Roteiros homiléticos

 

5° Domingo da Quaresma – 29/03/2009

 

1ª Leitura: Jr 31,31-24

Salmo: 50

2ª Leitura: Hb 5,7-9
Evangelho: Jo 12,20-33

A mensagem central da liturgia de hoje permite-nos traçar um paralelo com a semeadura e a colheita do trigo. O agricultor deposita na terra certa quantidade de sementes, e, depois de algum tempo, inicia a colheita do trigo. A multiplicação só acontece, porque as primeiras sementes morreram, para brotar, dando assim continuidade ao ciclo da vida.

Do mesmo modo da semente, Jesus morreu para permanecer vivo entre nós. Se não fosse assim, não seríamos cristãos. A partir dele surgiram os 12 Apóstolos, que por sua vez se multiplicaram em 120, e assim cabe a nós continuar a missão de multiplicadores de novos cristãos, como discípulos-missionários do Filho de Deus.

A primeira leitura faz-nos uma revelação importante. O profeta Jeremias profetiza sobre a Nova Aliança entre Deus e seu povo. Há muitos anos o Senhor libertou o povo hebreu do Egito, e, a caminho da terra prometida, deu-lhes as tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos, ou Decálogo. Setecentos anos depois, Jeremias percebe que os Judeus não obedeciam às leis, apenas observavam algumas práticas externas. A lei não trazia transformação para a vida das pessoas, sendo apenas um sinal externo e um culto desligado da vida. Jeremias diz que haverá um tempo em que o Senhor escreverá sua Lei no coração e nas entranhas das pessoas, e então não haverá mais necessidade das Leis externas”.

Se pararmos para observar o mundo em que vivemos hoje, veremos a quantidade infinita de leis existentes. Infelizmente a interpretação desta realidade é triste, pois uma nação mal-educada necessita de mais leis. Por melhores e mais justas que sejam as leis, não servirão a nada, enquanto as pessoas não forem educadas e tomarem consciência que a mudança ou a lei de que precisamos estão no coração. A sociedade de hoje não preza a “lei do coração’’. A educação tem caráter meramente instrutivo e informativo, não enfoca a valorização da vida e o seguimento de princípios.

A palavra educação tem sua origem do latim “ex-ducere”, que significa “tirar de dentro para fora”. Portanto, enquanto não colocarmos em prática esta educação interior, nossa sociedade estará pagando um alto preço. “Quem diz não dispor de recursos para educar, não sabe o custo da ignorância.”

O Evangelho lembra-nos de que temos uma fagulha de Deus em nós. Portanto, devemos ser imitadores: tal como Cristo, assim o cristão. Ele nos deu o exemplo de como é o amor gratuito, aquele que não julga, não ridiculariza, não é preconceituoso, simplesmente acolhe e aconselha o pecador a deixar o seu caminho de pecado.

Uma pesquisa realizada recentemente mostrou que, de 1970 até os dias de hoje, 603 pessoas foram mortas na Igreja na América Latina. Dentre elas bispos, padres, religiosos, religiosas e leigos. Estes números são oficiais, mas há ainda 1.300 não oficializados. Estas pessoas deram a vida pela causa de Cristo e da Igreja; sementes, que morrendo, foram motivo de crescimento e fortalecimento da fé de muitos outros. Isso é ser discípulo-missionário de Cristo de que o Documento de Aparecida nos fala.

Um coração verdadeiramente transformado e que produz muitos frutos é aquele que serve, aquele que dignifica o seu semelhante, aquele que acolhe com sinceridade.

Assim como Cristo, como os Apóstolos, como os mártires da Igreja e tantos mártires anônimos, diante da violência hodierna, não morreram para si, mas pelos outros, também cada cristão deve morrer um pouco aos interesses pessoais e doar sua existência às pessoas e à sociedade civil organizada. A conversão é um processo que exige certo sacrifício e sofrimento, pois é necessário renunciar ao egoísmo, preconceitos, ambições e coisas que ocupam lugar em nossas vidas.

A vontade de Deus é que vivamos e permitamos que nossos irmãos vivam. A pessoa que realmente tem Jesus no coração faz a diferença.

Vamos falar um pouco sobre a CF 2009. A violência e a insegurança também estão no meio familiar. Esta é uma realidade que cada vez aumenta mais, sob as diferentes formas de violência, como: “acidentes domésticos, excesso de punição física ou simbólica, brigas entre casais, violência com a mulher, agressão aos filhos, alcoolismo e outros tipos de dependência química, pedofilia e abuso sexual, violência contra pessoas idosas...”

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