Roteiros homiléticos

 

 11° Domingo do Tempo Comum – 13/6/2010

 

 “O Senhor perdoou o teu pecado: Não morrerá”

1ª Leitura: 2Sm 12,7-10.13
Sl: 31
2ª Leitura: Gl 2,16.19-20
Evangelho: Lc 7,36-8,3

“O capitulo 12,1-15 faz parte do trecho da parábola contada por Natã para forçar Davi a dar uma sentença contra si próprio. O erro de Davi foi usar o poder em proveito pessoal, e isto desencadeou ambições e competições dentro de sua própria família. Começa então a luta pela sucessão” (Bíblia Paulus).

Davi pecou, mas se arrependeu e se humilhou perante o Senhor. Todos os problemas na família, ambições, intrigas e fofocas foram causadas pelo pecado do monarca. O filho legítimo foi morto, Salomão, filho com a mulher de Urias, assumiu o trono depois da morte do pai, e foi justamente no reinado de Salomão que explodiram todos os tipos de conflitos, chegando a divisão de Israel em todos estados, após sua morte.

Pelo profeta Natã Deus revela as graças e as bênçãos dadas a Davi por ter sido fiel a Deus. Mas Davi afastou-se d’Ele, e, à medida que foi se afastando, foi descobrindo que não estava satisfeito com que tinha, mesmo tendo tudo, como o próprio texto afirma: “Como ousaste desprezar a Palavra do Senhor, fazendo o que é mal a seus olhos?” Matou, traiu e cometeu o pecado mais grave de todos: desprezou a Deus.

Isto acontece sempre, quando o ser humano deixa e prescinde de Deus. Comete pecados e vai se afastando de tudo de bom que possui, seja valores, família, bens materiais, etc. “Agora a espada nunca mais se afastará da tua casa, porque me desprezaste...”

Davi percebeu o seu erro e, arrependido, resolveu converter-se e voltar ao Senhor. Diante do sofrimento e da dor do pecado não restou senão confiar em Deus e recomeçar: “Pequei contra o Senhor.” Eis a solução para o pecador, confessar o seu pecado, porque isso demonstra confiança no perdão. Foi esta resposta do profeta Natã a Davi: “O Senhor perdoou o teu pecado: Não morrerás.”

“Não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim”
“O capítulo 2,15-21 revela que para Paulo nenhuma força humana, nem mesmo a Lei dos judeus, tem o poder de arrancar o homem da situação de pecado em que vive. Só um ato de Deus pode realizar isto, concedendo gratuitamente anistia. E Deus a concedeu por meio de Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados. Esta anistia proclamada na cruz chega até mim, no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou este dom. Acreditar em Jesus Cristo é colocá-lo no centro da vida, a ponto de poder dizer: “Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Bíblia Paulus).

É justamente à medida da cristificação da pessoa, que se evidencia a vida de Cristo nela. A fé não busca somente as obras da Lei mosaica, mas se enquadra na interiorização, onde Cristo habita e nos assume à medida da fé. Morremos na Lei, mas vivemos nas obras do Evangelho. Somos agentes de transformação mediante a nossa fé, pelas obras, e obras, porque há fé: “Com Cristo estou crucificado. Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.” Portanto, não tornemos a graça de Deus em vão, e a morte de Cristo sem valor.

“São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou”
“Do capitulo 7,36-50 até 8,1-3 trata do amor que perdoa muito. O fariseu não se considera pecador; por isso, fica numa atitude de julgamento, e não é capaz de entender e experimentar o perdão e o amor. Jesus mostra que a justiça de Deus se manifesta como amor que perdoa os pecados e transforma as condições das pessoas. O amor é expressão e sinal do perdão recebido. Jesus continua sua Missão, e vai formando uma comunidade nova, a partir daqueles que são marginalizados pela sociedade do seu tempo, como eram as mulheres. Elas também são parte integrante do grupo que acompanha Jesus” (Bíblia Paulus).

Muitas vezes esta mulher pecadora é confundida com Maria Madalena. Ledo engano. É plausível que também não seja aquela pecadora apresentada a Jesus na praça para ser apedrejada. As duas não têm nome; são, portanto, anônimas, como são, na sociedade, as pessoas marginalizadas e sem valor, nem nome têm, talvez algum número... Maria Madalena foi curada de muitas doenças, ou seja, de sete demônios, o que simboliza que ela estavesse muitíssimo doente; uma vez curada não deixou de seguir Jesus, por toda a vida.

Ela chora muito, arrependida como Davi, banhava-lhe os pés com as lágrimas. Na tradição judaica era de bom-tom oferecer água para o hóspede, e, por vezes, eram-lhe lavados os pés. Diante do julgamento do fariseu, Jesus apresenta-lhe uma parábola, e faz ele mesmo se condenar, pois nem sequer ofereceu a Cristo água para lavar os pés. Diante do fato, o amor prevaleceu, e a vitória não foi ou não é de quem se considera bom ou digno perante Deus. O amor perdoa, e quem muito ama é porque foi muito perdoado.

“Quem é este homem, que até perdoa os pecados?” É Deus que sabe do amor e conhece o intimo das pessoas. Mas quem perdoa mesmo é o amor e a fé. Portanto, é o amor e a fé que nos salvam: “A tua fé te salvou. Vai em paz.”

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