Roteiros homiléticos

 

 10° Domingo do Tempo Comum – 6/6/2010

 

A atividade libertadora de Jesus é a grande “visita” de Deus que vem salvar o seu povo. Esta visita é a manifestação do amor compassivo, que atende aos mais pobres e necessitados.

1ª Leitura: 1Rs 17,17-24
Sl: 29
2ª Leitura: Gl 1,11-29
Evangelho: Lc 7,11-17

“Os textos de 1Rs 17–2Rs 2 são os capítulos que apresentam a história do profeta Elias, que praticamente encabeça em Israel a história do profetismo clássico. O texto fornece seis episódios, que transmitem narrativas populares sobre a pessoa e atividade do profeta. O tema central é o confronto de Elias com a política do rei Acab, que trazia sérias consequências para a vida do povo. Desse modo, Elias cunhou o profetismo clássico com a marca da ação política e social, que estará presente em todos os outros profetas” (Bíblia da Paulus).

O texto de hoje apresenta que o verdadeiro profeta não é portador da morte para o povo. O sinal de que o profeta anuncia a Palavra de Deus é o fato de ele ser portador de vida. Não veio para condenar nem para lembrar apenas dos pecados que causam a morte espiritual e também a morte física. O profeta tem obras a favor da vida, por isto Elias pede o filho da viúva de Sarepta: “Dá-me o teu filho.” Em outras palavras, podemos dizer que ele afirma que deve dar o filho a Deus. O fato de levar para o quarto de cima, simboliza levá-lo para o alto, onde se encontram a vida, a fé, a esperança e nossa existência derradeira. Enquanto jazia no seu leito, como em toda sua existência, o homem de Deus invoca com fé e com a força da confiança: “Senhor, meu Deus, fazei que a alma deste menino volte a entrar nele.” Pelo favor que a viúva fez ao profeta, a recompensa tornou-se viva no filho.

O Senhor atendeu a prece e a voz do profeta e o menino voltou a viver. Esta Leitura anima-nos a confiar mais e mais no Senhor. Abandonar-nos nos braços do alto, subir ao interior da esperança e da fé. Deixemo-nos conduzir pelos homens de Deus. O profeta o devolve à mãe, que exclama com alegria pela obra de Deus, revelado no homem de Deus.

“Deus quis revelar em mim o seu Filho, para que eu O anunciasse aos gentios”
“Os judeu-cristãos criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele não é Apóstolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo defende-se, contando a história da sua vocação (cf. At 9), nascida de uma experiência direta de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experiência transformou-o profundamente: de perseguidor, ele se tornou Apóstolo. Na origem da sua Missão, portanto, não há nenhuma interferência humana. Quando Paulo vai a Jerusalém, é simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. At 9,23-30)” (Bíblia da Paulus).

Paulo defende sua Missão como inspiração divina, e não humana. Foi Cristo que o chamou e o enviou. Portanto conta a sua trajetória de perseguidor dos cristãos e seu proceder zeloso nas tradições judaicas e na religião judaísta. Seu histórico e sua vocação não deixam dúvidas sobre a inspiração divina de seu apostado e Missão.

A graça de Deus tudo pode, e é ela que converte, conduz e renova os corações humanos. Assim foi com Paulo, assim é com cada um de nós. Quem nos torna dignos para a Missão de cristãos, para nosso ministério pastoral, para o testemunho vivo da vida na graça é sempre o Senhor, mediante o Espírito Santo. Paulo foi vocacionado para ser o evangelizador dos pagãos, por causa de sua disponibilidade. Deus chama e envia os disponíveis, capacitando-os com a sua graça: “Basta a minha graça.”

“Jovem, Eu te digo: levanta-te!”
A atividade libertadora de Jesus é a grande “visita” de Deus que vem salvar o seu povo. Essa visita é a manifestação do amor compassivo, que atende aos mais pobres e necessitados.

Jesus Cristo é o missionário itinerário do Pai Eterno, peregrinando por todo Israel, encontra-se com os mais abandonados e carentes de tudo, inclusive da religião oficial, que os relegava a marginalidade.

Quando chega à cidade de Naim, um povoado insignificante e sem expressão da Galileia, viu um fato triste, um jovem, filho único de uma viúva, morto, sendo levado para o cemitério. A compaixão de Jesus talvez não fosse pelo morto, mas sim pela mãe, viúva e sozinha, agora sem o filho, o único baluarte em sua vida. Pois as viúvas sem filhos eram enjeitadas e marginalizadas pelos parentes do marido. Pobre mulher, sem marido e sem filhos, o que sobraria pra ela? Somente tristezas e sofrimentos. Como no caso da viúva de Sarepta, aqui também Deus revela sua compaixão pela humanidade. Este e outros milagres revelam a contradição da antiga visão teológica da religião judaica, que via nestes fatos o castigo de Deus por causa dos pecados. Jesus coloca-se como quem revela uma nova realidade divina.

A viúva não pediu nada a Cristo, ele se compadeceu e consolou a mulher. Na 1ª Leitura, é a mulher que suplica ao profeta, aqui o próprio Jesus toma a iniciativa e pede ao jovem para sair do estado em que se encontrava, ou seja, que levantasse da morte e vivesse. O jovem foi entregue por Jesus à mãe.

Na 1ª como na 2ª Leitura o profeta entrega o filho à mãe. O povo dizia: “Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo.” Cristo em sua morte, salva a todos e dá a nós a mãe. Interessante o trocadilho. Vivo, Jesus dá os filhos à mãe; na morte, entrega a mãe aos filhos.

Muitas mães ainda hoje sofrem a perda e a morte prematura de seus filhos. Muitos podem ser tirados do leito da morte, pois são mortes espirituais, de valores e das drogas. É nossa Missão, como a de Elias, de Jesus Cristo, de ter compaixão e salvar as crianças e jovens da escravidão dos vícios e da falta de valores espirituais e morais. Tiraremos muitos do caminho do cemitério, apresentando a eles nosso histórico de vida plena em Jesus Cristo, a exemplo de Paulo, que a todos anunciou o Salvador da humanidade, Jesus Cristo.

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