Roteiros homiléticos

 

 Assunção de Nossa Senhora – 16/8/2009

 

Devemos Estar permanentemente ‘Grávidos’ de Jesus, para Gerá-Lo ao Mundo

1° Leitura: Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab
Salmo: Sl 44
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27
Evangelho: Lc 1,39-56

É com imensa alegria que celebramos a Assunção de Nossa Senhora. Independente do fato de ter acontecido verdadeiramente ou tratar-se apenas de um dogma de fé da Igreja Católica, o que realmente importa é que, mediante o seu “sim”, Maria nos trouxe nada mais nada menos que Jesus Cristo.

Para gerar o Salvador, ela tinha de estar isenta de pecado. Por esta razão, Deus concedeu-lhe a santidade. Maria foi assunta ao céu, tratando-se, portanto, do único ser humano que foi levado de corpo e alma para a glória eterna.

No Evangelho de hoje, Deus utiliza-se das figuras de Maria e Isabel para romper com toda lógica humana e inverter os falsos valores da época. Primeiramente escolheu Maria, na época em que a mulher não significava nada, senão um ser desprezível, colocado à margem da sociedade e da religião. Uma adolescente de doze ou quatorze anos, em sua simplicidade, pureza e disponibilidade, foi a escolhida, quando a maioria das mulheres da sociedade da época esperava ansiosamente para ser a mãe do Messias, conforme profetizavam os livros do Antigo Testamento.

Deus surpreende também, quando age na vida de Isabel, demonstrando o valor incomensurável dos pequenos e dos marginalizados. De idade avançada e estéril, era publicamente considerada amaldiçoada por não ter gerado filhos, s descendência do marido.

Com a vida destas duas mulheres, Deus desmascara toda falsidade que imperava nos costumes sociais, políticos e religiosos da época. Tudo isto vai contra o farisaísmo judaico, demonstrando que religião não se tratava de ter poder, de controle, de exclusão. Ao contrário, religião é, a exemplo de Maria e Isabel, uma esperança ilimitada, que não decepciona.

Ao agir concretamente na vida destas duas mulheres, Deus quebra os paradigmas da humanidade. Toda vez que depositamos nossa esperança nas coisas materiais, somos inevitavelmente invadidos pelo orgulho, autossuficiência, arrogância, e passamos a prescindir de Deus, uma vez que, estando materialmente amparados, sentimo-nos seguros.

O Magnificat, hino de louvor recitado por Maria ao encontrar Isabel, diz-nos claramente que, se quisermos ter o olhar benevolente de Deus para conosco, sejamos humildes, e depositemos nossa esperança naquele que não decepciona, nosso Salvador.

Outro ponto interessante, que nos faz pensar, refere-se aos cinco nomes que aparecem no Evangelho: Zacarias, Isabel, João Batista, Maria e Jesus. Segundo o costume judaico, cada nome tinha um significado, e, na passagem deste Evangelho, eles se relacionam de forma perfeita. Zacarias, em hebraico, ”Deus se lembrou”: interpretando o primeiro nome, podemos dizer que Deus se lembrou da humildade de sua serva, do povo escolhido, sofrido e oprimido que O esperava. Isabel, “Deus é plenitude”: sua manifestação acontece na plenitude dos tempos. João Batista, que significa ”Deus é misericórdia”: mediante a misericórdia divina, foi enviada a nós a grande promessa: o Messias. Maria, “a amada”, escolhida para gerar o Messias. E finalmente Jesus, ou “Deus que salva”.

A 1ª Leitura, extraída do livro do Apocalipse, apresenta algumas expressões no sentido figurado, que devem ser compreendidas, para sua correta interpretação. A mulher que trazia a lua sob os pés não se trata de Maria, mas da Igreja. Domiciano, imperador romano que reinou no ano 100, liderou forte perseguição contra a Igreja Católica, o que obrigou os cristãos a viverem na clandestinidade, escondidos nas Catacumbas. São João, autor do texto, usa de artifícios de linguagem para se comunicar com os seguidores de Cristo, e ao mesmo tempo confundir seus perseguidores. A mulher, neste caso, a Igreja, que está constantemente grávida de Jesus Cristo e dá à luz o Salvador, continuamente por meio da pregação, é perseguida pelo dragão, aqui representando o Império Romano. O fogo traduz a cor vermelha do sangue dos mártires que deram a vida, pela causa do Reino. A morada no deserto significa o mundo hostil à vida e pregação de Jesus Cristo.

O entendimento desta liturgia resume-se no fato de que o verdadeiro cristão deve carregar dentro de si o próprio Cristo. Devemos estar permanentemente “grávidos” de Jesus e, ao mesmo tempo, gerá-lo ao mundo, aos irmãos que não O tem.

Se não seguirmos o exemplo de Maria, na doação e serviço, praticaremos o “aborto” de Jesus em nossas vidas. Ao tomar conhecimento de sua gravidez, Maria foi imediatamente servir Isabel. Assim também, todo Cristão que tem Cristo em si deve ter pressa e se colocar à disposição para servir a Igreja, nos irmãos.

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