Roteiros homiléticos

 

4º Domingo da Quaresma – 22/03/2009

 

1ª Leitura: 2Cr 36,14-16.19-23
Salmo: 136,1-2;3;4-5;6
2ª Leitura: Ef 2,4-10
Evangelho: Jo 3,14-21

Jesus é a Boa-Nova que Nicodemos procura, e deve ser buscado também por nós. Aderi à Boa-Nova significa conversão e mudança. Às vezes exige a transformação radical do nosso agir e do nosso comportamento. Quem crê nele tem a vida eterna. Unidos a Cristo, nossa alma se transforma em Deus, vive nele e reflete o impulso vital de Deus em nós, para viver bem e fazer o bem a todos, o que é dom sublime de Deus, êxtase de amor e de comunhão.

As pessoas nos dias atuais conhecem duas grandes dificuldades. As duas constituem extremos. A primeira é o apego excessivo ao subjetivismo, e a segunda o engano sobre a liberdade. Os dois consistem em fazer da vida uma realidade enganadora, ou seja, usam do subjetivismo, para justificar os atos em detrimento da ética e da liberdade como um valor de autonomia absoluta, para ceder aos mecanismos do subjetivo e ao desejo de fazer tudo que deseja, tanto na política, economia e na religião. Em outras palavras, eu sou a política, eu sou a economia, eu sou a religião. No caso da liberdade humana, algo tão bom e importante, para muitos é sinônimo de arbitrariedade incontrolada, que conduz a abusos facilmente imagináveis, tornando-se um bumerangue para a própria pessoa; e, no caso do subjetivismo, não há parâmetros éticos ou objetivos que possam reger as pessoas, o valor, a moral e os costumes não importam mais, criando angústia e perdendo-se o rumo, pois não se sabe qual é o caminho a seguir, e, portanto, qualquer caminho serve.

Contras estas duas forças hodiernas, a Palavra de Deus deste 4° Domingo da Quaresma oferece a nós elementos de grande valor teológico e uma profunda mensagem de equilíbrio humano. Deus criou as pessoas com o livre arbítrio, mas não abandonadas em si mesmas. Temos de nos libertar de fatalismos ou das arapucas de crer em destino. Deus respeita-nos em nossas escolhas, mas não sem antes nos dar os critérios naturais, humanos e espirituais, a que chamamos de valores, ética e moral.

Somos livres, mas não abandonados a nós mesmos. A primeira leitura lembra-nos de que os chefes de Judá, os sacerdotes e o povo cometem erros e pecados, por não compreenderem bem a liberdade que Deus lhes oferece. Usando e abusando de sua liberdade, fizeram o mal. Com as palavras da 2ª Leitura podemos dizer que se tornaram destruidores de si mesmos. O Evangelho recorda-nos que há quem se fecha no seu subjetivismo, mesmo religioso. Cristo é livre, mas para fazer o bem e não para ganhar o bem para si. Portanto, não existe fatalismo, destino, o que existe é a liberdade de escolha, e nós sabemos que as melhores intenções muitas vezes criaram as piores situações, porque não quiseram seguir os critérios éticos e morais.

Nenhuma culpa é, em si absoluta, “sem remédio”, diante da Salvação que Deus nos oferece. Pois a Salvação de Deus é oferecida por Graça, mediante a Fé. A intervenção de Deus, pela sua gratuidade, não torna em vão nem ridiculariza a liberdade da humanidade. Ao abrir-se à Salvação, as pessoas têm uma importância fundamental: escolher livremente crer, abandonar-se à pessoa de Cristo. Quem crê Nele terá a vida eterna, diz-nos o evangelista João no Evangelho de hoje. Tudo depende da liberdade do homem e da iniciativa e da gratuidade de Deus.

A CF alerta-nos para as relações humanas e sociais muitas vezes recheadas de subjetivismos e libertinagem. “As relações humanas podem ser humanizadoras, mas também desumanizadoras, a ponto de negar a dignidade da própria pessoa e dos outros. Este é um dos mais fortes fatores geradores da insegurança social e da violência nas relações interpessoais.”

O ser humano não nasceu para viver só, envolto em seu subjetivismo exacerbado, abrindo mão da solidariedade e do convívio saudável com os outros, usando-os. O capitalismo e o mercado são formas extremas, que mantêm a crença cega no valor do individualismo para o sucesso financeiro. É isto o que importa, mesmo passando por cima de todos os valores.

Deus, sendo e tendo tudo, tornou-se nada em Jesus Cristo, para nos ensinar a sermos tudo para os outros. Jesus é o cúmulo da solidariedade, e, portanto, os discípulos-missionários de Cristo sejamos seus imitadores.

 

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