Roteiros homiléticos

 

Pentecostes – 31/5/2009

 

1ª Leitura: At 2,1-11
Salmo: Sl 103
2ª Leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13
Evangelho: Jo 20,19-23

O verdadeiro cristão é multiplicador de Cristo

Pentecostes é considerado o ponto alto no ano litúrgico, pois se trata da grande festa da fundação da Igreja. É a partir deste acontecimento, que a comunidade apostólica se libertou do medo, da incerteza e da insegurança, iniciando as pregações mundo afora.

Ao comemorarmos o aniversário da Igreja, comemoramos nosso próprio aniversário, uma vez que somos a Igreja. No início, Jesus era o único portador da Boa-Nova. No momento do Pentecostes Ele se multiplicou em doze, ao derramar o Espírito Santo sobre os apóstolos. Estes, por sua vez, se multiplicaram em centenas, milhares e milhões ao longo dos séculos, até os nossos dias. Em outras palavras, pode-se dizer que Pentecostes é a multiplicação do próprio Jesus Cristo.

Pentecostes também é uma atualização do Antigo Testamento. No Gênesis encontramos a narrativa da primeira Criação, quando Deus deu vida a tudo. Entretanto, a humanidade desviou-se do bem, instituindo o caos e enveredando para o pecado. Por outro lado, Jesus, por meio da ressurreição, trouxe perdão, vida nova e plena, trazendo-nos a Nova Criação. Assim como o sopro divino vitalizou a Criação no início dos tempos, também Jesus enviou o Espírito Santo sobre os apóstolos, para vitalizar a Igreja.

Uma segunda analogia possível é a passagem da Torre de Babel, quando, em meio a confusão, as pessoas não se entendiam mais em suas próprias línguas. Em Pentecostes as línguas de fogo descem, e todo aquele que se reveste do Espírito do Senhor será capaz de falar a linguagem universal, aquela que todos entendem: a língua do amor, do bem, da justiça, da promoção humana e tantas outras virtudes.

No que diz respeito à simbologia desta ocasião, é interessante explicar por que o Espírito Santo se manifesta de duas formas: a primeira como pomba e a segunda como fogo. Sobre Jesus, o Paráclito desce como pomba, porque Jesus é Deus, e, portanto, é o próprio fogo. Deus é o fogo que consome, e Jesus mesmo disse: “Como eu gostaria que o fogo estivesse acesso no mundo.” Aqui se trata do fogo do amor, do testemunho, do fogo que nos faz crepitar e nos impulsiona ao encontro do outro. O fogo é o elemento que purifica, queima toda impureza, todo pecado. O fogo que queima em nós deve buscar como fonte de combustível a pessoa de Cristo, pois nós queimamos mais, à medida que o testemunhamos aos irmãos. Só assim se pode manter acesa a chama, o coração aquecido e mais perto de Deus.

Na liturgia deste domingo, São Paulo fala-nos dos carismas. Para melhor entender a mensagem podemos fazer uso de uma linguagem simples. Ao fazermos o sinal da cruz, invocamos a Santíssima Trindade: ao tocar a cabeça, sede da inteligência, dizemos Pai, o criador, aquele que tudo pensou e tudo criou; ao tocar o coração, sede do amor, dizemos Filho, o Amor, aquele que se encarnou para nossa salvação; ao tocar os dois pulmões, dizemos Espírito Santo, a vida plena, aquele nos vivifica como o ar que enche os pulmões de oxigênio.

São os pulmões que recebem e distribuem a preciosidade que necessitamos para viver, o oxigênio. Não teremos sangue circulando, o coração pulsando, um cérebro ativo, não teremos vida, se não houver oxigênio.

Antes do nascimento, ainda alojados no útero materno, nossa respiração se dá pelo mãe. Somente quando saímos é que nos tornamos independentes, respirando por nossa própria conta. Em Pentecostes acontece a mesma coisa. Os apóstolos e discípulos nascem. Não dependem mais da presença visível de Cristo, eles mesmos estão ungidos pela ação do seu Espírito vivo no meio deles, respirando por e agindo no Espírito Santo.

Caso os apóstolos permaneçam fechados, escondidos no Cenáculo, como também acontece hoje com comunidades cristãs fechadas em si mesmas, não recebem o sopro do Espírito, o “oxigênio” portador da vida plena, não podem frutificar nos dons do Espírito Santo.

O cristão que não tem o Espírito de Jesus se isola, cultiva uma fé intimista, acomoda-se e não participa das atividades da comunidade. Ele se preocupa somente em cumprir a obrigação de assistir à missa, ou seja, não passa de um “misseiro”. O discípulo missionário do Senhor vai ao encontro do irmão e serve Cristo no irmão: somente assim será irmão de Cristo.

O verdadeiro cristão é multiplicador de Cristo!

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