Roteiros homiléticos
30º Domingo do Tempo Comum – 25/10/2009
Ser Pacientes, sim; Acomodados, não
1ª Leitura: Jr 31,7-9
2ª Leitura: Hb 5,1-6
Evangelho: Mc 10,46-52
Confiança é a palavra-chave da reflexão deste dia. Confiança num Deus que se fez humano e experimentou nossas fraquezas, para de nós termos misericórdia. Somos limitados. Sem o poder, a graça, a força de Deus, definitivamente não existe a possibilidade de viver bem, alegres e felizes.
Na 1ª Leitura vemos que as palavras do profeta Jeremias procuram animar o povo judeu na época em que foram destruídos e dominados pelos babilônicos. Falava principalmente para parte do povo que se encontrava no exílio, dizendo “exultai no Senhor”, profetizando seu retorno à Terra Prometida. A figura do profeta aparece como alguém que reanima, resgata e restaura a alegria daqueles já desesperados, ao mesmo tempo que os convida a retornar e viver a condição anterior.
Os exemplos dos Reinos de Israel e Judá são dominados pelos pecados, que, por sua vez têm o poder de nos desanimar, nos entristecer diante da sociedade violenta e desigual. No entanto, o mesmo convite continua valendo: voltar à condição anterior, ou seja, ao estado de graça, à alegria de viver, à motivação na fé e na esperança.
Também no Evangelho percebemos esta realidade. Jesus cura o cego. E o milagre tem lugar, porque aquele homem não estava satisfeito com a condição em que se encontrava. Seu desejo era, sem dúvida, mudar de vida, porém não se sabe se queria voltar a uma condição anterior ou se queria algo diferente. Em busca do seu objetivo, o cego aborda Jesus aos gritos, pois esta era a única maneira possível. Aliás, pode-se dizer que os cristãos deveriam de certa forma gritar, demonstrando insatisfação diante da realidade em que vivem. De nada adianta ficarmos nos lamentando e acomodados, sentados diante dos problemas, das dificuldades, daquilo que nos aflige e nos traz sofrimento. Definitivamente, não podemos ficar parados, devemos gritar, porque o verdadeiro cristão é aquele que tem esperança, e quem tem esperança não se conforma.
O exemplo do cego Bartimeu ajuda-nos a superar e sempre a buscar o melhor, tanto no sentido material como espiritual. Nada há de errado em querer progredir e melhorar. O homem cego estava insatisfeito por não poder apreciar a natureza, por não poder contemplar a face das pessoas amadas, enfim, insatisfeito e cansado de viver na total escuridão.
Confiança e persistência são os dois pontos fortes deste Evangelho. É preciso confiar em quem ao qual se pede e perseverar naquilo que se pede. Jesus, ao ouvir o seu clamor, aproximou-se para atendê-lo e, neste momento, o cego deu um pulo, soltando o manto. Ao libertar-se do velho manto, Bartimeu deixou para trás seu passado, e, dali em diante, começou uma nova vida em Cristo. Percebemos que Jesus, mesmo se deparando com a deficiência visual do homem, ainda assim, pergunta-lhe qual o seu desejo. Enxergar seria a resposta mais óbvia. Contudo, Jesus não se precipita em devolver-lhe a visão, uma vez que considerava a possibilidade de outro pedido.
Cristo, ao encarnar-se, experimentou toda a miséria da humanidade, e assim pôde tomar conhecimento de todas as nossas carências. Deus é como um pai que conhece as necessidades dos filhos de forma genérica, porém, as coisas mais específicas precisam ser solicitadas de forma clara e explícita, caso contrário, não saberá e não poderá supri-las. Assim devemos proceder em nossas orações, pedindo o que necessitamos, porque até mesmo Deus, que tudo vê, respeita nosso livre arbítrio, nossa vontade e nossas decisões.
O que realmente falta aos cristãos católicos é a oração específica, isto significa que, ao orar, devemos apresentar ao Senhor o que é realmente prioritário em nossas vidas. Além de vagos, somos frequentemente egoístas em nossas preces, enxergamos a nós próprios e pedimos só para nós mesmos. Todo pedido pessoal que se estende aos irmãos, certamente é atendido, porque foi assim com o cego curado que glorificou o Senhor, como testemunha viva das maravilhas de Deus.
A paciência é a virtude que mais intimamente se relaciona com as nossas orações. Vivemos mergulhados na pressa da vida moderna, eternamente ansiosa para resolver os problemas e ter tudo muito rápido. Ser paciente sim; ser acomodado, não... Ter paciência significa pedir confiantes de que seremos atendidos, respeitando o tempo certo de cada coisa. É muito comum a pessoa deixar-se vencer pela descrença, quando não é imediatamente atendida em suas preces, chegando a ponto de duvidar da existência de Deus.
A exemplo do cego Bartimeu, desinstalemo-nos, dando um salto em direção a Cristo e, confiantes, peçamos que Ele nos cure da cegueira espiritual em que vivemos.