Roteiros homiléticos

 

 Epifania do Senhor – 3/1/2010

 

“Abandonar-nos totalmente nas mãos de Deus, eis o presente que agrada a Deus...”

1ª Leitura: Is 60,1-6
Salmo 72
2ª Leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho: Mt 2,2-12

 

Epifania é uma palavra grega que significa a manifestação de Deus ao mundo, pelo nascimento de Jesus Cristo. O nascimento do Menino-Jesus é revelado aos Reis Magos pela estrela que os guiava para o local onde se encontrava o Filho de Deus, Rei dos Judeus, Rei do Universo.

São três realidades que queremos apresentar e analisar das leituras de hoje: a universalidade da Salvação (1a Leitura), Jesus Cristo, Rei dos reis, Senhor dos senhores (2a Leitura), os Reis Magos, simbolismo planetário: todos os continentes são chamados à salvação.

A 1ª Leitura exalta Jerusalém como a capital religiosa do mundo, porque à ela acorrem povos de todos os continentes e raças. Esta cidade era vista como centro teofânico da terra. Os presentes ofertados simbolizam a realeza e a universalidade do Deus de Israel a partir da manifestação do único Deus confirmado por Jesus Cristo. Isaías profetiza a paz e a salvação no monte Sião, como farol que iluminaria todos os povos e raças.

O autor da 2ª Leitura anuncia Jesus Cristo como o Senhor da história de Israel e do mundo. Deus não manifestou esse mistério às gerações passadas da mesma forma com que o revelou agora , pelo Espírito , aos seus santos apóstolos e profetas : em Jesus Cristo , por meio do Evangelho , os pagãos são chamados a participar da mesma herança , a formar o mesmo corpo e a participar da mesma promessa ” (Ef 3,5-6). Toda humanidade, diante da dignidade do nome do Senhor, participará da Salvação e do mistério de Cristo, pois ele é o único Senhor da história.

Os Reis Magos, narrados em Mateus, nada mais são que um símbolo muito interessante, na interpretação de Mateus, dos três continentes conhecidos de então.

O texto situa primeiramente o espaço e o tempo. Jesus nasceu em Belém de Judá, quando Herodes reinava. A pergunta é direta e clara: onde está o rei dos judeus recém-nascido? Como podiam saber? A estrela (o astro) guia-os até Jerusalém. E por que não foram diretamente até Belém? Mateus dá significado teológico ao fato. Se observarmos bem, percebemos que a estrela os guia até perto de Jerusalém e depois desaparece, ressurgindo novamente. Quando os magos saem da cidade, imediatamente a estrela que haviam visto surgir e avançava à frente deles. A estrela desaparece sobre a cidade do poder, da violência, dos desmandos, da opressão, do sangue derramado de inocentes, da injustiça e da morte. A cidade onde reinava Herodes, violento, déspota e paranóico, a estrela que guia os humildes, os justos, os que querem servir ao Rei dos reis, não ilumina Jerusalém. Geralmente as decisões de guerra e injustiças são tomadas nas grandes cidades que não conseguem ver as estrelas que iluminam a realidade dos humildes que abrem o coração ao Deus do Universo. Os Magos tinham um coração humilde, com desejo de servir ao Rei do Universo.

Gianfranco Ravasi resume em poucas palavras a teologia dos Reis Magos: “Eis que Jesus, como numa sala do trono, é adorado pelos Magos, símbolo evidente de toda a humanidade, que, com sua sabedoria e por meio da revelação cósmica (a estrela), converge para Cristo.”

Os três continentes conhecidos então eram o asiático, o africano e o europeu. Os magos representam esses continentes, um é amarelo, o outro negro e o último branco, que adorarão Jesus Cristo. Mas nós sabemos que hoje existem cinco continentes. Nas circunstâncias atuais, haveria cinco magos, pois todas as nações e raças dobrarão o joelho ao nome do Senhor. Contudo hoje se poderia falar em cinco magos. Cada um de nós é um dos magos que deve oferecer os presentes para o Menino-Deus: ouro, incenso e mirra. Os santos padres interpretavam os presentes como a realeza (ouro), a divindade (incenso) e a humanidade sofredora (mirra) de Jesus. Mas nós o que podemos oferecer? Qual é o nosso ouro, incenso, mirra? Certamente o que temos de mais precioso em nossa vida é justamente a vida (ouro). Entregar nossa vida nas mãos de Deus. Abandonar-nos totalmente nas mãos de Deus, eis o presente que agrada a Deus. O que podemos oferecer como incenso? Reconhecer Jesus como Deus é oferecer-lhe o incenso da oração, da adoração, da participação dos sacramentos e o presente da afeição por sua Palavra. A mirra simboliza a humanidade, contingência da natureza que passa por sofrimentos e aflições, dores e desilusões, tudo deve ser entregue para que seja transformado em bênçãos e graças, porque Jesus Cristo passou e venceu essa realidade: assim, também nós, venceremos com Ele. Não tenhais medo, era o incentivo e a força que Jesus dava aos discípulos.

O quarto e o quinto mago é a pessoa do continente da América e da Oceania. Essas pessoas, depois que conhecem a experiência o Menino-Deus, seguem por outro caminho. A descoberta e o conhecimento do Rei dos Judeus, fez que os Reis Magos não retornassem pelo mesmo caminho. Deixaremos a estrada do pecado e seguiremos o caminho da graça, não seremos coniventes com o pecado que oprime e mata, como Herodes. Nós também mudaremos de estrada toda vez que fazemos a experiência íntima do amor de Deus no sacramento da Eucaristia. Mudar de rumo e de atitude é comum nas pessoas que presenteiam Deus com suas vidas, adoram-no e servem-no na oração, nos sacramentos e entendem e doam os sofrimentos e dores pela conversão e salvação todos.

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