Roteiros homiléticos

 

Ascensão do Senhor – 24/5/2009

 

 

1ª Leitura: At 1,1-11
Salmo: Sl 46
2ª Leitura: Ef 1,17-23
Evangelho: Mc 16,15-20

Se Jesus tivesse ficado, não seria onipresente

Acertadamente podemos dizer que a Ascensão do Senhor é sinônimo de nossa ascensão e principalmente de Sua presença permanente entre nós. Parece um paradoxo subir ao céu para estar sempre na terra.

Para entendermos a passagem da Ascensão, precisamos refletir em alguns pontos.

Onde está o céu para onde Jesus subiu? Primeiramente, é necessário considerar que o céu não significa um lugar específico no tempo e no espaço. Para os judeus, o céu está nas alturas, local onde Deus sempre se manifestava. Acreditavam que Yahweh habitava nas nuvens que cobriam os picos das montanhas. Este fato originou-se da peregrinação do povo hebreu pelo deserto, que ao sair do Egito até a terra prometida foram acompanhados, guiados e protegidos por uma nuvem luminosa. Subir ao alto das montanhas, assim como fez Moisés e Elias, era estar em paz na presença de Deus.

Cientificamente sabe-se que o espaço sideral não tem limites. O homem alcançou a lua, visitou outros planetas através da tecnologia e um dia poderá chegar a outras galáxias, sem, porém, encontrar o fim.

Em qualquer lugar da terra que estejamos, vamos sempre encontrar o Sol, a Lua e as estrelas. Considerando a subida de Jesus para o céu, temos o mesmo significado, isto é, de Ele estar presente universalmente. Por isto a Ascensão foi necessária, pois se Ele tivesse ficado fisicamente perto dos apóstolos, não poderia ser onipresente. Jesus teve de desaparecer diante de seus discípulos, para que eles assumissem a missão de levar seu testemunho até os confins do mundo. Do contrário, aqueles homens medrosos teriam cruzado os braços e esperado que tudo viesse do mestre.

Toda vez que nos sentimos em comunidade, trazemos isto presente não só espiritualmente, mas também visivelmente, por meio da Sagrada Eucaristia. Portanto, cabe a nós acreditar na promessa de Sua eterna presença e continuarmos a missão delegada aos apóstolos e, hoje, a nós.

Jesus ascendeu ao céu para, permanecendo em todos os lugares o tempo todo, animando e motivando todo aquele que crê. Erradamente costumamos dizer que Deus criou o mundo, quando na verdade Deus iniciou a Criação, e cabe a cada um de nós dar continuidade ao projeto por Ele iniciado. Da mesma forma, Cristo cumpriu seu papel no que diz respeito à nossa salvação. Contudo, nós também temos nossa parcela de responsabilidade, à medida que devemos levar o Cristo Salvador às pessoas que ainda não o conhecem.

Estando no alto, Jesus age por meio do Espírito Santo. Tal como a chuva que cai, fecunda a terra, o mesmo acontece, quando recebemos em nossa vida as bênçãos e as graças que vêm do alto.

A fé pode ser apenas uma adesão afetiva a Jesus e não efetiva. Que a nossa fé não seja um eterno olhar para o céu no sentido afetivo, contemplando Deus nas alturas, distante e fora do nosso alcance. É descruzando os braços e testemunhando com nossa própria vida que concretamente participaremos do projeto da Salvação.

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