Roteiros homiléticos

 

 

2º Domingo da Páscoa – 11/4/2010

 

1ª Leitura: At 5.12-16
Salmo 117
2ª Leitura: Ap 1,9-11a.12-13.17-19
Evangelho: Jo 20,19-31

Queridos irmãos e irmãs, a Igreja celebra hoje, no 2° Domingo da Páscoa, o Domingo da Divina Misericórdia.

Este Domingo, proclamado pelo Papa João Paulo II no Jubileu do Ano 2000, surgiu a partir da experiência mística de Santa Ir. Faustina Kovalski, em 1931, uma polonesa que recebeu o dom e a graça de pregar a misericórdia de Deus, a misericórdia de Jesus. Ela lembrava que no 2° Domingo da Páscoa o Salmo canta as misericórdias de Deus – “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia” –, e mereceria ser conhecido de todos o lado direito aberto de Jesus crucificado, do qual jorraram sangue e água, símbolos da misericórdia e sacramentos brotados para a vida da Igreja. A Igreja acolheu a mensagem da Ir. Faustina, e espalhou pelo mundo todo a celebração da Divina Misericórdia, lembrando que Cristo, por sua imensa misericórdia e seu imenso amor por nós, ressuscitou, e todos aqueles que acolhem Jesus, acreditam no testemunho da comunidade, como os Apóstolos e, depois, a Igreja e todos nós. Todos somos alvos da Misericórdia de Deus. Seremos acolhidos no coração misericordioso de Deus, e teremos sempre a paz.

Ouvimos que o Evangelho diz “no primeiro dia da semana...” Primeiro dia do Gênesis. É a Criação. No primeiro dia Jesus ressuscita e vai à presença dos Apóstolos. Quer dizer que surgiu uma Nova Criação. A antiga criação era pecaminosa, o pecado entrou nessa criação pelo homem. Então, a partir de Cristo, que é o Filho de Deus, recria-se o mundo, eliminando-se o pecado. Jesus diz: “A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; e a quem não perdoardes, eles serão retidos.” Isto quer dizer que quem acolhe Jesus ajuda a recriar um mundo novo, um mundo mais justo e fraterno, e seus pecados serão perdoados. Aqueles que rejeitam Jesus, permanecem no seu pecado, e, por isso, a comunidade não pode perdoar os pecados, porque eles não querem ser perdoados.

A 1ª Leitura diz que eles faziam curas, mas nós hoje podemos fazer milagres maiores, não esperando um milagre sobrenatural. Infelizmente esperamos um milagre sobrenatural apenas para nós. O milagre que nós podemos fazer é o milagre da fé, da solidariedade, o milagre de aceitar Jesus e praticar as coisas que Ele nos ensinou: perdoar, ser solidários, fraternos, praticar o bem, promover as pessoas, esse é o milagre que o mundo de hoje necessita, não há outro milagre que nós precisamos, senão esse, e com esse milagre nós estaremos ressuscitando e manifestando Jesus vivo no meio de nós.

É a comunidade dos Apóstolos que faz a experiência do Cristo ressuscitado e revela isso aos demais irmãos. E João escreve este texto, justamente lembrando o seguinte: que na época havia dois tipos de cristãos, “duas categorias”, os que tinham visto Jesus ressuscitado e aqueles que eram contemporâneos a eles e que não o tinham visto.

Então, aqueles que não tinham visto Jesus ressuscitado achavam-se cristãos de segunda categoria, porque Ele não aparecera a eles. Pensavam que os primeiros fossem mais felizes, porque viram Jesus ressuscitado. Surge a história de Tomé, contada por João. Tomé é essa comunidade que não viu Jesus ressuscitado; crê em Jesus, mas quer ver sinais, quer ver milagres, quer ver coisas sobrenaturais.

Quem participa da Eucaristia, corpo e sangue de Cristo, também participa do coração de Deus, e Deus se revela no coração humano. E assim, a Divina Misericórdia sempre está presente em nossa luta, em nosso trabalho e em todos os nossos dias.

Na 2ª Leitura João diz “não tenham medo”, porque Deus mandou seu Filho, para morrer por amor por nós, para nos dar coragem, nos renovar, nos dar esperança, nos ajudar a superar nossos medos, nossas inseguranças, e dá-nos a certeza de que realmente vale a pena viver aqui na terra a alegria da fé, a prática do projeto de Jesus.
Para falar um pouquinho sobre isso, lembro um fato que aconteceu com dois pedreiros que foram contratados para quebrar pedras do mesmo tamanho. Aí perguntaram a um pedreiro: o que você está fazendo? Estou quebrando pedras. E o outro, estou construindo uma catedral. Mas como assim? Essas pedras vão ser o alicerce de uma catedral. E você, o que está construindo? Tô quebrando pedras: este só via as coisas da realidade daquele momento. Não tinha esperança, não tinha visão do futuro, não tinha fé.

Enquanto o outro, mesmo que fosse duro naquele momento, já tinha visão do que iria acontecer. Então existem dois tipos de cristãos: aqueles que quebram pedra a vida inteira, não têm perspectivas no sentido da fé nem da ressurreição, e há aqueles que, apesar das dificuldades e inúmeros sofrimentos, veem a perspectiva de uma catedral no céu. Ou seja, a ressurreição. Então qual tipo de cristão é você? Um feliz e outro infeliz. O infeliz quer Cristo para essa vida, e o feliz torna-se vida e esperança, a exemplo de Cristo, para vida dos outros. Porque há uns aos quais Cristo tem de servir, e outros que servem a Cristo: qual deles é você?

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