Roteiros homiléticos
Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – 22/11/2009
Enquanto os Reis Temporais Impõem, o Rei Eterno Propõe
1ª Leitura: Dn 7,13-14
2ª Leitura: Ap 1,5-8
Evangelho: Jo 18,33b-37
A reflexão das Leituras deste dia concentra-se na última frase pronunciada por Jesus no Evangelho: “Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.”
Na população mundial, os católicos ou pessoas que se declaram católicas representam um sexto da humanidade. E, dentre eles, somente uma parcela, perto de 30%, escuta a Palavra de Deus, e apenas nas celebrações dominicais. Isto significa que a maioria não escuta a voz e, se levarmos a sério o que diz o texto, obviamente podemos concluir que estes não prezam pela verdade, mas convivem naturalmente com a injustiça, o poder, a ganância, a força, a violência e com tudo aquilo que oprime.
Personalidades da história são testemunhas vivas de que quem não escuta a voz de Deus se faz o próprio Deus, e todo aquele que se coloca no lugar de Deus destrói a Criação dele. Homens e mulheres que perderam seu referencial como criaturas, colocando-se no papel do Criador, foram responsáveis pelo sofrimento e pela dor de milhares de pessoas. Foram eles reis, imperadores e governantes a transformar em desgraça toda graça concedida por Deus.
A passagem da 1ª Leitura data de 175 a.C., quando o profeta Daniel escreveu aos judeus que passavam dificuldades diante da opressão do rei. Descendente dos selêucidas, Antíoco IV, de forma impositiva, introduziu em Israel a cultura, religião e filosofia grega. Ainda não satisfeito, trouxe para dentro do templo judaico, a imagem do deus Zeus, o deus dos deuses gregos. Podemos avaliar tamanha afronta, imaginando se alguém, de repente, com força e poder, introduzisse em nossa igreja uma imagem de Buda, por exemplo. Além disto, obrigasse-nos a reverenciá-lo e adorá-lo como Deus. Certamente o ato causaria desconforto e rejeição em cada um de nós.
Foi exatamente assim que aconteceu em Israel, e foi neste momento que o profeta Daniel trouxe palavras de ânimo, afirmando que Jesus, o Messias, viria para assumir a realeza eterna e governaria para todos aqueles que aceitassem a sua Palavra e cressem nele.
No Apocalipse, texto da 2ª Leitura vê que Cristo como Alfa e o Ômega, início e fim, todos aqueles que o aceitam e ouvem a sua voz serão como sacerdotes. Ser sacerdote significa estar sempre a serviço do Senhor e dos irmãos. É assim todo aquele que se dedica à evangelização, à oração, à manifestação da fé ao Rei do Universo. Portanto todos nós somos, de fato, sacerdotes, a partir do momento em que o aceitamos e professamos nossa fé por meio do Batismo.
No Evangelho podemos refletir nas diferenças entre dois reis: Pilatos e Jesus. O primeiro, representante do Imperador de Roma, prepotente arrogante e ganancioso, é dotado de poder para condenar à morte. Jesus, humilde, manso e desprendido, é dotado de todo poder para dar vida. A grande contradição acontece: o rei que tem poder de morte mata o rei que tem poder de vida.
Muitos dos reis da história, como romanos, assírios, babilônicos, persas, e até mesmo governantes pelo mundo afora, não vieram para dar vida ao povo, ao contrário, ceifaram a vida do povo, em seu próprio benefício. A imposição de pesados impostos para sustentação de uma pequena casta oprime e empobrece cada vez mais a maioria.
Jesus é um rei completamente diferente. Ele vem se contrapor aos reis terrenos, entregando a própria vida para que seu povo tenha vida plena. Ele sofreu na carne as consequências do uso da força, da violência e do poder, pelos quais as pessoas padecem.
Enquanto os reis temporais impõem, o rei eterno propõe. Cristo é paciente e espera, não nos converte à força, não nos quer temerosos, nem ajoelhados como súditos submissos.
Nossos dirigentes deveriam aprender a governar segundo a Palavra, para assim servir o povo, e não servir-se dele.
Diante do Cristo-Rei nós não precisamos ter medo, porque ele nos acolhe de braços abertos e nos entrega a sua coroa de salvação.