Roteiros homiléticos

 

 Nossa Senhora da Conceição Aparecida – 12/10/2009

 

Deus Capacita-Nos com Inteligência e Vontade,
para Transformarmos as Realidades Injustas

1ª Leitura: Est 5,1b-2; 7,2b-3
2ª Leitura: Ap 12,1.5.13a.15-16a
Evangelho: Jo 2,1-11

Esta celebração em homenagem à Padroeira do Brasil festeja-se lembrando o povo simples, que, como ela, tem um coração humilde e confiante nas maravilhas e na ação de Deus neste mundo. A reflexão deste dia relaciona-se com o nosso compromisso, como cristãos, em fazer que todos tenham a alegria da vida plena. As três Leituras apresentam muitas semelhanças e um objetivo comum: pedir em favor do próximo.

A 1ª Leitura, extraída do livro da rainha Ester, descreve o seu empenho em salvar o povo judeu, que, dominado, estava prestes a ser exterminado por um rei assírio. A bela mulher adornou-se e prostrou-se, na esperança de que o poderoso rei se agradasse dela e, alcançando sua benevolência, fosse acolhida, para assim defender os interesses de seu povo. O rei, por sua vez, encantou-se por ela, estendendo-lhe o cetro de ouro, objeto que representava o poder da realeza, utilizado para fazer tanto o bem quanto o mal. Com este gesto, Ester recebera a graça de poder pedir o que desejasse. Surpreendentemente ela não pediu nada para si, pediu pela vida de seu povo.

Da mesma forma agiu Maria no episódio das Bodas de Caná. Esta é, sem dúvida, uma dádiva presente nos corações femininos, especialmente no das mães, que muitas vezes se sacrificam e renunciam a tantas coisas, em favor do bem estar dos filhos. Maria, ao chamar a atenção de Jesus sobre a falta do vinho na festa, preocupava-se não só com o constrangimento dos noivos, mas também com os convidados que não teriam como se alegrar e brindar às bodas.

Espelhando-nos no exemplo da Virgem Maria, também nós devemos nos preocupar e nos empenhar para que as pessoas não vivam sem o vinho da alegria, da esperança, do amor, da fé; enfim, sem o vinho da vida plena.

Mesmo não tendo resposta definida de Jesus, Maria, ainda assim, confia plenamente n’Ele. Ao pronunciar as palavras “façam tudo o que Ele vos disser, garante que todos os que o aceitassem seriam “embriagados” com o vinho do amor.

A grande semelhança entre Ester e Maria consiste no fato de não terem pedido nada para si. Na primeira passagem, o rei, em sentido figurado, representa Deus, e, no lugar de Ester, estamos nós, a pedir incessantemente. Deus, por sua vez, está sempre atento a nos oferecer o cetro de ouro, basta que o toquemos e com confiança peçamos. No entanto, temos muito a aprender com Ester e Maria, aprender a pedir, para que o mundo tenha mais vida, para que as pessoas sejam mais felizes. Ao nos dirigirmos ao Pai desta forma, além de sermos atendidos, estaremos nos livrando da ferrugem do egoísmo.

Maria igualmente pediu e continua, até hoje, intercedendo pelas necessidades alheias e pelos povos sofridos. Quanto ao milagre das Bodas de Caná, Jesus poderia, valendo-se dos seus poderes divinos, ter simplesmente ordenado que o vinho surgisse do nada. Contudo pediu aos homens que enchessem as talhas com água e as trouxessem até Ele. Com este gesto, incluiu a participação das pessoas no que era humanamente possível de ser feito; daí por diante dependia somente d’Ele. O importante é compreender que Deus nos capacita com inteligência e vontade para transformar as realidades injustas. O que acontece no Brasil e no mundo é que ora temos as talhas sem água, ora temos água sem talhas, e é esta desigualdade que impede que todos sejam embriagados com o vinho da felicidade, da saciedade, da dignidade, tendo o mínimo necessário para viver decentemente.

Sintetizando a mensagem desta liturgia, podemos dizer: façamos tudo para melhorar a vida do nosso semelhante, e, consequentemente, a nossa será imensamente melhor; pois, quando pensamos e trabalhamos pelos outros, somos tocados pelo ouro da divindade. Caso contrário, quando só buscamos o próprio bem-estar, estamos cada vez mais nos revestindo com a ferrugem do egoísmo. Sendo assim, não poderemos ser tocados pelo cetro de Deus, uma vez que são totalmente incompatíveis o ouro e a ferrugem.

topo


© Site das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil, todos os direitos reservados.