol
1ª Leitura: At 1,1-11
2ª Leitura: Ef 1,17-23
Evangelho: Lc 24, 46-53
Acertadamente podemos dizer que a Ascensão do Senhor é sinônimo de nossa ascensão e, principalmente, da Sua presença entre nós. “Parece a descrição de uma solene liturgia! Cristo subindo para o altar entre nuvens de incenso. E a assembléia, de olhos maravilhados, contemplando aquela subida para o alto... E podemos ler, por exemplo, as palavras de Santo Agostinho no Sermão desta festa: “Hoje Nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com Ele o nosso coração. Temos de viver com o coração posto nas alturas. Não rastejando na mediocridade das paixões terrenas.” (Pe. Lucas).
Para entendermos a passagem da Ascensão, precisamos refletir em alguns pontos. Passou para outro modo de ser. Para o modo celeste de viver, “sentado à direita do Pai”. A Ascensão descrita por São Lucas não pode ser interpretada como se Jesus estivesse empreendendo uma viagem cósmica, em direção a um céu considerado como a parte de cima do Universo. É a limitação de nossa condição humana que nos faz dizer as coisas em linguagem tão material. Onde está o céu para onde Jesus subiu? Primeiramente, é necessário considerar que o céu não significa um lugar específico no tempo e no espaço. Para os judeus, o céu está nas alturas, local onde Deus sempre se manifestava. Acreditavam que Yahweh habitava nas nuvens que cobriam os picos das montanhas. Este fato originou-se da peregrinação do povo hebreu pelo deserto, que, ao sair do Egito rumo à Terra Prometida, foram acompanhados, guiados e protegidos por uma nuvem luminosa. Subir ao alto das montanhas, assim como fez Moisés e Elias, era estar em paz na presença de Deus.
Cientificamente, sabe-se que o espaço sideral não tem limites. O homem alcançou a lua, visitou outros planetas, e um dia poderá chegar a outras galáxias, sem, porém, encontrar o fim. Temos de ter humildade, para reconhecer que não sabemos exatamente como é isto. Mas adoramos o Senhor Jesus na eternidade, aguardando-o na esperança do Último Dia, que a nuvem da Ascensão de algum modo quis prenunciar.
Em qualquer lugar do mundo em que estejamos, vamos sempre encontrar o Sol, a Lua e as estrelas. Olhar para a subida de Jesus ao céu tem o mesmo significado, isto é, estar presente universalmente. Por isto a Ascensão foi necessária, porque, se Ele tivesse ficado fisicamente perto dos Apóstolos, não poderia ser onipresente. Jesus quis desaparecer diante de seus discípulos, para que eles assumissem a Missão de testemunhá-Lo até os confins do mundo. Do contrário, aqueles homens medrosos teriam cruzados os braços, esperando que tudo viesse do Mestre.
Toda vez que nos reunimos em comunidade, tornamos isto presente não só espiritualmente, mas também visivelmente, por meio da Sagrada Eucaristia. Portanto, cabe a nós acreditar na promessa de Sua eterna presença, e continuarmos a Missão delegada aos Apóstolos e, hoje, a nós.
Jesus ascendeu ao céu para, estando em todos os lugares o tempo todo, animar e motivar todo aquele que crê. Erradamente costumamos dizer que Deus criou o mundo, quando na verdade Deus iniciou a criação, e cabe a cada um de nós dar continuidade ao projeto por Ele iniciado. Da mesma forma, Cristo cumpriu seu papel no que diz respeito à nossa salvação. Contudo, nós também temos nossa parcela de responsabilidade, e devemos levar o Cristo Salvador às pessoas que ainda não o conhecem.
Estando no alto, Jesus age por meio do Espírito Santo. Tal como a chuva que cai fecunda a terra, o mesmo acontece quando recebemos em nossas vidas as bênçãos e as graças que vêm do alto.