Roteiros homiléticos

 

 16º Domingo Comum – 19/7/2009

 

Quando não Sabemos aonde Queremos Ir, Qualquer Caminho Serve

1ª Leitura: Jr 23,1-6
Salmo: Sl 22
2ª Leitura: Ef 2,13-18
Evangelho: Mc 6,30-34

Depois de terem sido enviados por Jesus, os Apóstolos retornaram da Missão, demonstrando cansaço, porém alegres e satisfeitos pelo sucesso alcançado em alguns lugares. Jesus, que aguardava o retorno dos seus, convidou-os para um momento de descanso, em lugar calmo e tranquilo. Então, reuniram-se e atravessaram o mar da Galileia, até atingir a outra margem. No entanto, ao desembarcarem, deparam-se com uma multidão, pessoas que sabiam que Jesus frequentemente estava lá e o aguardavam, para serem atendidos. Tratava-se de um povo perdido, desamparado, tal qual ovelhas sem pastor.

Na 1ª Leitura, o profeta Jeremias mostra a ruína do povo judeu, quando o rei da Babilônia, Nabucodonosor, os expulsou de sua terra natal, trazendo povos de diversas nacionalidades para ocupar o país. Desta forma, houve o domínio, primeiramente, em Israel, o Reino do Norte, e, em seguida, em Judá, o Reino do Sul. Nessa época muitos foram exilados, o Templo derrubado e Jerusalém destruída. A mensagem do profeta Jeremias atribuía toda a desgraça do povo Judeu à falta de bons pastores. Maus pastores espalharam, dispersaram as ovelhas para longe. A profecia do profeta ocorreu enquanto ele ainda estava vivo. Porém a profecia também dizia que haveria um dia, no qual Deus reuniria novamente as ovelhas dispersas, e lhes daria esperança e paz, porque o Senhor que haveria de vir chamar-se-ia “o Senhor da Justiça”.

Os maus pastores não se preocupavam, nem se interessavam pelas ciências e necessidades do povo pobre. Ao contrario, só defendiam seus próprios interesses, viviam em busca de mais privilégios Para melhor entendimento, vale a pena explicar a origem da palavra privilégio: do latim “privus lege”, que significa acima da lei, aquele que está fora do alcance da lei, que não precisa obedecer a lei.

Assim também acontece hoje em nossa sociedade, na qual sentimos falta de bons pastores. Como podemos ter uma justiça confiável, se não confiamos nos homens que a praticam, se os “pastores” dos poderes Legislativo e Executivo não nos inspiram confiança? A descrença nas instituições de nosso país vem crescendo cada dia, o que nos coloca justamente na posição de ovelhas sem pastor.

Orígenes, filósofo e teólogo, já dizia: “Porque existem lobos querendo devorar ovelhas? Simplesmente pela falta de bons pastores.” Se hoje existe tanta gente perdida, sem rumo, sem direção, é porque existem outros impedindo seus caminhos. Contagiados pela descrença, a população mergulha em crenças, seitas e religiões desconhecidas, abandonando definitivamente instituições tradicionais, que deveriam ser referencial para a sociedade, apontando caminhos seguros.

Jesus mostra neste Evangelho que, quando o povo está sem pastor, qualquer caminho é bom, porque, para quem não sabe para aonde ir, qualquer caminho serve.

A realidade é que, enquanto alguns permanecem desfrutando de privilégios, muitos são prejudicados e afetados em seus direitos.

Outro ponto de reflexão é a passagem do Evangelho que fala sobre a compaixão que Jesus sentia pelas pessoas, especialmente pelos mais pobres. Compaixão não significa só sentir pena, mas também colocar-se no lugar do outro, criar empatia, sentir junto. Compaixão é sentimento que provém das entranhas. Jesus teve compaixão pelo povo sofrido, perdido como ovelhas sem pastor.

Podemos, depois de uma semana de trabalho, descansar com Jesus, e dele receber força renovadora para continuar a Missão de verdadeiros cristãos? Será que somos participantes ativos do processo que busca a plenitude da justiça e da paz? Só somos verdadeiramente contribuintes deste projeto, se assumirmos a parcela que nos cabe. Não podemos esquecer que o pastoreio começa em nossa própria família, em nosso ambiente de trabalho, em nossa comunidade, enfim, em todos os lugares em que nos relacionamos com nossos irmãos.

É de fundamental importância refletir em se pertencemos à classe dos privilegiados, cuja contribuição é manter o sistema tal qual como está, confortável para nós, não nos importando com os outros.

São Paulo, na 2ª Leitura, anima-nos, dizendo que Cristo nos tornou novos homens e novas mulheres. Ele é o pastor, que nos dá segurança e aponta o caminho a seguir. E é, andando por este caminho, que seremos verdadeiros colaboradores do seu projeto. Somos humanos, consequentemente falhamos, mas Cristo, que é perdão, acolhe-nos e renova-nos, para que não abandonemos a luta diária. Oxalá, um dia compreendamos que ser cristão é ser missionário, é ser comunicador, é ser um novo homem, para que, por meio de nossas vidas, as graças de Deus se espalhem sobre aqueles que mais necessitam.

topo


© Site das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, todos os direitos reservados.