Roteiros homiléticos

 

 

Domingo da Ressurreição (Páscoa) – 4/4/2010

 

1ª Leitura: At 10,34a.37-43
Salmo 117
2ª Leitura: Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Evangelho: Jo 20,1-9 ou, à tarde, Lc 24,13-35

Hoje é o dia mais solene do ano: é a Páscoa!

Aquele que vimos envolto em sangue, tomado pelas dores da morte na Sexta-Feira, Aquele que velamos respeitosamente no silêncio da morte no Sábado, agora o proclamamos Ressuscitado, Vivo, Vitorioso!

A Páscoa deve frutificar em renovação e restauração de toda a humanidade. A narrativa da ressurreição de Cristo mostra sinais da ausência do morto. No entanto, será que apenas estes sinais são suficientes para crermos que Ele realmente ressuscitou? Nem o túmulo vazio, nem as aparições aos Apóstolos, nem o testemunho de Maria Madalena são provas da ressurreição de Jesus. Poderia alguém, como se suspeita fortemente, na ocasião, ter retirado e escondido o corpo e em outro lugar, instigando assim o imaginário coletivo dos Apóstolos, na afirmação de que seu Senhor havia ressuscitado. Quanto às aparições, poderiam ser atribuídas a uma espécie de história coletiva,. Diante do medo e da insegurança que os discípulos viviam, é perfeitamente justificável que tais visões fossem frutos da imaginação. Outra hipótese, que os Apóstolos compactuassem de uma fraude, para protegerem-se das perseguições. Entretanto, se realmente este fosse um segredo jurado entre “os doze”, como poderia perdurar até hoje? Simplesmente, impossível...

Então, qual é a verdadeira prova de ressurreição de Cristo? A resposta encontramo-la na 1ª Leitura. Pedro era uma pessoa sem instrução, inseguro, fraco e até mesmo covarde. Mesmo tendo acompanhado o Mestre por tanto tempo, não foi capaz de compreender sua mensagem, e ainda O confundia com um messias apenas temporal e terreno. Além disso, ainda negou Jesus, ainda vivo, três vezes. Refletindo neste aspecto, como pôde Pedro transformar-se complemente após a morte de Jesus, a ponto de pregar com desenvoltura, eloquência e coragem, chegando ao extremo de entregar a própria vida? Sim, a transformação de Pedro é realmente o primeiro sinal concreto da ressurreição, pois por si só ele não teria a capacidade, a inteligência, o destemor, a força, e muito menos o Espírito de Deus habitando nele, para pregar da forma que pregou a tantos povos.

Quem, em sã consciência, daria a vida por alguém morto? Não só Pedro, mas todos os demais Apóstolos morreram como mártires, pregando e defendendo a causa de Cristo, porque tiveram a certeza da ressurreição. São Paulo dizia: “Viver para mim é pesar, morrer seria lucro”, porque tinha fé e certeza de poder habitar com Cristo ressuscitado depois que morresse.

Páscoa não se trata de celebrar o fato acontecido 2000 anos atrás, mas sim a nossa própria Páscoa. Pois, se nós acreditamos, como o Apóstolos, que Cristo ressuscitou, que ele habita em nós, então nossa vida deve se pautar nas “coisas do alto”. Tudo isto significa vida nova, vida de pregador, de missionário, de perdão, de fé, de amor e de promoção da dignidade humana. Acreditando na ressurreição, não se teme morrer, mas se teme não viver. Cristo nos garantiu que todo aquele que nele crer e viver os seus ensinamentos terá parte com Ele e na sua vitória. Portanto, celebrar a Páscoa é celebrar a nossa vitória, a vitória sobre a morte.

Para exemplificar o fato, poderíamos fazer algumas comparações: séculos atrás, quem poderia imaginar que o homem disporia de tamanha tecnologia na área da comunicação? As notícias do mundo chegando em tempo real pelos canais de rádio, televisão, internet, etc. Ou quem poderia imaginar que fosse possível transplantar órgãos de um corpo para outro, dando continuidade à vida? Ninguém. Da mesma forma, no tempo de Jesus ninguém poderia admitir que alguém pudesse viver depois de morto. Porém Jesus Cristo irrompeu nesta falta de visão e de inteligência. A morte é o nosso segundo parto, é a passagem para terceira dimensão da vida. Vida uterina, terrena e eterna.

Não podemos limitar o Criado: “Deus é tão grande quanto você o deixa ser, e tão pequeno quanto você o obriga ser.” Cristo ressuscitou, vive em nosso meio, e quanto mais humanos formos, mais revelaremos o divino.

Irmãos, por esta fé nós vivemos, por esta fé somos cristãos, nesta fé empenhamos todas as vidas! Neste Dia Santíssimo, Jesus entrou na glória do Pai. Nós continuamos aqui; ele já não mais está preso a nenhum dia, a nenhum tempo, a nenhuma limitação: ele entrou na eternidade de Deus, na plenitude do seu Deus e Pai! Irmãos, escutemos: a Morte, hoje, foi vencida! Jesus abriu o caminho, Jesus atravessou o tenebroso e doloroso mar da Morte, Jesus entrou no Pai! Jesus “passou”, fez sua Páscoa!

Eis a Páscoa de Cristo e nossa! Na certeza desta vida nova, renovemos nossas vidas! “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos para alcançar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus”: vivamos uma vida nova em Cristo! Crer na sua ressurreição, viver sua vida de ressuscitado é, já agora, viver numa perspectiva nova, viver com o olhar a partir da Eternidade. São Paulo diz, para a solenidade de hoje: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade ou da perversidade, mas com os pães sem fermento de pureza e de verdade”. É o pão sem fermento, pão ázimo, da Eucaristia que vamos comer daqui a pouco, pão que é o próprio Cordeiro imolado, Cordeiro pascal, Cordeiro que tira o pecado do mundo. Vamos entrar em comunhão com ele, vivo e vencedor!

 

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