Roteiros homiléticos
1º Domingo do Tempo Comum – Batismo do Senhor – 10/1/2010
“Uma vez que somos batizados, pertencemos a Deus...”
1ª Leitura: Is 42,1-4.6-7
Salmo: 29
2ª Leitura: At 10,34-38
Evangelho: Lc 3,15-16.21-22
Diante do Evangelho que acabamos de proclamar, vem-nos imediatamente a pergunta: por que Jesus foi batizado, já que ele é Deus? O Batismo não é para os arrependidos dos pecados? Não é para nos purificar do pecado original?
As leituras têm um anuncio sobre a identidade de Jesus. A 1ª Leitura interpreta o mistério do Senhor, colocando-o na linha da dinastia davídica, da promessa de um messias, exortando o povo da necessidade da conversão, para assim acolhê-lo dignamente.
A 2ª Leitura apresenta um olhar sobre a profundidade do mistério de Jesus, aquele que pertence à humanidade, mas é Deus. Quem dá testemunho disso é água, é o sangue e o Espírito Santo.
O evangelista Lucas apresenta a preparação do ministério de Jesus em três momentos: o primeiro coloca a cena da pregação de João Batista, o segundo conta o Batismo de Jesus, o terceiro mostra Jesus como filho muito amado.
O Batismo do Senhor poderia ser chamado de segunda Epifania. Temos de fato uma nova manifestação ou declaração oficial sobre o Filho de Deus feito homem e a sua missão de Salvador.
João Batista explica que o Batismo que ele administra é apenas um rito de penitência e um Batismo de água; mas virá Aquele que batizará com fogo, portador da virtude e poder do Espírito Santo.
Jesus submete-se ao rito. Ele não tem necessidade de ser batizado, porque não tem pecados para serem perdoados, nem necessita de penitência. Não obstante, une-se e se confunde com as pessoas do povo, curvadas sob o peso da culpa, isto é, solidariza-se com eles e coloca sobre si os seus pecados, para aliviá-los do peso da culpa.
Certa vez dois meninos brincavam de esconde-esconde. Mas o que devia procurar não procurou. Depois de longo tempo, o menino que se tinha escondido descobriu que o colega não o procurou, e foi embora chorando e reclamou com o avô do primeiro. O avô o consolou dizendo: “Assim também diz Deus. Eu me escondi, mas ninguém me quer procurar.”
Cristo caminha conosco, de modo escondido, mas todos que o procuram o encontram. Caminha e caminhará, enquanto existir uma única pessoa no mundo. Porque Ele está entre nós. E ali O encontramos. O humano não pode deixar de experimentar algo além de si mesmo.
Atualmente a situação nos revela duas realidades claras: de um lado parece que cada vez mais pessoas procuram Cristo como válvula de escape, um socorro para solucionar os problemas financeiros ou problemas de saúde. Por si só não há nada de errado nisso. Mas, depois que alcançaram o objetivo, voltam à vida de antes, indiferentes, não se interessam por Cristo. De outro lado, muitos procuram o Batismo. Mas o fato triste nisso é que para muitos é apenas um ritual vazio e social. Para outros, ainda, uma superstição. Deus adota-nos como filhos e filhas em Cristo. Uma vez que somos batizados, pertencemos a Deus. Ele devolve a criança aos pais, porque confia neles, por isto é bom que estejam casados no religioso. Mesmo que Ele devolva a criança, ela não pertence mais aos pais. Os pais que batizam a criança e depois nunca mais a aproxima de Deus mediante os sacramentos poderiam ser comparados a um casal separado, um deles não deixa o outro ver a criança, que também é dela. Os pais que não levam a criança batizada às missas e aos sacramentos afasta a criança do verdadeiro Pai. Em outras palavras, poderíamos dizer: sequestraram a criança de Deus, pois Ele é o Pai verdadeiro.
O saudoso Papa João Paulo II muitas vezes conclamou os cristãos e o mundo a olhar para Cristo, abrindo a porta a Ele com confiança. Toda mensagem evangélica está clara, ela nos ajuda a encontrar Cristo, porque ela é o caminho para descobrir e achar o Salvador. O Filho de Deus, que achou a humanidade, tornou-se pobre como nós. Jesus é a Palavra de Deus, que deve ser escutada, porque tem algo de radicalmente verdadeiro a dizer ao coração de cada pessoa.
Sejamos solidários com Jesus, já que somos dele, porque recebemos o Batismo, que nos consagrou a Deus. Templos do Espírito Santo e vivendo da graça, devemos também nós comportar-nos, de modo que o Pai Eterno possa se agradar de nós. Cristo conquistou-nos e estamos com Ele e por Ele a ser “salvadorores” dos irmãos, a viver o nosso Batismo no relacionamento com Deus, como também os gestos, atitudes e ações com os irmãos (na paróquia, na família, no trabalho, na dor, em todo ato da vida cotidiana), dando testemunho, com a vida e a palavra, da bondade e da misericórdia do Pai, para assim seguir no serviço da caridade, empenhando-nos na Missão de Jesus no mundo de hoje.