Roteiros homiléticos

 

 29º Domingo do Tempo Comum – 18/10/2009

 

Jesus Cristo Foi tão Humano, que só Poderia Ser Divino

1ª Leitura: Is 53,10-11
2ª Leitura: Hb 4,14-16
Evangelho: Mc 10,35-45

Deus é Pai maravilhoso e tem um amor profundo pelo ser humano. Neste dia em que a Igreja celebra o Dia Mundial das Missões, somos convidados a retribuir, dentro das nossas limitações, este bem-querer do Criador por suas criaturas.

O papel de cristão missionário deve iniciar na família, instituição fundamentada essencialmente no amor. Aquele que verdadeiramente ama antecipa-se em fazer o bem ao ser amado, encontrando assim prazer na felicidade do outro.

Isaías profetiza o sofrimento pelo qual Jesus passaria, denominando-o “Servo Sofredor”. Toda humilhação, injustiça, tortura e dor que ele sofreu foi por uma única razão: amor à humanidade. Jesus experimentou toda miséria, toda calúnia e difamação, todo ódio e infidelidade, para depois se tornar o sumo-sacerdote misericordioso capaz de perdoar todas as nossas fraquezas.

Acolher o próximo foi o grande ensinamento do Senhor. Não obstante virtudes ou defeitos, todos amam, e o acolhimento relaciona-se diretamente com a aceitação desse amor. Cada pessoa ama da forma que sabe amar, e àquele que é amado cabe a obrigação de receber esse sentimento tal qual ele é. Afinal, quão pretensiosos seríamos – e às vezes o somos – em querer mudar o jeito de amar dos que nos rodeiam...

“Nem sempre as coisas são como a gente quer...” Este só poderia ser um ditado popular, porque Deus, na sua infinita misericórdia, ama-nos sem-medidas do jeito que somos. Propõe-nos, sem nunca impor, a conversão, a fim de encontrarmos o caminho para a glória eterna. Todavia nos acolhe e nos aceita exatamente como somos.

Jesus Cristo foi tão profundamente humano, que só poderia ser divino. Somente quem já experimentou a dor, a angústia e o sofrimento na própria carne é capaz de criar empatia, isto é, de compreender, acolher e ser solidário com o sofrimento alheio.

No Evangelho aparecem os Apóstolos Tiago e João e, numa atitude desprovida de humildade, comunicam imponentemente a Jesus: “Mestre, queremos sentar um ao teu lado direito e outro ao teu lado esquerdo.” Esta passagem representa o jogo de interesses que já ocorria desde aquela época. João e Tiago pretendiam, com esse pedido, garantir um lugar privilegiado, sem merecimento. Apelam para o poder do Mestre, achando que, em sua autoridade, poderia lhes conceder o pedido gratuitamente. Isto também se dá nos dias de hoje, quando milhares de cristãos colocam-se sentados ao lado de Jesus, só e somente sentados, e alguns ainda de braços cruzados, usufruindo, sem nada oferecerem em contrapartida. Esta é uma situação cômoda e confortável, porém egoísta, e drasticamente condenada pelo próprio Cristo. Como tudo na vida tem um preço, não haveria de ser tal privilégio gratuito. Jesus responde-lhes duramente, dizendo que é necessário conquistar e fazer por merecer as coisas que se deseja, e, em seguida, repete a condição em que Ele mesmo foi exemplo vivo: “Eu vim ao mundo para servir, e não para ser servido.” Podemos afirmar que, naquele momento, Tiago e João, mesmo sendo suas testemunhas oculares, não compreenderam o significado de seguir Jesus, de ser amados por Ele, e tampouco souberam o que é verdadeiramente amar, pois, se soubessem, não teriam feito tal pedido.

Neste Dia Mundial das Missões, Jesus convida-nos a agirmos diferente de João e Tiago, deixando de lado todo egoísmo, egocentrismo e individualismo, em busca somente da própria satisfação. Se não nos conscientizarmos disto, estaremos nos contradizendo, até mesmo ao recitar a oração do Pai-Nosso. A boca diz “Pai Nosso”, mas a atitude diz “Pai Meu”; venha a mim o Vosso reino, ao invés de venha a nós o Vosso reino; o “pão meu” de cada dia, e não o “nosso”... Esta é a realidade da maioria dos cristãos, que não imaginam e adoram um deus intimista, que não existe. Acham que seguem a Deus, mas, no fundo, seguem a si próprios.

Se temos a alegria de sentir-nos salvos, se cremos que Jesus salvou e ainda continua disposto a nos salvar, se acreditamos que a fé nos leva a Deus, nos dá esperança e força para superar as dificuldades da vida, então por que não comunicar estas maravilhas aos outros? Quando ficamos com tudo isto, guardado só para nós mesmos, então não entendemos o que é ser missionário. Missionário é justamente deixarmos transportar de dentro para fora a alegria de sentir-se fiel, sentir-se salvo, sentir-se amado por Deus. Infelizmente, a maioria dos cristãos católicos sente vergonha de professar publicamente a sua fé.

Sua Santidade, o Papa João Paulo II, afirmou sabiamente: “Nossa fé só se fortalece, à medida que nós a comunicamos.” Portanto, quer ter uma fé inquebrantável? Comunique-a.

topo


© Site das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, todos os direitos reservados.