Roteiros homiléticos

 

3 º Domingo de Páscoa – 26/04/2009

 

1ª Leitura: At 3,13-15.17-19

Salmo: Sl 4

2ª Leitura: 1Jo 2,1-5a
Evangelho: Lc 24,35-45

A primeira aparição de Jesus ressuscitado causou diferentes reações nos discípulos, que apesar de alegres e surpresos, demonstraram também espanto e dúvida. Perguntavam-se no seu íntimo se realmente Ele estava lá, ou se era um fantasma da imaginação. O próprio Jesus convida-os a tocar-lhe o corpo, para sentirem sua carne, seus ossos, e, assim, compreendessem e cressem que sua ressurreição não se limitava somente ao plano espiritual.

Na Idade Média, a Igreja adotou o dualismo, e ainda hoje vivemos a influência do dualismo grego, que prega a salvação da alma, não se importando com o corpo. Matava-se o corpo, em favor da alma, e Platão dizia: “O corpo é o cárcere da alma”. Deus não deseja nosso sofrimento, e deu-nos um corpo, para cuidarmos dele, valorizarmo-lo. Como Jesus, nós também ressuscitaremos por completo, de corpo e alma. Não teria sentido a ressurreição em parte, só da alma; desta forma não seríamos nós, e sim parte de nós.

A nossa fé, na maioria das vezes, acredita naquilo que nos dá segurança, e quanto às coisas que não temos certeza, atribuímo-las ao plano espiritual, que se encontra longe, distante da nossa realidade. Entretanto, a verdadeira fé associa fé e vida, isto é, caminham juntas. Alguns têm a fé nas nuvens, e vivem como se ela não existisse. Outros, porém, não manifestam a fé, mas vivem dignamente, pautados em valores corretos e justos.

Toda vez que desprezamos ou exploramos o corpo de alguém, diminuindo sua dignidade, estamos pecando, praticando dualismo.

Jesus ensina-nos que precisamos unir fé e vida, corpo e alma. Poderíamos resumir da seguinte forma: “O que eu creio eu vivo; e o que eu e vivo, é porque eu creio”. Bem, sabe-se que o único Evangelho que muita gente lê é o testemunho de nossas vidas. Somos verdadeiros evangelhos vivos, e unimos fé e vida, quando amamos as pessoas, promovendo-as, respeitando-as, acolhendo-as, independente de sua opção sexual, posição social, condição racial ou religiosa.

Vivemos numa sociedade opressora e repressora, fazendo que as pessoas desprezem o corpo, e ao mesmo tempo o valorizem excessivamente. Prejudicando o corpo, consequentemente estamos afetando nossa alma.

O Cristo ressuscitado não é um “divino astronauta” que subiu e sumiu no céu, mas está aqui no meio de nós, e pede-nos que sejamos suas testemunhas, dando o testemunho do Amor: “Ama teu próximo como a ti mesmo.” Ele subiu, para que pudesse, por meio do Espírito Santo, estar em todos os lugares.

Reconhecendo o amor de Deus por nós, devemos amar os nossos irmãos por inteiro, e não somente a alma deles. Não devemos julgar as pessoas pelas suas atitudes, pois, antes de tudo, trata-se de um semelhante nosso, que tem todo direito de regenerar-se e corrigir-se.

Acreditar em Cristo não significa acreditar num fantasma, mas na nossa própria vida: vida plena neste mundo, e também na eternidade.

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