Roteiros homiléticos
São Pedro e São Paulo – 28/6/2009
1ª Leitura: At 12,1-11
Salmo: Sl 33
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8,17-18
Evangelho: Mt 16,13-19
Se Cristo quisesse santos e perfeitos, não teria escolhido Pedro e Paulo
A celebração de hoje é especial, pois aqui são lembrados dois grandes nomes da Igreja: São Paulo e São Pedro. É o dia do Papa.
Toda mensagem bíblica foi inspirada e escrita no passado, para iluminar o presente e o futuro. Portanto, é necessário traduzir e atualizar os acontecimentos de 2009 anos atrás para os dias atuais.
A liturgia deste domingo mostra-nos que nós podemos hoje ser como Pedro e Paulo. Devemos refletir, observando o exemplo destas duas colunas da Igreja e aprender com eles e para possuir a solidez da fé de um, e a disposição de anunciar de outro.
Pedro, por muito tempo em sua vida, foi inconstante, fraco e, em alguns momentos, covarde, por ter negado Jesus por três vezes. Por que será que Jesus o escolheu, com todos os seus defeitos, para ser força de unidade, de comunhão, pilastra da Igreja que O testemunharia mundo afora? Somente o amor de Deus pode explicar este fato, porque humanamente falando, ninguém confiaria em um traidor. Jesus não escolheu Pedro pela perfeição, ou pela capacidade intelectual, ou ainda pela sua perseverança. Nós muitas vezes somos levados pelo medo e insegurança, achando que não somos dignos ou não estamos preparados para servir o Senhor. Depreciamo-nos e acovardamo-nos, esquecendo-nos de que Jesus chama a todos.
Contudo, temos duas opções: podemos ser Pedro covarde, fraco e medroso; ou podemos ser Pedro forte, lutador e confiante, sabendo que Deus não nos escolheu por nossas virtudes, e sim por Amor. Em troca, o que Ele espera é que sejamos firmes e fortes na fé e confiantes n’Ele, desempenhando nosso papel em receber bem todo aquele que procura acolhida na Igreja.
Com o passar dos séculos, muitas distorções aconteceram no entendimento das passagens bíblicas, inclusive interpretadas pela própria Igreja. Neste Evangelho encontramos um exemplo: quando Jesus chama Pedro de pedra, sobre a qual construirá sua Igreja, não significa que ele represente uma rocha, sobre a qual será edificado um templo. Na versão original, em grego, o texto traz a palavra “khefas”, que se traduz como caverna. Quando Jesus compara Pedro a uma caverna, quer dizer que ele deverá dar acolhida, proteção e abrigo a todos aqueles que o buscarem. Esta comparação vem da realidade geográfica do oriente. Na região montanhosa da Galiléia existem muitas cavernas, e nelas abrigavam-se as pessoas marginalizadas pela sociedade da época: os perseguidos, os pobres, os doentes, os estrangeiros, os que não tinham onde morar, etc.
Portanto, todos os que procuram e aceitam a Igreja de Jesus Cristo devem ser acolhidos e amados, independentemente do que são ou têm.
Outra reflexão interessante é aquela que trata das chaves que São Pedro carrega nas mãos. Para nós, ocidentais, a chave representa um instrumento que fecha, que tranca e dá segurança. Diferentemente, para os orientais a chave traz imediatamente a idéia de abrir. Neste sentido, Pedro foi constituído por Deus para abrir as portas da Igreja e acolher a todos, pobres e ricos, homens e mulheres, santos e pecadores, enfim, sem fazer nenhum tipo de distinção.
Pedro e Paulo somos nós hoje, a Igreja, todos os batizados, chamados por Cristo para continuarmos o seu projeto de salvação. Estes dois homens tiveram suas falhas e limitações, e até mesmo foram infiéis. Entretanto, depois de certa caminhada e por graça de Deus, ambos foram chamados a levar o anúncio da Boa-Nova e a solidez da fé a todos os povos e nações.
Pode-se afirmar que ninguém, nas últimas décadas, encarnou tanto a realidade de Pedro e Paulo mais que o saudoso Papa João Paulo II. Convicto e firme na fé, ele assumiu o papel de Pedro, trazendo unidade pastoral à Igreja. Por outro lado, ele se assemelhou a Paulo, nas inúmeras viagens missionárias pelo mundo. Nenhum outro Papa na história da Igreja Católica incorporou tanto a força “petrina” e a força “paulina”. Este fato deve ser um incentivo e um convite a cada um de nós.
Precisamos estar preparados, pois hoje Jesus conta conosco, com a solidez da nossa fé. Ele espera que eu e você sejamos sinais visíveis do seu projeto em nossa casa, no trabalho, na sociedade, enfim, no meio em que vivemos.
Assim como Jesus sofreu, padeceu e venceu, da mesma forma Pedro e Paulo sofreram, padeceram e venceram. Também nós tenhamos a certeza de que a força do Senhor não nos falta. Basta que, como apóstolos, deixemos de lado o “homem velho” e infiel que nega e persegue Jesus presente nos irmãos.
Somos Pedro, quando acolhemos e promovemos nosso semelhante. Apesar de nossas fraquezas, limitações e traições, devemos insistir e acreditar que sempre é possível retomar o caminho de volta para o Senhor.
Somos Paulo, quando anunciamos e partilhamos com os outros a alegria de viver em Cristo. Precisamos combater o bom combate contra tudo o que vem pra nos desanimar, desviar e nos fazer vacilar na luta diária da fé e caridade cristã.