Roteiros homiléticos
1º Domingo do Advento – 29/11/2009
“Vigiai, para que estejais preparados...”
1ª Leitura: Is 2,1-5
Salmo: 121,1-2.4-9
2ª Leitura: Rm 13,11-14
Evangelho: Mt 24,37-44
O Advento começa no domingo 29 de novembro e termina no dia 24 de dezembro. Os Domingos deste Tempo são 1º, 2º, 3º e 4º do Advento. Os dias 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) tendem a preparar mais especificamente as festas do Natal.
Podemos distinguir dois períodos. No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico, e é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda no fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos.
O segundo período, de 17 até 24 de dezembro, inclusive, orienta-se mais diretamente à preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos desses dias nos preparam diretamente para o nascimento de Jesus.
A vigilância na espera da vinda do Senhor
Durante esta primeira semana as leituras bíblicas são, no Evangelho, um convite: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento.” É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar a caminho do Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado, deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tenha ofendido, para começar o Advento, vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família, da mesma forma que em cada comunidade paroquial, acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, de cor roxa, como sinal de vigilância e desejo de conversão.
A liturgia deste domingo apresenta um apelo veemente à vigilância. Orai e vigiai! O verdadeiro cristão não é acomodado, não é passivo, não vive no desleixo, na rotina; mas caminha sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.
O profeta Isaías convida todos os homens e mulheres – toda a humanidade, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde mora o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a Sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem-fim. É a esperança e o sonho de Deus para o Seu Reino.
São Paulo recomenda aos cristãos que despertem da sonolência que os mantêm presos ao mundo das trevas (o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado), que se vistam da luz (a vida de Deus que Cristo ofereceu a todos) e que caminhem, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da Salvação.
O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo apela à vigilância. O fiel ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o cristão ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.
O Evangelho também nos convida à espera-vigilância, ou seja, à espera confiante; daí vem a palavra esperança. Essa esperança não vem acompanhada de medo, temendo o que possa acontecer, mas confiante no cumprimento das promessas de Deus. Vale a pena ressaltar que essa espera não deve ser sufocada por moralismos, mas, sim, deve ser relida como um anúncio glorioso, grandioso e belo. A compreensão plena da Palavra deve nos ajudar a abandonar a angústia e a lembrar que Deus é Pai. Ele intervém somente para salvar, e nunca para punir ou trazer sofrimento. Além de tudo, a imagem de um Deus que apavora, nos dias de hoje, não será mais compreensível, pois o Deus de Jesus Cristo é amoroso e misericordioso. Devemos aceitar com amor este Deus e confiar em suas promessas. Só assim, poderemos, um dia, experimentar totalmente a alegria de sermos plenamente felizes.
Para concluir, cabe contar uma história, ilustrando melhor tudo que foi dito.
Um rei tinha dois escravos, ambos muito capazes, e faziam em tudo a vontade do rei. Um belo dia, o rei resolveu recompensar os dois.
Disse ao primeiro:
– Quero recompensar você pelos seus préstimos e generosidade, em ter-me servido esse tempo todo. De hoje em diante você ficará livre.
Cheio de alegria e felicidade, o ex-escravo agradeceu e se foi embora: assim se realizou o seu sonho, ser livre.
Disse também ao segundo:
– Quero premiá-lo por sua generosidade e obediência, e, por isto, elevo-o à condição de meu conselheiro e amigo.
Também ele ficou feliz e radiante. Agradeceu muito o seu ex-senhor.
Em seguida, encontrou o primeiro, que lhe perguntou:
– Então? Você também recebeu a liberdade?
O outro lhe contou o que havia acontecido.
O primeiro escravo, então, foi ao rei, para protestar.
O rei lhe perguntou depois da queixa:
– Você não estava contente e feliz pela liberdade que lhe dei?
O servo respondeu:
– Porque o meu colega recebeu um tratamento melhor do que eu? O meu serviço e o dele sempre se igualaram!
– Tem razão – respondeu o rei – o serviço era idêntico. Mas você obedecia por medo de meu poder e da punição, e por isto eu o libertei, e também porque era o seu sonho. O seu companheiro, ao contrário, obedeceu-me pelo desejo de ter a minha estima e a minha amizade; por isto quero tê-lo sempre bem perto de mim.