Roteiros homiléticos
11º Domingo Comum – 14/6/2009
1ª Leitura: Ez 17,22-24
2ª Leitura: 2Cor 5,6-10
Evangelho: Mc 4,26-34
O amor se manifesta todos os dias
através dos pequenos gestos de carinho e atenção
Irmãos e irmãs, em cada coração humano Deus semeou a sua verdade, a sua graça, e age de modo silencioso, fazendo o Seu Reino crescer.
Na primeira leitura, Ezequiel, com uma linguagem rica de símbolos, faz-nos entrar no mistério de Deus, que age, não por meio da prepotência humana, mas somente por meio de pessoas humildes. O Seu poder se manifesta neles e constrói o Seu Reino. Jesus é o ramo que cresce: não para dominar, mas para servir.
Na segunda leitura, Paulo confirma a sua confiança em Deus. Não obstante a perseguição e os insucessos, espera o cumprimento da promessa de Jesus, “para receber a recompensa da obra cumprida”. Em Paulo, a palavra produziu frutos em abundância.
No Evangelho, com a parábola da semente, Jesus introduz-nos nos mistérios do reino. Isto acontece, quando somos terrenos humildes e férteis, pela nossa disponibilidade. Se deixarmos a semente amadurecer, ela transforma o mundo, não apenas por nossas obras, mas pelo poder de Deus-Criador.
Mas, para chegar a tanto, é necessário dar espaço a Deus, devemos nos libertar do orgulho, do egoísmo, da acomodação.
Como é o Reino de Deus? Jesus responde: “É como uma semente.” A semente é pequena. Semeada, murcha, morre e nasce. Deus, para manifestar a sua obra, não escolheu o imperador Augusto, o rei Herodes ou ainda o grande sacerdote Caifás. Ele escolheu Maria, escolheu os Apóstolos.
Jesus não nasceu em Jerusalém, a grande cidade, mas na desconhecida cidade de Belém. Não viveu em Jerusalém, mas em Nazaré, lugar pequeno e desprezado. Não nasceu grande, nasceu pequeno, necessitado de tudo como qualquer criança, e viveu por trinta anos igual a qualquer pessoa humilde e simples.
Para o mundo de hoje, Deus teria feito uma escolha errada. Poderíamos dizer: sendo assim, quem o pode reconhecer? De fato muitos não quiseram entender, porque queriam que fizesse continuamente milagres, que fosse um general de exército, poderoso, para expulsar os Romanos. Mas não foi esta a escolha de Jesus.
As pessoas que se amam muito não precisam vestir-se de palhaço ou escrever em outdoor para saber que são amados. O amor manifesta-se todos os dias, por meio de pequenos gestos. Vive, joga e brinca conosco, sofre conosco, preocupa-se conosco. Este amor cotidiano é que nos faz viver. O Reino dos Céus não é como o barulho de uma árvore grande que cai, mas como o silêncio fecundo do grão que cresce.
Como é que Jesus constrói o seu Reino? Com as pessoas que como Ele são capazes de amar. Muitas vezes não vemos estas pessoas, agem no silêncio, e não as notamos. O Senhor não olha os músculos, a vestimenta, o cartão de visita. O Senhor olha o coração.
Para construir o seu Reino, o Senhor procura pessoas que sabem amar e possuem muita paciência. O tempo de Deus é diferente do nosso.
A semente é a Palavra de Deus. Precisamos conhecê-la sempre mais e melhor, para que nos indique sempre mais claramente o que devemos fazer, dia após dia. Principalmente, para que nos faça entender a sua obra, para que possamos colaborar com Ele. Deus é silencioso como a semente que cresce, como o coração que ama, como a criança que vive no seio da mãe. Para escutá-lo, devemos apreender a fazer silêncio, e dar atenção às coisas pequenas e simples, é nelas que Deus se revela. Quantas vezes Deus passa ao nosso lado e não nos damos conta disso.
Um cantor, um jogador de futebol famoso tornam-se nossos ídolos. E nós não nos preocupamos em saber se são honestos, gentis, capazes de gestos de amor, lealdade. Jesus no Evangelho de hoje nos diz que o Reino dos Céus é como uma semente de hortelã. Importante é que a semente seja de boa qualidade, não que seja bela, grande ou famosa.