Roteiros homiléticos

 

 

3º DOMINGO DA QUARESMA – 7/3/2010

 

1ª Leitura: Ex. 3,1-8a.13-15.
Salmo 102
2ª Leitura: 1Cor 10, 1-6.10-12
Evangelho: Lc 13, 1-9

Deus se faz história conduzindo o humano na história

Deus é a história e se faz história por meio das pessoas de bem e quem dEle fala à humanidade pelas obras da justiça e amor. O criador do mundo guiou os patriarcas, chamou Moisés para libertar os escravos do Egito e, depois de ter enviado os profetas, revelou-se como Pai de Jesus Cristo, o emissário por excelência, ressuscitado e presente nas comunidades cristãs. Pela presença divina na história, Deus nos questiona se acolhemos ou não a oferta de vida plena para todos ou continuamos a destruir e matar pelas inconseqüências de nossas ações sem Deus.

As crises financeiras, as violências, os desastres e as catástrofes da natureza, parecem ser a pior coisa do mundo. Porém a falta de Deus faz sobrevir sobre a humanidade desastre ainda pior, a falta da experiência do amor. Alma humana só é feliz e satisfeita quando acolhe a Deus e só Ele pode preenche-la. A pessoa não pode existir em si mesmo, mas recebe de Deus a proposta de ser completo quando responde, aqui estou.

O evangelho nos convida à metanóia, à conversão, a mudança de vida, uma nova direção. O texto faz parte dos discursos dos sinais dos tempos em Lucas. As pessoas tinham idéias erradas sobre a ação de Deus, portanto, o texto quer corrigir isso, por isso narra às duas desgraças públicas da época.

 Muitos se tinham como justos diante de Deus e consideram os desastres e as suas vitimas como sendo castigo de Deus pelos pecados cometidos. Jesus lembra a todos que são pecadores tanto quanto, por isso precisam se converter, ou seja, mudar de mentalidade. Significa acolher Deus e sua oferta de salvação em Jesus Cristo. Quem rejeita a Jesus rejeita o projeto de Deus. Com a ressurreição de Jesus, Deus mostra que está ao lado das vítimas e concede a elas a vida plena, pois muitos deles são vitimas de injustiças e maldades quem rejeitou o projeto de Deus e O desprezam.

A figura da figueira vem confirmar a necessidade de conversão e produzir os frutos bons desejados e esperados por Deus. A imagem da figueira estéril era muito comum na época para indicar o comportamento infiel do povo (cf. Jr 8,13; Mq 7,1). Mas o Criador é paciente e há ainda uma última tentativa, esperar a conversão. Isso significa que, na ação e na palavra de Jesus, nos é oferecida a última oportunidade de conversão, de decisão, pois o julgamento está próximo (Lc 13,9).

Deus se dá a conhecer: “EU SOU”. Moises recebeu a missão de ir ao encontro do povo revelando esse Deus. Eu Sou, me envia a vós para vos tirar da escravidão.

A sarça ardente é representada na liturgia judaica como o candelabro de sete lâmpadas sempre aceso no tabernáculo (hoje nas sinagogas), simbolizando a presença de Deus na criação e na história. Caberia ao judeu nunca deixar faltar o óleo (a fé) para que o ser humano fosse tocado pela presença de Deus.

Moisés viu a sarça ardendo sem se consumir. Deus não tem a intenção de destruir as coisas para se fazer notado. Deus se faz humilde na sarça e na vida de qualquer pessoa para que ela não seja destruída em nenhum momento desde a concepção até seu declínio natural.

O Senhor chama Moisés a uma missão. De libertar o povo da escravidão. Os verbos empregados indicam a presença constante de Deus junto ao povo: eu vi, eu ouvi, eu conheço as angústias dele, eu desci, eu te envio.
O Deus sempre presente e acolhedor do ser humano envia mensageiros para que sua presença possa ser efetiva nos que estão em situação de escravidão, para os que têm a dignidade negada. Deus é o existente e a fonte da existência de todos os seres. Seu nome significa que ele é um mistério e só pode ser visto por meio do ser humano, sua imagem. Por isso qualquer tipo de escravidão é uma ofensa a Deus, pois a imagem de Deus é roubada do ser humano quando a dignidade deste é negada.

Na segunda leitura vimos a presunção dos coríntios lhes fez crer que a participação regular nos sacramentos lhes era garantia de ser verdadeiros cristãos. Mas, com uma leitura acurada dos eventos do passado, Paulo procura conscientizá-los desse engano. Os sacramentos revelam a presença de Deus entre nós e nos questionam sobre o tipo de vida cristã que estamos assumindo. Eles não nos foram dados para o conformismo e para a presunção, mas como fonte, cume e critério da práxis cristã.

 

topo


© Site das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, todos os direitos reservados.