Roteiros homiléticos
5º Domingo da Páscoa – 2/5/2010
1ª Leitura: At 14,21b-27
Salmo 144
2ª Leitura: Ap 21,1-5a
Evangelho: Jo 13,31a.34-35
Queridos irmãos, queridas irmãs, hoje a Igreja celebra o 5º Domingo da Páscoa. A intenção é lembrar e vivenciar durante a semana aquilo que as leituras nos comunicam nesta liturgia.
Elas nos revelam três coisas fundamentais.
A primeira é que, mais uma vez, somos motivados a ser testemunhas de Cristo, tornando-nos discípulos do amor.
Seremos conhecidos pelas obras do amor, e partiremos como Pedro, Paulo e Barnabé para pregar o amor, a vida nova em Cristo.
A segunda questão é o amor comunicado por Deus por meio de Jesus e de seus discípulos missionários. Hoje somos nós os discípulos dele, e todos são chamados a ver as pessoas com o amor e misericórdia com qual o Pai Eterno os vê. Podemos afirmar então: eis o amor de Deus manifestando-se no exemplo e na caridade dos seus seguidores. Como diz uma frase de Novalis – “a criança é o amor tornado visível” –, assim nós devemos tornar o amor de Deus visível nas obras.
Começando pelo que vimos na 1ª Leitura, quando os discípulos reconheceram Jesus ressuscitado, compreenderam que tinham uma missão. Qual a missão? Testemunhar Cristo ressuscitado e levar avante aquilo que vimos no Evangelho de hoje: amar, amar, amar e amar, ou seja, dizer ao mundo que, se o mundo não está bem, se há violência, injustiça, e tantas coisas ruins, é porque falta sermos testemunhas do amor: de Cristo, é claro!
E quem ama não precisa nem falar que é testemunha de Cristo. Naturalmente, tudo o que faz é efetivamente promover Cristo pelas obras. Os discípulos vão e manifestam esse amor, e começam a criar comunidades novas. Elas são diferentes das que até então existiam.
A 2ª Leitura diz: “Eis que farei tudo novo!” De fato, Deus faz tudo novo, e o amor transforma tudo em novo. O amor renova a vida: faz a ofensa ser perdoada, faz que a gente tenha vontade de viver, vontade de recomeçar, tenha vontade de fazer que a pessoa esqueça o passado, esqueça seu erro, esqueça as ofensas... E acolhe e começa de novo. Por isso, Jesus diz: “Amai-vos uns aos outros.” Faz que todos se renovem, porque Jesus diz “amai-vos uns aos outros”, o que significa que é possível tornar presente na vida presente, Deus. Quer trazer Deus no mundo? Ama! Imagine se nós todos nos amássemos...
O amor afetivo não é opcional, é involuntário, espontâneo, algo que se deseja, de que não temos controle. Se não fosse assim, todo mundo seria correspondido no amor. Jesus, quando fala “amai-vos uns aos outros”, refere-se a um amor diferente, não ao amor afetivo, sentimental.
Cristo pede-nos o amor ágape, que é muito mais que o amor familiar, o amor de pai para filho, amor de filhos pelos pais. O que Cristo pede é o amor efetivo, o amor que promove a pessoa. Sem distinção de classe, de raça, religião... O amor efetivo que Jesus nos pede é ver o irmão e a irmã com os olhos de Deus.
Respeitar, ajudar a pessoa, mesmo a antipática, a inimiga, a desconhecida, o vizinho, a sogra. Eu tenho de pensar o seguinte: eu não posso transformar as pessoas como eu gostaria que eles fossem, mas eu tenho de me mudar, para mudar os outros.
Deus ama-nos como somos, mas sempre espera que nos convertamos. O amor é exigente, mas também respeita, promove, dá ao outro dignidade. O amor efetivo promove a dignidade, o respeito, porque ama como Deus ama: ama a todos. Querer bem, fazer bem às pessoas, assim com uma mãe faz com seus filhos. A palavra mãe, em todas as línguas, começa com “m”. “M” vem de mar, simboliza o vai e o vem, onda que leva e trás, e, como um barco, o filho se deixa levar pelas ondas da mãe. As ondas do amor levam o barco à praia da felicidade.