Roteiros homiléticos

 

 15° Domingo do Tempo Comum – 11/7/2010

“Esta palavra está perto de ti, para que a possas pôr em prática.”

1ª Leitura: Dt 30,10-14
2ª Leitura: Col 1,15-20
Evangelho: Lc 10,25-37

A primeira leitura apresenta-nos o texto da época do exílio. “A infidelidade causou as maldições anunciadas em 28,15-68. Tudo perdido? Não. Abre-se uma esperança: o povo deve meditar sobre a experiência histórica, converter-se novamente para Javé, e obedecê-lo radicalmente. Então o processo histórico mudará: o povo será novamente reunido, tomará posse da terra, e terá um novo tempo de bênçãos (cf. nota em 29,8-14). O Deuteronômio projeta o caminho de uma sociedade fraterna e igualitária: a justiça. O povo não pode desculpar-se, perguntando: “O que devo fazer?” O caminho já está ao seu alcance. Basta meditar nele, mudar a consciência e organizar a prática” (Bíblia da Paulus).

O texto expressa-se de forma insistente e dramática, para que o povo escute a voz do Senhor seu Deus, e cumpra novamente os preceitos e mandamentos que estão no livro da Lei. Moisés reforça a necessidade da conversão, com o coração e toda alma. Tudo se renovará a partir da conversão, todas as graças e bênçãos do Senhor estão ao alcance de todos, quando há mudança e conversão.

Os mandamentos não são pesados nem distantes do nosso alcance. Não precisamos subir ao céu. Basta rever a conduta e voltar ao caminho da prática do bem e dos preceitos que Deus colocou para dar segurança, e saber para onde caminhar.

Deus não está além-mar, nem no fundo dele, nem no céu, muito menos em países distantes. Se estivesse além-mar, ele estaria salvo. Se estivesse no fundo mar, somente os peixes seria salvos. Se no céu, seria salvo somente o espaço sideral. Mas ele está em meio a nós. Portanto ao nosso alcance, e a prática que deseja é que o amemos nos irmãos e irmãs: eis o maior mandamento.

“Por Ele e por Ele tudo foi criado.”
“Para animar os colossenses a permanecerem firmes na fé, Paulo cita um hino cristão, provavelmente usado na cerimônia batismal, que canta a grandeza de Cristo. Ele se serve desse hino, para criticar toda doutrina que apresente como necessárias outras mediações salvíficas, além da de Cristo. Cristo é o único mediador entre Deus e a criação, e só ele, mediante a cruz, é capaz de reconciliar Deus com as criaturas, submetidas ao pecado.

A introdução ao hino mostra como o pecado interferiu na criação, fazendo que a obra de Cristo se tornasse redentora, mediante uma nova criação.

O Deus invisível e inatingível torna-se visível e acessível em Jesus, o Filho que se encarnou no mundo e na história. Jesus é, portanto, o verdadeiro Adão (Gn 1,26s). Existindo antes de qualquer criatura, ele se torna modelo, cabeça e único mediador do universo criado. No hino primitivo, o termo “corpo” (v. 18) significava “universo”; com o acréscimo da expressão “que é a Igreja”, passou a indicar a comunidade da nova criação, da qual Cristo é a Cabeça.

Primeiro a ressuscitar dos mortos, Cristo é o novo Adão, pois na nova criação ele é o Primogênito. Assim, o poder vital de Deus torna-se acessível aos homens por meio de Cristo, reconduzindo a criação à paz. A pacificação do universo está na remissão dos pecados realizada por Cristo na cruz” (Bíblia da Paulus).

“Quem é o meu próximo?”
O evangelho vem ao encontro da 1ª Leitura de hoje, e mostra como praticar os mandamentos e viver o amor. “O primeiro a colocar obstáculos no caminho de Jesus é um teólogo. Este sabe que o amor total a Deus e ao próximo é que leva à vida. Mas não basta saber. É preciso amar concretamente. A parábola do samaritano mostra que o próximo é quem se aproxima do outro para lhe dar uma resposta às suas necessidades. Nesta tarefa prática, o amor não leva em conta barreiras de raça, religião, nação ou classe social. O próximo é aquele que eu encontro no meu caminho. O legista estabelecia limites para o amor: “Quem é o meu próximo?” Jesus muda a pergunta: “O que você faz para se tornar próximo do outro”?” (Bíblia da Paulus).

A pergunta do doutor da lei foi capciosa, mas Jesus, sabendo o que se passava no seu íntimo, fez-lhe outra pregunta. Jesus apelou à Lei, pois sabia que o interpelador a conhecia muito bem. A resposta foi aquela que Jesus esperava, e mandou o doutor da lei vivê-la. Não basta saber ou conhecer a lei, é necessário praticá-la.

Citando o Deuteronômio como resposta, respondeu bem, mas, para se justificar, quis saber quem é seu próximo. Jesus conta-lhe uma parábola conhecida como do Bom Samaritano. Ela conta que nem sempre o mais religioso ou o mais estudado vivem o que professam e conhecem. Pois a razão não está longe do coração, mas o coração sempre tem razões de amor para superar a razão. O caminho da razão ao coração é difícil; o mais curto, porém o mais árduo. Uma vez feito o caminho, a união dos dois faz o milagre do humanismo levado a máxima expressão divina, o ser humano semelhante a Cristo.

Quem é o seu próximo? A pergunta deveria ser: quem está próximo? Ter compaixão significa sentir com o outro, e, como sente como o outro, quer fazer algo para não sentir mais tal coisa; portanto, fará de tudo para ajudar a aliviar o outro, aliviando a si mesmo. Compaixão é sofrer com e fazer de tudo para aliviar, e dar somente a companhia, e tirar a paixão, sinônimo de sofrimento.

Aquele que não era religioso, nem instruido, salvou o assaltado. Não usava a razão, mas o coração, sem preconceito, porque isto é inimigo do amor. Os que tinham a ciência da fé e da Lei não fizeram nada, porque usaram a razão, e não o coração. Ainda estão cheios de preconceitos e preceitos criados por eles mesmos, e não por Deus.

O doutor responde certo novamente, e Jesus manda-o fazer o mesmo, ou seja, então será perfeito praticante daquilo em que crê.

De quem nós cristãos nos fazemos próximos? Praticamos o que cremos, e cremos naquilo que professamos? Temos a união de razão e coração, ou vivemos separando fé e vida? A nossa compaixão é somente com os parentes, ou saimos e vamos ao encontro dos que sofrem?

Se a resposta for sim, podemos cantar o hino cristológico que aparece na 2ª Leitura, pois estamos unidos a Cristo, ou, em outras palavras, estamos cristificados.

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